Elogio é bom, mas prefiro dinheiro

janeiro 7, 2008

Por Mauricio Dias – comoeueratrouxa

Tive a dúbia honra de ser citado num site iniciante, o “falagrosso” – no link http://luizmaia.wordpress.com/2008/01/07/da-pra-rir

Vou tomar a referência à minha pessoa (“não parece ser boneca”) ali contida como um elogio.

O texto do cuco tem coisas interessantes. Não que eu concorde com tudo, mas levanta uma discussão. Está no link http://luizmaia.wordpress.com/2008/01/07/o-passaro-cuco


Jornalismo político

janeiro 6, 2008

Por Mauricio Dias – comoeueratrouxa 

Gostaria de jamais ter de escrever sobre política. É uma parte importante de nossas vidas, mas nos dias que correm, é em geral, nauseante.

O sistema de esgotos também é fundamental para a vida em comunidade do ser humano, mas nunca foi considerado um assunto interessante, justamente por ser ainda mais nauseante.

Gostaria de escrever só sobre a produção cultural (e sua transmissão ao público). Mas a política influencia a ambas, então não dá para fugir a ela.

Já recomendei textos de Diogo Mainardi e Olavo de Carvalho. Isto deixa clara minha posição – a qual eu assumo, não tento posar de ‘imparcial’.

Às vezes entro também no site do Reinaldo Azevedo. Ele foi o primeiro a expressar, como convidado em pleno Manhattan Connection e diante do deslumbramento cúmplice de Lúcia Guimarães, o fato óbvio de que o filme “Brokeback Mountain” tinha uma agenda política.

No site de Reinaldo, no post intitulado ‘Dez perguntas para o Jornal Nacional fazer a Lula’,  uma delas é: “O seu filho, até bem pouco tempo antes de o sr. assumir a Presidência, era monitor de Jardim Zoológico e, hoje, já é um empresário que a gente poderia classificar de milionário. O sr. não acha uma ascensão muito rápida?”

(Mais da matéria em http://www.reinaldoazevedo.com.br/2006/08/dez-perguntas-para-o-jornal-nacional.html )

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Qualquer um que já tenha lido um texto meu sabe que estou me lixando pro politicamente correto, mas ainda assim, tenho certos pudores. Quando vejo algo como os comentários abaixo, não deixo de me surpreender (extraído de uma entrevista em http://www.insanus.org/novacorja/archives/017967.html):

“A Nova Corja: Você enfrenta mais de oitenta processos individuais num tribunal do Acre por ter dito em maio, durante o programa Manhattan Connection, que o Estado não vale um pangaré. Você não superestimou o valor do pangaré?

Diogo Mainardi: Consultando o site do tribunal do Acre, descobri que, na verdade, enfrento cento e quarenta processos. Eu nem sabia que o Acre tinha internet.

Há certas coisas que um humorista pode falar, mas que não ficam bem ditas por alguém exercendo uma função jornalística. Não gosto de soar como alguém que deseje incitar conflitos – nem tenho força para isso -, mas ao ler uma frase dessas fica no ar, ao menos para mim, a idéia de um adolescente egocêntrico, sabe como é, “Eu sou rico, morei durante anos na Europa e danem-se esses primitivos.”


Uma anta em pele de lobo

janeiro 2, 2008

Por Mauricio Dias – comoeueratrouxa

Na adolescência havia próximas a mim pessoas mais velhas, que por confusão mental e ignorância me empurravam uma literatura de esquerda.

Por que voltar a tais lembranças não muito agradáveis? Porque no reveillon eu estava de bicão na festa-do-tio-de-um-conhecido e fui obrigado a ouvir o dono da casa e o tal conhecido elogiarem a inteligência e cultura de Fausto Wolff.

Já tinha ocorrido a queima de fogos, e Copacabana àquela hora estava ainda muito tumultuada. Estando eu na qualidade de bicão na festa, julguei totalmente inadequado polemizar com o dono da casa, um senhor já entrado em anos e completamente bêbado. Fiquei calado, tentando fugir mentalmente dali.

Desde ‘Os Capitães de Areia’ de Jorge Amado, recomendado por minha irmã aos meus doze anos, seguiram-se algumas pérolas da literatura ideológica, ficção ou não. Os professores nos colégios também não ajudavam muito.

Entre os títulos veio um do Gabeira, e outro que me recomendaram foi “O dia em que comeram o ministro” de Fausto Wolff. Tinha coisas engraçadas, o testemunho algo espantado do autor diante da produção de um filme pornô (em algum país do norte europeu, se não me engano, na Suécia.). Mas o que nunca esqueço é a crônica em que uma adolescente chora ao ler sobre um seqüestro que foi resolvido pela polícia. O pai, sensibilizado, tenta consolá-la, pois ao final de tudo, a vítima iria voltar pra casa (Não cito ipsis literis, o livro foi doado há muito, não tenho como consultá-lo.). A menina responde: “-Estou chorando por pensar no que vão fazer com os seqüestradores.”

A vítima, um burguês, era de somenos importância.

Anos depois, num natal, ganhei de minha pobre manipulável mãe o então recém-lançado “À mão esquerda”, do mesmo autor. Ainda não vacinado, comecei a ler. Trinta páginas depois, disse “basta”. Fui à livraria e troquei, se não me engano por um do Ruy Castro.

E hoje, para escrever este post, pesquisei e deparei-me com uma entrevista concedida pelo mesmo Fausto Wolff ao site ‘olobo’ (um site dirigido por ele mesmo, o título é um óbvio trocadilho entre lobo e o sobrenome do autor – na verdade um pseudônimo. A matéria em questão pode ser lida em http://www.olobo.net/index.php?pg=colunistas&id=836):

Ao ser perguntado “Qual a sua opinião sobre Hugo Chávez e Fidel Castro?”, respondeu:

“Fidel Castro é a personalidade política mais importante do século 20, um revolucionário, um intelectual e um homem de bem. A Hugo Chavez, que aprendeu com os erros e acertos de Castro, juntamente com Evo Morales e outros homens de bem, caberá fazer a união da América Latina, finalmente livre dos grilhões norte-americanos, para os quais o neoliberalismo é uma religião e Deus um sócio no mercado.”

E em entrevista ao site http://www.bebelina.weblogger.terra.com.br/index.htm, à pergunta: ‘E (o lingüista Noam) Chomsky?’

O mesmo Wolff responde:
“O Chomsky é uma das grandes forças libertárias do mundo hoje. Para não falar do Fidel Castro, é claro. E Yasser Arafat é um dos grandes heróis dos nossos tempos, como foi Luís Carlos Prestes.”

Se algum dia ouvir este tipo sendo elogiado novamente, não creio que vá me dar ao trabalho de manifestar minha opinião. Para que discutir com alguém que não tem como entender o que eu digo? Dependendo do lugar, despeço-me dos presentes e deixo o recinto.

Creio ser o melhor a fazer.


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