Um Mestre

Novembro 12, 2009

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Em dezembro começam as férias escolares. A cidade do Rio de Janeiro recebe a movimentação dos turistas, que vem pra cá de olho nas praias. Ao final do mês, a cidade incha com inúmeros visitantes que vem acompanhar a queima de fogos do Reveillon. A todos que estiverem aqui  no final de 2009/início de 2010 – , e também aos locais que ainda não foram – faço um convite para conferirem um programa artístico do mais alto nível, uma oportunidade que deve ser aproveitada: uma exposição do pintor e desenhista Lydio Bandeira de Mello na Caixa Cultural (Av. Almirante Barroso 25, a um quarteirão do Metrô Carioca).

O Convite oficial do evento segue abaixo:

lydio_conviteeletronico

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Alguns exemplos de trabalhos do artista podem ser vistos no site dele – http://www.bandeirademello.art.br  - como estes, do link

http://www.bandeirademello.art.br/wp-content/themes/bandeira_/ZoomPictureApp/croquis.php?nav=galeria/croquis


Um velho compositor bahiano

Outubro 14, 2009

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Por Mauricio O. Dias – comoeueratrouxa

Imagino que a esta altura todos já tenham ouvido das polêmicas declarações de Caetano Veloso sobre Woody Allen.

Mas aquilo é apenas um trecho de uma extensa entrevista, e se destacado do restante, fica um pouco fora de contexto, soa como um ataque de ocasião aproveitando o momento – em que existe a possibilidade do norte-americano filmar no Rio de Janeiro.

Para quem gosta de cinema vale a pena ler na íntegra, embora seja difícil achar algo de relevante ali. Nota-se também a falta de um revisor: fala-se em “roupa beje” (sic, erro este que o Geneton manteve ao lançar trechos em sua coluna-blog); e, referindo-se ao pintor francês, lemos “Césane” (sic de novo).

Não me desagrada a idéia de ver um cantor falar de cinema, desde que fique claro que não se trata de um expert do assunto. O problema ocorre quando ele próprio acredita ser.

Caetano é fã declarado de João Gilberto. Nunca li uma entrevista do mestre da bossa-nova, ele é tido como alguém extremamente reservado. Nem quando um entrevistador bota um microfone diante dele, João  sente-se à vontade – sendo o entrevistador Amaury Jr. isto é compreensível, ver entrevista no link:

http://www.youtube.com/watch?v=X3ylWmzJ7lc

(By the way, onde o Nelson Motta arranjou aqueles óculos?)

Bem que a persona pública de Caetano poderia se assemelhar um pouquinho mais à de João Gilberto.

A entrevista de Caetano está em

http://culturaeartesa.com.br/?p=888#more-888


O horror, o horror…

Setembro 16, 2009

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Por Mauricio O. Dias – comoeueratrouxa

Estar vivo no Brasil em setembro de 2009 é saber que Dado Dollabela ganhou um milhão de reais por votação do público num programa de TV. É saber que Fernanda Young vai ganhar uma bela soma em dinheiro pra posar nua na Playboy.

Eu tento não tomar ciências de tais fatos, compro bons livros, contos de Aníbal Machado, aulas sobre Aristóteles e Xavier Zubiri; enfim, procuro me retirar do baixo mundo. Mas por mais que você busque algo decente, acaba tendo que sempre que voltar e se defrontar com esta realidade abjeta em que boiamos.

Você tenta ouvir Bach, num volume que não incomode os vizinhos, mas um cafajeste pára o carro na porta do teu prédio e liga o som a todo volume, e o som é uma cacofonia abjeta cantada por alguém que parece um camelô do Largo da Carioca apregoando seus produtos. E isto pode ocorrer a qualquer hora do dia, até em plena madrugada. Até que a polícia chegue, você não tem como fugir do barulho ensurdecedor.

Não acho que este é um mundo bom pra se criar filhos. Como proteger mentes em formação do circo de horrores midiático que nos envolve? Isto sem falar da violência que é um risco constante, e produz atrocidades diárias. E na corrupção e corporativismo endêmicos na política. Tem horas que bate um desânimo… Há chance de melhoria? Há interesse em que haja melhoria?

Em meio à toda a sensação de náusea, de vez em quando meto-me a procurar uma notícia bonitinha, algo leve, inócuo, que faça esquecer todo o caos cotidiano. Como a notícia do link abaixo – velha, do ano passado – , sobre um fazendeiro norte-americano que colheu uma abóbora de 693 Kg:

http://www.worldamazingrecords.com/2008/10/worlds-biggest-and-heaviest-pumpkin.html


Imensa capacidade de auto-ironia

Setembro 6, 2009

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Por Mauricio O. Dias – comoeueratrouxa

Franklin Delano Roosevelt (1882 – 1945), também conhecido pelas iniciais, foi o presidente americano de 1932 até sua morte, exercendo no período quatro mandatos consecutivos. Teve que reerguer um país pauperizado pela Crise de 1929 e comandar as ações durante a Segunda Guerra Mundial (tendo morrido em abril, escapou de ser o responsável pelo lançamento das bombas atômicas no Japão, o que ocorreria em agosto daquele ano.).

Em 1921, bem antes de se tornar presidente, FDR contraiu uma doença que o deixou paralisado da cintura pra baixo. O fato foi acobertado do público com o beneplácito da mídia. Na época, e pelas décadas seguintes, acreditou-se que a causa era poliomelite. Mais recentemente começou-se a cogitar a possibilidade de ser síndrome de Guillain-Barré.

Roosevelt era membro de uma influente e rica família, que contava inclusive com outro presidente em seus quadros – Theodore D. Roosevelt (1858-1919), um dos quatro rostos presidenciais esculpidos no monte Rushmore. Nada como o distanciamento cronológico para conferir status à família e encobrir o fato de que o avô de FDR contrabandeava ópio da China, numa época em que esta substância ainda era usada como anestésico.

Na antologia de frases compilada por Ruy Castro, ‘O Melhor do Mau Humor’, aparece atribuído a Roosevelt o seguinte comentário sobre conservadores:

Um conservador é um homem com duas pernas perfeitas, mas que, infelizmente, nunca aprendeu a andar pra frente.” (“A conservative is a man with two perfectly good legs who, however, has never learned to walk forward.”)

Segundo consta, a fala teria sido proferida num discurso via rádio em 26 de outubro de 1939. É óbvio que os políticos têm pessoas encarregadas para escrever seus discursos. No entanto, tendo sido educado num dos melhores colégios do país e em Harvard, FDR não pode ter ignorado que a frase soava como uma referência à sua própria imobilidade. Um ato de coragem diante de uma tragédia pessoal. Franklin Delano Roosevelt foi provavelmente a personalidade política mais influente do século XX.


A saudade de um desenho animado dos anos 50 me levou a uma pequena reflexão

Setembro 1, 2009

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Por Mauricio O. Dias – comoeueratrouxa

Lembrei de um desenho animado da turma do Pernalonga, que se passava numa fazenda e tinha um galo grandão atazanado um cachorro, que tentava dar o troco. Quando eu era moleque, adorava.

A princípio eu não tinha certeza se era mesmo do Chuck Jones – podia ser do Tex Avery. Entrei no imdb, fui no ‘google imagens’, youtube. Como não sabia os nomes dos personagens, procurava “cock + dog”. No google imagens, o uso deste verbetes forneceu, entre outras coisas, imagens de go-go-boys, garotões musculosos olhando languidamente para a câmera. Duplamente deprimente: é deprimente por si só, e mais ainda por você estar procurando um troço ligado à época inocente da tua infância e se deparar com isso.

Procurei várias combinações, foi aí que descobri que o nome do galo em inglês era ‘Foghorn Leghorn’. A partir disso, deitei e rolei no youtube. Depois de já ter rido muito, comecei a pensar: há alguns anos isso não seria possível – o youtube foi fundado em 2005.

Lembrei-me de Gil Scott-Heron, um dos precursores do rap, e sua ótima música ‘The Revolution Will Not Be Televised’, de 1971. Hoje, estamos vivendo uma revolução, e ela está se mostrando a nós pelo monitor: um garoto de 12 anos nem sabe que houve um tempo em que não havia youtube nem download de músicas. Não é esta a revolução que o Gil pretendia, claro. Acho que é muito melhor. A música do Gil Scott-Heron, eu conheci porque um amigo da faculdade tinha o disco e gravou um cassete pra mim. Era assim que se fazia nos anos 90, pré-revolução, quando você dava a sorte de ter um amigo que tinha muitos discos – sorte esta que não acontecia para a grande maioria das pessoas.

The Revolution Will Not Be Televised’ é um libelo contra a acomodação gerada pela televisão nos espectadores. A letra em inglês pode ser encontrada no link http://www.gilscottheron.com/lyrevol.html

Encontrei dois clipes de ‘The Revolution Will Not Be Televised’ no youtube – o máximo do contra-senso. Os clipes são feitos a partir de uma ‘Early Version’ da música, que aparece no primeiro disco de Gil, ‘A New Black Poet – Small Talk at 125th and Lenox’ (1970), a qual só conta com o ‘canto falado’ de Gil e uma percussão, ainda sem a bela melodia e o instrumental de fundo que entrariam na versão do disco ‘Pieces of a Man’ (1971).

Seguem links para “o galo e o cachorro”, tudo em inglês:

http://www.youtube.com/watch?v=94OnHsHTQ8E

http://www.youtube.com/watch?v=E7-b0×8SD3E

Gil Scott-Heron – “The Revolution Will Not Be Televised- [Early Version] – Ghetto Style

http://www.youtube.com/watch?v=BS3QOtbW4m0

A coletânea de Gil Scott-Heron “The Revolution Will Not Be Televised” em mp3 para download, com a versão ‘melódica’ da faixa título , pode ser encontrada no link abaixo (pra quem gosta de fazer downloads: proteja-se SEMPRE contra spywares e afins).

http://rs168.rapidshare.com/files/128713731/Gil_Scott-Heron.rar

ou

http://www.megaupload.com/?d=9E25UOQY


Errata

Agosto 15, 2009

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No último texto, ‘duas palavrinhas sobre o legado cristão’, escrevi aqui: “A Polônia é um caso aberrante, uma nação católica que deu ao mundo Copérnico, uma importante contribuição cultural – mas também não lembro de outra.”

Esqueci Joseph Conrad, que apesar de polonês só escreveu em inglês, depois de já ter migrado. Mas apesar de já ter reconhecido o enorme talento dele em outro texto aqui (http://comoeueratrouxaaos18anos.wordpress.com/2009/05/06/heart-of-darkness), acho que ele não está no nível de ‘moldador da cultura ocidental’ como os que citei no texto.

Tampouco o Papa João Paulo II, Karol Józef Wojtyla, igualmente polonês, e figura muito importante no último quarto do século XX.

As pessoas tem que entender que quando listei os nomes, estava falando dos que formaram este mundo. Uma analogia rasteira, para facilitar a compreensão: Por mais importante que Ronaldo Fenômeno tenha sido para o futebol brasileiro, sua importância não pode ser comparada as de Didi, Pelé e Garrincha.

Pelo simples fato de que estes construíram o legado do futebol brasileiro, que até então tinha quase nenhuma expressão mundial.

Ronaldo foi muito importante, ganhou uma copa do mundo, mas então o Brasil já era um poderio do futebol, tendo ganho quatro copas. Uma coisa é construir um castelo onde não havia nada, outra é herdar o castelo já pronto e melhorá-lo, adicionar mais quartos – já havia um castelo ali antes.

Pra quem não leu, ‘duas palavrinhas sobre o legado cristão’ está no link http://comoeueratrouxaaos18anos.wordpress.com/duas-palavrinhas-sobre-o-legado-cristao


I’m a believer

Agosto 13, 2009

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Já escrevi neste mesmo blog sobre a Bíblia, de forma descontraída (um texto do qual eu gosto, no link http://comoeueratrouxaaos18anos.wordpress.com/2007/09/07/eu-sou-serio-as-vezes-nao-sempre ).

Agora escrevi outro, este segundo de forma mais séria, e o lancei como página ao invés de post.

Não acho que ambos os textos sejam antagônicos. São apenas visões distintas. Mas tudo o que escrevi no primeiro parágrafo do primeiro texto (“Já leu o Velho Testamento? Tem sempre alguém sendo queimado, estuprado, apedrejado…”), mesmo agora, anos depois, ainda me parece pertinente. Continuo achando que tem alto grau de insanidade e preconceito embutidos ali – OK, está se falando de textos que foram escritos há quatro, três mil anos, por um povo que vivia numa região semi-desértica e em constante disputa por território com outros povos; não era uma vida fácil, e tinha-se que ser duro para sobreviver. Mas, nos dias de hoje alguém seguir e crer ortodoxamente no que está no Velho Testamento, NÃO me parece socialmente razoável.

O texto sério está no link abaixo, cerca de 5 laudas, é só clicar:

http://comoeueratrouxaaos18anos.wordpress.com/duas-palavrinhas-sobre-o-legado-cristao


Segura na mão do Stevie e Vai

Agosto 10, 2009

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Continuando o post anterior – link para ele mais abaixo.

Curiosamente, o próprio Stevie Wonder demonstra em outra música de seu Innervisions, chamada ‘Higher Ground’, uma fé inabalável numa razão de ser (tradução abaixo):

I’m so darn glad he let me try it again
Cause my last time on earth I lived a whole world of sin
I’m so glad that I know more than I knew then
Gonna keep on tryin
Till I reach the highest ground

“Estou felicíssimo que ele me deixou tentar de novo,

Pois a última vez que estive na terra vivi uma infinidade de pecados,

Fico grato por saber mais agora do que sabia antes

Vou continuar seguindo em frente,

Até atingir o último andar.”

Esta observação se refere ao texto do link

http://comoeueratrouxaaos18anos.wordpress.com/2009/08/07/um-abraco-no-stevie

P.S. O título do texto é uma apropriação de um trocadilho alheio. ‘Steve Vai’ é um guitarrista virtuose. Pra falar a verdade, nem conheço o trabalho do sujeito, mas achei que a piada encaixava bem.


Um abraço no Stevie

Agosto 7, 2009

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Por Mauricio O. Dias – comoeueratrouxa

Enquanto escrevo isto estou ouvindo Stevie Wonder, o disco ‘Songs In The Key Of Life’. Eu já tinha há anos outros discos dele, os belos ‘Innervisions’ e ‘Talking Book’. Mesmo o ‘Songs in…’ eu já tinha ouvido algumas vezes, emprestado de um amigo.

Pra quem não sabe – sei lá quem me lê na internet – , Stevie é cego de nascença. É maravilhoso o cara transcender sua limitação física e, apesar dela, fazer belas músicas, que tocaram as pessoas – os três discos citados são da década de 70 do século passado – e continuarão transmitindo beleza e sentimento enquanto forem ouvidos.

Recentemente tenho lido filosofia, focando em metafísica. Um pensamento que me ocorre ouvindo Stevie hoje não é, em princípio, diferente do que eu tinha ou poderia ter aos quinze anos, antes de qualquer leitura significativa. A diferença apenas é que hoje me sinto mais seguro para expressá-lo, sem tanto medo de soar ingênuo.

Qual a razão da cegueira? Não a razão médica, esta dá pra entender em duas linhas. Refiro-me à razão primordial, se é que há alguma? Se há um sentido para a existência, qual a lógica de vir ao mundo para não ver? ‘Vontade de Deus’, ‘Karma’?

Ter que vagar por este mundo sem ver o que se passa ao seu redor é terrível. É claro que ‘a possibilidade de ver’ é diferenciada em vários níveis, não só o do sentido biológico da visão. Um garoto que seja filho de um culto e sofisticado diplomata inglês, e que acompanha os pais viajando o mundo todo,  em princípio, verá coisas do mundo que o garoto que é filho de um lavrador do interior do Maranhão não verá – e vice versa. Mas seria hipócrita de nossa parte não admitir que o mundo que o filho do diplomata vai conhecer será, em princípio, mais vasto.  Ignorância, pobreza, isolamento geográfico, tudo isso contribui para limitar a visão. Não é à toa que nossa civilização se desenvolveu no entorno do Oriente Médio e Mediterrâneo, rota de encontro de três continentes e diversos povos.

Essa diferenciação também ocorre no tempo, claro: um garoto classe média de hoje com internet, videogames, TV digital e a cabo, DVD, mp3, vê coisas que seu tataravô jamais imaginou. Mas é provável que jamais tenha andado a cavalo e feito uma série de coisas que pro tataravô eram corriqueiras.

Citando um exemplo pessoal, depois que estudei desenho comecei a enxergar muito mais; a percepção muda, você detém o olhar em coisas que antes passavam batidas.

Voltando a Stevie, em uma das músicas de um dos seus discos, justamente uma chamada ‘visions’ (olha a insistência no tema, o disco se chama ‘Innervisions’, e a música ‘visions’), ele canta ‘I’m not one who make believes, I know that leaves are green, They only change to brown when autumn comes around’.

Mas, sendo cego de nascença, ele não sabe o que é verde ou marrom. São conceitos abstratos para ele. É uma limitação muito séria, não dá pra bancar a Pollyana da literatura – aquela que tentava ver o lado bom de tudo – com isso. A pessoa ter que passar a vida toda assim, puxa vida… Por isso, ouvindo Stevie, às vezes sinto compaixão por ele. Não sei se deveria, o cara fez coisas maravilhosas, de certa forma se imortalizou, tem milhões de fãs, ganhou rios de dinheiro, criou bem seus filhos. Foi uma vida MUITO rica. E que bem traz a alguém você sentir compaixão por ele? Entra embutido no sentimento a idéia de que ele está inferiorizado em relação a você. E pelo estágio atual em que me encontro, profissional, pessoal, e o de Stevie, isso é muito longe da verdade.

Mas não poder ver as coisas é dureza. Esta condenação não prescreve? “Serás cego até os trinta anos, aí descobrirão uma cura, como no filme do Chaplin com a florista”. Mas no caso de Stevie não prescreveu, ele já vai fazer sessenta anos.

E tem os cegos que não são talentosos nem ricos; que não têm quem os ajude e verifique se as roupas deles estão manchadas antes de eles saírem; os que vivem de caridade. Tinha o cego que ficava cantando no Largo do Machado, segurando um copinho onde as pessoas colocavam moedas; passei por ele por toda a minha adolescência, no verão o cara suava de pingar. Agora tem um outro cego lá, que não canta, e fica a vinte metros de onde ficava o outro, mas segura um copinho idêntico. Morreu o primeiro? Passou o ponto?

A alma de fato é imortal, como pregava São Tomás de Aquino? Depois dos 70 ou 90 anos que vive um ser humano, o que sobra? O cara que foi deficiente em vida recebe alguma indenização? Ou os 90 anos de cegueira não são nada diante da eternidade? Mas a eternidade é uma suposição, para muitos uma aposta, enquanto uma vida de cegueira é algo concreto. E de mais a mais, o cara que tem boa visão, que se locomove bem, que é saudável e bem-nascido vai ter tanto direito à eternidade quanto o cego, o paralítico, o doente, o miserável. Então, definitivamente estes últimos estão, de alguma forma, pagando um preço mais caro.

Nelson Rodrigues, em uma crônica autobiográfica de ‘A cabra vadia’, conta como ao longo de toda a vida, cismou e sonhou com a cegueira – ele enxergava muito mal – e que toda esta cisma lhe pareceu profética no dia em que soube que sua filha, ainda bebê, era cega. A crônica é belíssima.

Mas voltando à minha compaixão, não faço por maldade, ela vem acompanhada de muito carinho. Eu queria dar um abraço no Stevie Wonder. E dizer ‘Obrigado por tudo, não só pela música, por você ser um exemplo!’

Mas mesmo uma palavra e um gesto de afago – e ele com certeza tem isso elevado exponencialmente, tem o carinho de milhões – não compensam o não-ver.


O pessoal do traço

Julho 30, 2009

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Por Mauricio O. Dias – comoeueratrouxa

Ao longo de nove anos estudando desenho em diferentes lugares, conheci muita gente que desenha. Diferentes estilos, desde o cara que estuda desenho clássico porque quer ser pintor, ao que tem vocação pra cartunista, da moça que ilustra livros ao que se encaixa mais na animação.

Aqui abaixo, links para blogs/sites de alguns destes desenhistas – devo ter esquecido alguém, quem tiver um blog de desenho, dê um toque:

. DESENHO CLÁSSICO / PINTURA :

http://fabioscaglione.blogspot.com

http://diegoeba.blogspot.com

http://www.sandranunes.com/gallery.html

http://desenhodemodelovivo.blogspot.com

http://fernandogopal.blogspot.com

.                             .

. CARTUNS / ILUSTRAÇÕES/ MÍDIAS VARIADAS

http://cerejas.blogspot.com

http://eduardoarruda.blogspot.com

http://jeucken.wordpress.com

http://rudsoncosta.blogspot.com

http://raphaelargento.blogspot.com