Fugindo da mesmice

Novembro 2, 2009

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Por Mauricio O. Dias – comoeueratrouxa

Novembro, menos de dois meses para o natal, então vai uma dica boa pra ter e dar de presente pros amigos. Os desenhistas Daniel Lafayette, Eduardo Arruda, Elcerdo e Stêvz lançaram a revista de quadrinhos ‘Beleléu’.

Comprei a revista e recomendo entusiasticamente. Misturando humor e lirismo, diferentes estilos de ilustrações, num papel classudo, formato bacana e com ótimo acabamento gráfico, este é um belo exemplo de quadrinhos alternativos – unem a liberdade que normalmente só existe para os que trabalham à margem do sistema editorial, mas ao mesmo tempo consegue fugir do padrão ‘tosco’ que costuma se ver por aí.

Poderia falar páginas sobre a ‘Beleléu’, mas o melhor que posso sugerir aos interessados é uma visita ao site da mesma (link ao final do texto). Lá há links para os blogs de cada um dos autores.

Para quem mora nas cidades do Rio, Sampa, BH e Curitiba, há os pontos de venda direta listados no link

http://revistabeleleu.wordpress.com/pontos-de-venda

Quem mora em outra cidade, pode ter sua revista Beleléu pelo correio (Envie um email para revistabeleleu@gmail.com, com o assunto “compra beleleu”.)

Site da ‘Beleléu’: http://revistabeleleu.wordpress.com


Inglourious Basterds

Outubro 27, 2009

comoeueratrouxaaosdezoitoanos

Por Mauricio O. Dias – comoeueratrouxa

Já disse num texto anterior que ‘Bastardos Inglórios’ é um filmaço. Ainda sobre ele, comento alguns pontos duvidosos do roteiro. Já tinha feito isto com os roteiros de ‘O Poderoso Chefão I e II’, ‘O Resgate do Soldado Ryan’ e outros (links ao final do texto).

Evidentemente, ao contrário dos demais, ‘Bastardos…’ não é um filme que se pretenda realista, então os pontos que vou apontar aqui são mera curiosidade, não uma crítica ao filme.

Pra que apontar tais questões, se nem eu as considero como prejudiciais ao filme? Porque estar atento a tais pontos é útil aos roteiristas; conseguir identificá-los e argumentar sobre a razão pela qual agridem a lógica propicia uma maior atenção às leis de causa/conseqüência – atenção esta que o roteirista deveria precisar na elaboração de suas próprias idéias. Aviso aos que ainda não viram o filme, comento trechos:

1)      Antes do encontro dos ‘Bastardos’ com a personagem Bridget von Hammersmark, que é uma estrela do cinema alemão, o chefe da equipe, o tenente Aldo Raine (personagem de Brad Pitt) reclama que o lugar por ela escolhido, um porão, é um péssimo lugar para uma operação. Ainda assim, ele manda para o encontro TODOS os três membros da equipe que falavam alemão. Caso a ação falhasse – como ocorre – ele corria o risco de não ter mais nenhum mebro fluente em alemão na equipe. Ok, como já dissemos, o filme não se pretende realista, e esta cena, além de mesclar tensão e humor de forma magistral serve de gancho para piadas posteriores sobre o fato de os americanos em geral não falarem um segundo idioma – e também para podermos ver os ‘Bastardos’ falando um hilário italiano macarrônico. Mas é ilógico, militares planejam as ações de modo que, falhando um plano A, ainda seja viável um plano B. Não “botam todos os ovos numa única cesta” se não houver necessidade.

2)      Se o Coronel alemão Hans Landa pretendia se entregar aos ‘Bastardos’ em troca de proteção, por que ele mata Bridget von Hammersmark – a estrela do cinema alemão? Se ele estava disposto a mudar de time, pra que ainda manter o papel de oficial da inteligência e eliminar uma colaboradora do inimigo ao qual ele pretende se entregar? Resposta: Pra Tarantino poder mostrar pela enésima vez um pé feminino desnudo, e brincar de Cinderela. Mas é ilógico.

Um dado interessante do filme é que ele apresenta um personagem negro vivendo na França ocupada. Sabemos que havia pessoas de origem africana na Europa já desde a Idade Média, Albrecht Dürer no século XVI retratou ‘Busto de um Negro’ e ‘A Moura Katharina’. E Shakespeare, ao escrever ‘Otelo, o Mouro de Veneza’, baseou-se numa obra de Giraldi Cinthio (1504-1573). Para além dos séculos de dominação moura na península ibérica, que deixaram ali a marca da miscigenação, a presença de negros em solo europeu é fartamente documentada.

Ver imagens:

‘Busto de um Negro’ no link http://reisserbilder.at/index.asp?aid=277

‘A Moura Katharina’ – http://www.garyschwartzarthistorian.nl/schwartzlist/?id=127

Mas o percentual de negros na população europeía devia ser ínfimo, e através da pseudo-historiografia fílmica muito pouco é dito da posição dos nazistas para com os negros – ao passo que qualquer garoto de doze anos sabe dos horripilantes planos nazistas para com os judeus.

O filme ‘Mephisto’, do húngaro István Szabó, é inspirado na vida real do ator Gustaf Gründgens, que após a ocupação alemã se tornou um colaboracionista. O autor da novela em que se o filme se baseou foi Klaus Mann, filho do famoso Thomas Mann. Klaus era cunhado de Gustaf.

Não sei o quão factual é o filme. Nele, o personagem do ator tem uma amante negra, e é aconselhado pelos seus parceiros nazistas a terminar o relacionamento.

Já a relação entre alemães e negros não-residentes na Europa, temos uma amostra na pequena participação do grande atleta Jesse Owens na primeira parte do ‘Olympia’ de Leni Riefenstahl.

Outros textos meus sobre roteiros de filmes célebres:

“Chinatown”; “Taxi Driver”; “O Resgate do Soldado Ryan” -

http://comoeueratrouxaaos18anos.wordpress.com/algumas-consideracoes-sobre-dramaturgia-em-filmes

“O Poderoso Chefão”

http://comoeueratrouxaaos18anos.wordpress.com/coppola-e-os-chefoes-ps

“O Poderoso Chefão II”

http://comoeueratrouxaaos18anos.wordpress.com/coppola-e-os-chefoes

“Super-Homem”; “Homem-Aranha”; “X-Men” -

http://comoeueratrouxaaos18anos.wordpress.com/se-os-diretores-respeitassem-o-publico-de-cinema-pipoca


How can a donkey hit the bull’s eye

Outubro 24, 2009

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Por Mauricio O. Dias – comoeueratrouxa

Vendo ‘Inglorious Basterds’, tive que dar a o braço a torcer: Tarantino fez um filme à altura de seus dois primeiros. Talvez até melhor, o que se deve em grande parte ao desempenho do austríaco Christoph Waltz como o oficial nazista Col. Hans Landa.

Já disse num post aqui que Tarantino era um boçal (link ao final do texto). Mantenho o que disse. Talento é uma inteligência específica, e o indivíduo ser detentor de algum tipo de talento não significa que ele seja articulado, consciente ou sábio sobre algo fora daquele universo específico em que ele atua.

Uma vez vi na TV uma entrevista do James Brown, fiquei abismado: aquele show man e compositor que influenciou toda a música pop nos anos 60 era um boçal, não falava nada que prestasse. Isaac Hayes, outro rei do balanço, era adepto fiel da cientologia. Se isso não é ser boçal, não sei então o que ser boçal significa.

Voltando aos  ‘Bastardos’, a liberdade que o filme toma com a História me fez lembrar de Watchmen (os quadrinhos, não o filme, que ainda não vi). Na HQ, graças à existência do Dr. Manhattan, os EUA venceram a guerra do Vietnã e já na década de 1980 todos os carros são elétricos – ou seja, trata-se um mundo paralelo ao nosso, uma realidade alternativa que seguiu caminhos diferentes daqueles que o nosso mundo seguiu. Este tipo de brincadeira com realidades alternativas, o primeiro exemplo que eu me lembro é Philip K. Dick e seu ‘O Homem do Castelo Alto’ (publicado em 1962), que retrata um mundo onde os alemães tivessem ganhado a Segunda Guerra. Mais tarde o autor explicou que ele teve a idéia deste livro a partir da leitura de ‘Bring the Jubilee’ por Ward Moore (1953), uma história alternativa que retrata os Estados Unidos após os Estados Confederados da América terem vencido a Guerra Civil Americana, em 1860 (o oposto do que ocorreu na realidade, caso você não tenha visto “E o vento levou…”).

Este tipo de ficção é um gênero aparentado ao exercício de construção dedutivo-especulativa da Ficção Científica.

Eu não sei porque toco nestes aspectos, mas enfim, Arnaldo Jabor na sua coluna altamente elogiosa sobre o filme em O Globo de 20/10/2009 escreveu: ‘A “loucura do mundo” virou tema de grandes produções – nuvens de fumaça para disfarçar a estupidez do óbvio, como os “Matrix”, “Clube da Luta” e tantos outros.’ (…) ‘Daí a importância de Tarantino. Ele rompe com o segredo mais bem guardado do cinema americano: o realismo burguês.

Jabor dispara, mas não sabe bem contra o que está atirando. Tampouco gosto muito destes “Matrix” (só agüentei vinte minutos) e “Clube da Luta”. Mas, Tarantino, a quem Jabor se refere como “o cineasta mais interessante do mundo”, os adora. No link que eu aponto no segundo parágrafo há um vídeo onde o diretor relaciona os melhores filmes dos anos 1990 pra cá, e tanto “Matrix” quanto “Clube da Luta” estão presentes numa lista com outros abacaxis.

Tarantino é um boçal, sim. Se não fosse, não teria feito aquelas bobagens com Robert Rodriguez, não há amizade que justifique aquilo. Voltando a questão ‘talento x entendimento’, há algum paralelo com a questão ‘instinto x razão’. Assim como os exemplos que citei do mundo da música pop, no mundo do futebol isto acontece muito. Jogadores absolutamente geniais como Pelé, Garrincha ou Maradona, verdadeiros artistas da bola, nunca demonstraram em relação ao esporte uma clareza que os teria permitido serem bons técnicos – ou simplesmente falar algo aproveitável sobre este esporte que tão bem representaram.

O post com o link para Tarantino falando de cinema: http://comoeueratrouxaaos18anos.wordpress.com/2009/08/18/as-dumb-as-an-actor


Um velho compositor bahiano

Outubro 14, 2009

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Por Mauricio O. Dias – comoeueratrouxa

Imagino que a esta altura todos já tenham ouvido das polêmicas declarações de Caetano Veloso sobre Woody Allen.

Mas aquilo é apenas um trecho de uma extensa entrevista, e se destacado do restante, fica um pouco fora de contexto, soa como um ataque de ocasião aproveitando o momento – em que existe a possibilidade do norte-americano filmar no Rio de Janeiro.

Para quem gosta de cinema vale a pena ler na íntegra, embora seja difícil achar algo de relevante ali. Nota-se também a falta de um revisor: fala-se em “roupa beje” (sic, erro este que o Geneton manteve ao lançar trechos em sua coluna-blog); e, referindo-se ao pintor francês, lemos “Césane” (sic de novo).

Não me desagrada a idéia de ver um cantor falar de cinema, desde que fique claro que não se trata de um expert do assunto. O problema ocorre quando ele próprio acredita ser.

Caetano é fã declarado de João Gilberto. Nunca li uma entrevista do mestre da bossa-nova, ele é tido como alguém extremamente reservado. Nem quando um entrevistador bota um microfone diante dele, João  sente-se à vontade – sendo o entrevistador Amaury Jr. isto é compreensível, ver entrevista no link:

http://www.youtube.com/watch?v=X3ylWmzJ7lc

(By the way, onde o Nelson Motta arranjou aqueles óculos?)

Bem que a persona pública de Caetano poderia se assemelhar um pouquinho mais à de João Gilberto.

A entrevista de Caetano está em

http://culturaeartesa.com.br/?p=888#more-888


Speedy Gonzalez

Outubro 5, 2009

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Protesto na porta da Disney acaba com a prisão de manifestantes. Agora, saca a cara de mexicano do sujeito vestido de Mickey.  Tá mais pra Ligeirinho. Arriba, arriba, arriba!

Mickey-algemado

Se você não sabe quem é o Ligeirinho,  segue uma imagem abaixo:

speedy_gonzales


O horror, o horror…

Setembro 16, 2009

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Por Mauricio O. Dias – comoeueratrouxa

Estar vivo no Brasil em setembro de 2009 é saber que Dado Dollabela ganhou um milhão de reais por votação do público num programa de TV. É saber que Fernanda Young vai ganhar uma bela soma em dinheiro pra posar nua na Playboy.

Eu tento não tomar ciências de tais fatos, compro bons livros, contos de Aníbal Machado, aulas sobre Aristóteles e Xavier Zubiri; enfim, procuro me retirar do baixo mundo. Mas por mais que você busque algo decente, acaba tendo que sempre que voltar e se defrontar com esta realidade abjeta em que boiamos.

Você tenta ouvir Bach, num volume que não incomode os vizinhos, mas um cafajeste pára o carro na porta do teu prédio e liga o som a todo volume, e o som é uma cacofonia abjeta cantada por alguém que parece um camelô do Largo da Carioca apregoando seus produtos. E isto pode ocorrer a qualquer hora do dia, até em plena madrugada. Até que a polícia chegue, você não tem como fugir do barulho ensurdecedor.

Não acho que este é um mundo bom pra se criar filhos. Como proteger mentes em formação do circo de horrores midiático que nos envolve? Isto sem falar da violência que é um risco constante, e produz atrocidades diárias. E na corrupção e corporativismo endêmicos na política. Tem horas que bate um desânimo… Há chance de melhoria? Há interesse em que haja melhoria?

Em meio à toda a sensação de náusea, de vez em quando meto-me a procurar uma notícia bonitinha, algo leve, inócuo, que faça esquecer todo o caos cotidiano. Como a notícia do link abaixo – velha, do ano passado – , sobre um fazendeiro norte-americano que colheu uma abóbora de 693 Kg:

http://www.worldamazingrecords.com/2008/10/worlds-biggest-and-heaviest-pumpkin.html


Imensa capacidade de auto-ironia

Setembro 6, 2009

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Por Mauricio O. Dias – comoeueratrouxa

Franklin Delano Roosevelt (1882 – 1945), também conhecido pelas iniciais, foi o presidente americano de 1932 até sua morte, exercendo no período quatro mandatos consecutivos. Teve que reerguer um país pauperizado pela Crise de 1929 e comandar as ações durante a Segunda Guerra Mundial (tendo morrido em abril, escapou de ser o responsável pelo lançamento das bombas atômicas no Japão, o que ocorreria em agosto daquele ano.).

Em 1921, bem antes de se tornar presidente, FDR contraiu uma doença que o deixou paralisado da cintura pra baixo. O fato foi acobertado do público com o beneplácito da mídia. Na época, e pelas décadas seguintes, acreditou-se que a causa era poliomelite. Mais recentemente começou-se a cogitar a possibilidade de ser síndrome de Guillain-Barré.

Roosevelt era membro de uma influente e rica família, que contava inclusive com outro presidente em seus quadros – Theodore D. Roosevelt (1858-1919), um dos quatro rostos presidenciais esculpidos no monte Rushmore. Nada como o distanciamento cronológico para conferir status à família e encobrir o fato de que o avô de FDR contrabandeava ópio da China, numa época em que esta substância ainda era usada como anestésico.

Na antologia de frases compilada por Ruy Castro, ‘O Melhor do Mau Humor’, aparece atribuído a Roosevelt o seguinte comentário sobre conservadores:

Um conservador é um homem com duas pernas perfeitas, mas que, infelizmente, nunca aprendeu a andar pra frente.” (“A conservative is a man with two perfectly good legs who, however, has never learned to walk forward.”)

Segundo consta, a fala teria sido proferida num discurso via rádio em 26 de outubro de 1939. É óbvio que os políticos têm pessoas encarregadas para escrever seus discursos. No entanto, tendo sido educado num dos melhores colégios do país e em Harvard, FDR não pode ter ignorado que a frase soava como uma referência à sua própria imobilidade. Um ato de coragem diante de uma tragédia pessoal. Franklin Delano Roosevelt foi provavelmente a personalidade política mais influente do século XX.


A saudade de um desenho animado dos anos 50 me levou a uma pequena reflexão

Setembro 1, 2009

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Por Mauricio O. Dias – comoeueratrouxa

Lembrei de um desenho animado da turma do Pernalonga, que se passava numa fazenda e tinha um galo grandão atazanado um cachorro, que tentava dar o troco. Quando eu era moleque, adorava.

A princípio eu não tinha certeza se era mesmo do Chuck Jones – podia ser do Tex Avery. Entrei no imdb, fui no ‘google imagens’, youtube. Como não sabia os nomes dos personagens, procurava “cock + dog”. No google imagens, o uso deste verbetes forneceu, entre outras coisas, imagens de go-go-boys, garotões musculosos olhando languidamente para a câmera. Duplamente deprimente: é deprimente por si só, e mais ainda por você estar procurando um troço ligado à época inocente da tua infância e se deparar com isso.

Procurei várias combinações, foi aí que descobri que o nome do galo em inglês era ‘Foghorn Leghorn’. A partir disso, deitei e rolei no youtube. Depois de já ter rido muito, comecei a pensar: há alguns anos isso não seria possível – o youtube foi fundado em 2005.

Lembrei-me de Gil Scott-Heron, um dos precursores do rap, e sua ótima música ‘The Revolution Will Not Be Televised’, de 1971. Hoje, estamos vivendo uma revolução, e ela está se mostrando a nós pelo monitor: um garoto de 12 anos nem sabe que houve um tempo em que não havia youtube nem download de músicas. Não é esta a revolução que o Gil pretendia, claro. Acho que é muito melhor. A música do Gil Scott-Heron, eu conheci porque um amigo da faculdade tinha o disco e gravou um cassete pra mim. Era assim que se fazia nos anos 90, pré-revolução, quando você dava a sorte de ter um amigo que tinha muitos discos – sorte esta que não acontecia para a grande maioria das pessoas.

The Revolution Will Not Be Televised’ é um libelo contra a acomodação gerada pela televisão nos espectadores. A letra em inglês pode ser encontrada no link http://www.gilscottheron.com/lyrevol.html

Encontrei dois clipes de ‘The Revolution Will Not Be Televised’ no youtube – o máximo do contra-senso. Os clipes são feitos a partir de uma ‘Early Version’ da música, que aparece no primeiro disco de Gil, ‘A New Black Poet – Small Talk at 125th and Lenox’ (1970), a qual só conta com o ‘canto falado’ de Gil e uma percussão, ainda sem a bela melodia e o instrumental de fundo que entrariam na versão do disco ‘Pieces of a Man’ (1971).

Seguem links para “o galo e o cachorro”, tudo em inglês:

http://www.youtube.com/watch?v=94OnHsHTQ8E

http://www.youtube.com/watch?v=E7-b0×8SD3E

Gil Scott-Heron – “The Revolution Will Not Be Televised- [Early Version] – Ghetto Style

http://www.youtube.com/watch?v=BS3QOtbW4m0

A coletânea de Gil Scott-Heron “The Revolution Will Not Be Televised” em mp3 para download, com a versão ‘melódica’ da faixa título , pode ser encontrada no link abaixo (pra quem gosta de fazer downloads: proteja-se SEMPRE contra spywares e afins).

http://rs168.rapidshare.com/files/128713731/Gil_Scott-Heron.rar

ou

http://www.megaupload.com/?d=9E25UOQY


Os quadrinhos sem desenhos – parte 3

Agosto 27, 2009

Mais uma história de quadrinhos sem desenhos, no link

http://comoeueratrouxaaos18anos.wordpress.com/quadrinhos-sem-desenhos-3


My Favorite Things

Agosto 25, 2009

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Raindrops on roses and whiskers on kittens
Bright copper kettles and warm woolen mittens
Brown paper packages tied up with strings
These are a few of my favorite things
“       (Rodgers and Hammerstein)

Por Mauricio O. Dias – comoeueratrouxa

François Truffaut dizia que o cinema foi inventado para que um filme como ‘Os Pássaros’ existisse. Isto é um manifesto contra a cerebralização do cinema.

O cinema começou como curiosidade exibida em circos a um centavo, para um público de analfabetos. Depois das inovações narrativas e de conteúdo, passou a existir como passível de ser arte.

Muita coisa mudou ao longo do século XX, o público tornou-se mais maduro (embora muitas vezes cinismo seja confundido com maturidade), a diversidade de movimentos cinematográficos – expressionismo, neo-realismo, nouvelle-vague – e autores ímpares como Fritz Lang, Welles, Bergman, Kurosawa e Buñuel conferiram novos conteúdo e forma ao cinema.

A partir dos final dos anos 50 alguns diretores europeus começaram a embarcar numa ‘egotrip’ meio existencialista. Boa parte dos filmes resultantes desta idéia são pernósticos. Cinema é ação, isto está na própria origem da palavra, do grego ‘Kinos’. Quando digo ação não quero dizer tiros e socos, mas no sentido de algo dinâmico, não estático.

Desde os meus vinte e poucos anos não consigo rever ‘O Ano Passado em Marienbad’. Tentei, não consegui. Não sei que opinião Truffaut tinha sobre este filme de Alain Resnais. E, se alguma vez Truffaut manifestou-se publicamente sobre a obra, não significa que tenha dito o que verdadeiramente pensava. Ambos eram franceses, da mesma geração, há muito corporativismo entre os intelectuais afins.

Mas o aspecto inicial do cinema como entretenimento para a ‘plebe’ não deve ser esquecido – aliás, o que muitas vezes era ‘entretenimento para a plebe’ antigamente torna-se o clássico de nossos dias.

No link abaixo, Fred Astaire na sala de musculação em ‘Núpcias Reais’. A leveza, a graça. Como ele faz parecer fácil algo que, na verdade, é elaboradíssimo. O cinema foi inventado para que uma cena como essa existisse.

http://www.youtube.com/watch?v=-pjlrrMvdtw