Não adianta vir com guaraná pra mim

Julho 10, 2009

Por Mauricio O. Dias – comoeueratrouxa

Tenho pensado muito na questão de haver ou não um limite ético para piadas. Algo que causa dor a alguém pode ser motivo de riso?

Já há dias considero esta questão. E hoje chegou por email a notícia de que morreu o travesti envolvido naquele escândalo com o Ronaldo. Eu e meus amigos trocamos piadas sobre o fato, como imagino que milhares de pessoas farão. Mas, convenhamos, o cara morreu, né? É um fato que, em si, não pode ser considerado alegre.

Mas mesmo tendo, entre amigos, feito piadas com a morte do mancebo, não acho que seria certo reproduzi-las aqui, que é, afinal, um espaço público. Certos comentários que em privado constituem humor válido, se reproduzidos em público, seriam de mau-gosto ou cafajestes. É uma consideração particular minha. Muita gente boa pensa de modo diferente.

No entanto, certos acontecimentos são tão esdrúxulos que, diante deles, o humor é inevitável. Se vai ser um humor válido ou não depende do talento do emissor e da disposição do receptor em achar graça. Vejamos:

Muita gente acha que o nome genérico daqueles anões do filme ‘A Fantástica Fábrica de Chocolate’ era ‘Lupa-Lupa’. Na verdade, após pesquisa no imdb.com, vi que era ‘Oompa Loompa’.

Só vi a versão de 1971, a clássica com Gene Wilder, não esta mais recente, que reuniu mais uma vez Tim Burton e Johnny Depp.

Pelo que entendi, os ‘Oompa Loompa’ não seriam exatamente humanos, mas uma espécie a parte, como os duendes do Papai Noel, os elfos, gnomos, jóqueis de cavalo e outros diminutos seres da mitologia.

Na versão de 1971, só havia ‘Oompa Loompas’ machos. Como se reproduziam? Serão hermafroditas? Brotam de alguma planta, tal e qual o Saci do nosso folclore?

Quantos anos vive um ‘Oompa Loompa’? O que pode causar sua morte?

Todas essas dúvidas me foram trazidas depois da leitura do texto que se encontra no link:

http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL1223791-5602,00-HOMEM+MORRE+APOS+CAIR+EM+TONEL+DE+CHOCOLATE+NOS+EUA.html


Made in USA

Julho 6, 2009

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Teve uma época, há anos, que andei lendo críticos de cinema americanos, mais especificamente Andrew Sarris e Pauline Kael.

Leituras que valeram a pena, especialmente Kael. Sarris era muito conservador, e o livro que eu li só cobria até 1968 (‘The American Cinema’).

Nas suas listas de “melhores do ano” (de 1958 até 1987 no Village Voice; a partir de 1989 no New York Observer) ele deixou de fora títulos que mereciam estar ali. As listas até 2006 podem ser lidas em inglês no link

http://alumnus.caltech.edu/~ejohnson/critics/sarris.html

Sarris cede excessivamente ao gosto médio, especialmente a partir dos anos 80 – tudo bem que tem anos que são muito fracos, e você tem que selecionar a partir do que foi exibido. Mas espera aí… ‘Titanic’, ‘Meu primo Vinny’, ‘Kill Bill’ – tanto o 1 como 2 – , ‘Sin City‘… Para Sarris, o ‘Lost in Translation’ (qual o nome em português dessa bobagem? Googlei: ‘Encontros e Desencontros’) de Sofia Coppola foi o MELHOR em língua inglesa de 2003. PQP!

Neste site que eu destaquei, constam também entre os selecionados por Sarris como ‘os melhores filmes dos anos 80’ duas séries para TV. A alemã ‘Berlin Alexanderplatz’ de Fassbinder, e uma minissérie inglesa de 1986, ‘The Singing Detective‘, dirigida por Jon Amiel. Essa última acho que nunca passou aqui, de repente dá pra baixar na internet.

Voltando ao foco: títulos como  ‘West Side Story’, ‘Midnight Cowboy’ ‘Dr. Fantástico’, ‘2001’, ‘Laranja Mecânica’, ‘M.A.S.H.’, os três grandes do Monty Phyton, ‘Taxi Driver’, ‘Caçadores da Arca Perdida’,  ‘O Grande Lebowski’, estão ausentes das listas de seus respectivos anos.  Ele deixou de fora também outros imprescindíveis como ‘Um corpo que cai’ e os dois primeiros ‘O Poderoso Chefão’. Curiosamente, a parte III, infinitamente pior que as anteriores está entre os melhores de 1990. Vai entender…

Dá pra notar que, por alguma razão, Sarris dá preferência a alguns nomes que, na minha modesta opinião, não parecem ter muita relevância: John Sayles, Robert Benton, Steve Kloves – com certeza têm outros na mesma situação que eu não lembrei de apontar aqui. E, ao mesmo tempo, o crítico inclui na lista obras outonais e significativamente menores de diretores que foram grandes outrora, mas que naquele momento selecionado por ele já estavam descendo a ladeira: ‘A condessa de Hong Kong’ (Chaplin), ‘Avanti!’ (Billy Wilder), ‘Sete Mulheres’ (John Ford), ‘Topázio’ (Hitchcock).

Já Pauline Kael declarou-se aposentada em 1991 (”The prospect of having to sit through another Oliver Stone movie is too much.” – declarou na ocasião). Ela morreu em 2001. Suas resenhas podem ser lidas em inglês no link

http://www.geocities.com/paulinekaelreviews


Da terra de Cervantes

Junho 30, 2009

Há anos ouvi pela primeira vez o cd de Paco de Lucia tocando o Concerto de Aranjuez. Senti que tinha que ter aquilo. Joaquín Rodrigo, o compositor da obra, ainda era vivo e esteve presente nas gravações em 1991. Segundo consta, teria dito que “nunca ninguém tinha tocado a sua peça com tanta paixão e intensidade como Paco de Lucía.”

O flamenco tem coisas absolutamente lindas. Como muita gente já sabe, até Miles Davis, jazzista empedernido (mas não ortodoxo) se rendeu a este estilo em seu Sketches of Spain, em 1960.

Muitas vezes a carga dramática é exacerbada. Claro que, como quase todos os estilos e ritmos, não é para todos os momentos.

No link abaixo, Nina Pastori e Alejandro Sanz em “que pena” (nada a ver com a homônima de Jorge Ben):

http://www.youtube.com/watch?v=cWRd_rbXw2k

E, abaixo, “El Amor Brujo”, de Manuel De Falla. O trecho do link indicado é “Danza del Fuego Fatuo”, do filme do Carlos Saura, com Antonio Gades e Cristina Hoyos.

http://www.youtube.com/watch?v=XpG_wvdhkRM


Linkando

Junho 23, 2009

Coluna de Luciano Trigo sobre arte contemporânea. O fato de eu recomendar o texto não significa que eu ache bons os exemplos de arte ali selecionados pelo autor:

http://colunas.g1.com.br/maquinadeescrever/2009/06/05/meu-problema-com-a-arte-contemporanea


Tem que ter um especialista no assunto

Junho 17, 2009

Por Mauricio O. Dias – comoeueratrouxa

Vi num sebo um livro sobre Rembrandt. Folheei-o, estava em ótimo estado, arrisco-me até a dizer que nunca foi lido; a qualidade das reproduções era muito boa (como já disse antes, isto é o mais importante para mim num livro de arte), tinha bom tamanho – livro de pintura pequeno reduz muito as imagens – e o preço baratinho. Comprei. O livro é ‘A Arte de Rembrandt’, de Douglas Mannering, Ed. Ao Livro Técnico S.A.

Estou lendo aos poucos, em meio a outros livros. Mas, o primeiro parágrafo da orelha do livro traz algo que achei inconcebível. Não aparece ninguém assinando esta orelha e não me parece ser transcrição de algum trecho do livro: “A pintura holandesa tem uma história não muito longa. Só no Século XVII é que apareceu como uma importante escola européia, quando fatores históricos, religiosos e sociais lhe deram estímulo e um lugar onde florir.”

Como assim? E Van Eyck? E Rogier Van der Wyden? Hyeronimus Bosch? E Bruegel, o Velho? Quem escreveu este trecho destacado no parágrafo anterior? É coisa da edição brasileira, ou é erro importado com a edição original? Seja como for, quem escreveu a orelha, escreveu de ‘orelhada’ (do michaelis.uol.com.br/moderno/portugues : ‘por ouvir dizer, sem maior conhecimento do assunto.’).


Os quadrinhos sem desenhos – parte 1

Junho 12, 2009

Ah, sim, eu não tinha lançado aqui na sequência de posts link para a  primeira história em quadrinhos sem desenhos:
http://comoeueratrouxaaos18anos.wordpress.com/quadrinhos-sem-desenhos


Ennio Morricone deve ter gostado

Junho 11, 2009

Fiquei conhecendo este clipe através do meu amigo Marcelo Martins Ventura, also known as MMV,  que o mandou anexado num email. Achei divertidíssimo. “Quem são esses caras?” – ninguém sabia. Só dias depois me dei conta de procurar no youtube, e lá estava: Ukulele Orchestra of GB.

A Ukulele Orchestra foi fundada em 1985, e como o próprio nome revela, são ingleses.  Um DVD do grupo tem o hilário nome ‘Anarchy in the Ukulele’, trocadilho com o “Anarchy in the U.K.” dos Sex Pistols, single lançado em 1976.

No clipe vemos ‘The Good the Bad the Ugly’. Se eu explicar muito, acaba tirando a graça.

O cara do assobio não segura o riso e erra aos 3:41. Faz parte, coisas de apresentação ao vivo.

Está no link

http://www.youtube.com/watch?v=V3gp7B8WC4Q

E de quebra, um outro link que vai levar você ao nirvana:

http://www.youtube.com/watch?v=TLQ2eh5LfZY&NR=1

Quem quiser ver mais, procura no youtube por ‘Ukulele Orchestra’, e vai achar coisas como Respect ; Freak Out; Satellite of Love;  Rock Around the Clock, etc.


O pastiche imita a vida

Junho 9, 2009

Leia a notícia que se encontra no link

http://www.conjur.com.br/2008-jan-10/mantida_acao_acusado_trocar_voto_dentadura

Surreal que isto AINDA aconnteça…

Depois de ler tal coisa pensei numa trama para fazer uma de minhas histórias em quadrinhos sem desenhos, no link:

http://comoeueratrouxaaos18anos.wordpress.com/quadrinhos-sem-desenhos-2


Antes era solstício, depois virou dia santo

Junho 1, 2009

Lancei um textinho de humor, achei melhor colocá-lo como página do que como post – post é quando ele faz parte da seqüência cronológica, indo cada vez mais para baixo na(s) página(s) na medida em que entram coisas novas.

Está no link

http://comoeueratrouxaaos18anos.wordpress.com/pula-a-fogueira-iaia


Isto é jornalismo?

Maio 26, 2009

Por Mauricio O. Dias – comoeueratrouxa

Na primeira página de O Globo de 26-05-2009 estava estampado: ‘Revista Megazine – Best Seller conta história de garoto de 15 anos preso e torturado “por engano” em Guantánamo, prisão que virou abacaxi para Obama.‘

Interessei-me na hora. ‘Porra, tortura já é foda, num garoto de quinze anos, é foda ao cubo.

Cheguei ao referido caderno. Na capa do Megazine uma ilustração mostra a bandeira dos EUA estilizada, as listras, tanto as brancas quanto as vermelhas, assim como o quadrado azul, são linhas de arame farpado. Boa sacada, nos créditos consta como sendo arte de André Mello – mandou bem, dentro do contexto.

Abri o caderno, contive a náusea ao passar pela página do Cuenca (protégé de Paulo Roberto Pires), e cheguei à tal matéria, intitulada ‘Um garoto diante da barbárie’, de autoria de Alessandro Soler.

Começa com um convite ao leitor para se colocar no papel de um garoto de 15 anos, que numa viagem de férias com seus pais, tem a casa onde se encontra invadida por soldados. Ele então é levado de uma prisão à outra, e sofre torturas mentais e físicas em meio a interrogatórios.

Segui lendo a matéria, meio chocado. O livro, chamado ‘Guantánamo Boy’ é de autoria da britânica Anna Perera.

Li até chegar ao quarto parágrafo: “Ficcional, o livro foi fruto de uma longa pesquisa de Anna.”

Pera aí! Pera aí! Parou! É uma obra de FICÇÃO? E uma informação fundamental como essa só é dada no quarto parágrafo?

Entendo que o jornalismo tenha uma função fática, que é do interesse do jornal e do jornalista ‘chamar o leitor’ para ler seus textos. Mas botar uma chamada na primeira página, dar capa do caderno, e esconder até onde possível o fato de ser sobre uma obra de ficção é um pouco demais.

Não estou questionando o livro, seu valor ou o direito da autora de escrever uma ficção inspirada em fatos reais. Estou falando da cobertura do jornal ao livro.

Antes que alguém venha me cobrar a cutucada em Cuenca, devo dizer que realmente não gosto nada do que ele escreve – um direito meu – , mas não é só por isso que cutuquei. Sugiro a todos ler os cinco primeiros parágrafos do link http://bravonline.abril.uol.com.br/conteudo/assunto/assuntos_401968.shtml