Quero fazer uma aposta com você

setembro 30, 2007

Olá, LEITOR!

Dirijo-me a você desta forma por que não sei o seu nome – pode ser que você seja um amigo próximo, eu obrigo os amigos (as) a lerem meus textos, sou inflexível nessa exigência – chego mesmo a ser ligeiramente sufocante com eles, amigos; não tão sufocante quanto o estrangulador de Boston, mas ainda assim, alguém que pode ser difícil.

Pode ser também que você nunca tenha me visto e tenha entrado nesta página por acaso – bem vindo. Seja você um conhecido ou não, como diz o título do texto, quero fazer uma aposta com você. Sei que o seu tempo é precioso. E se você é um trabalhador assalariadado e está neste momento acessando do computador do seu trabalho, este tempo em particular nem sequer te pertence, você o vende ao patrão em troca de seu salário.

Então, entendo o valor do tempo. Hoje em dia quem tem tempo para se dedicar à leitura de tijolos como ‘A Montanha Mágica’, os vários volumes em conjunto de ‘Em busca do tempo perdido’, ver a quatorze horas da série de TV Berlin Alexanderplatz de Fassbinder, ouvir as óperas de quatro horas de Wagner? Ninguém.

Não digo ‘ninguém’ literalmente; no mundo inteiro, entre os seis e meio bilhões de habitantes devem haver alguns milhares de pessoas que se propõe ao longo da vida a executar uma destas maratonas artísticas. Destes milhares que se propõe a tais feitos, poucos devem concluí-los. Eu mesmo, tentei enfrentar a ‘Montanha Mágica’ e interrompi no meio a ‘escalada’, refuguei tal qual um Baloubet du Rouet (não lembra? vai no google procurar…) e voltei para o meu Raymond Chandler, ou um Umberto Eco básico.

No mundo inteiro, umas mil pessoas/ano devem concluir toda a leitura de ‘Em busca do tempo perdido’, e não digo que estas mil tenham começado a leitura neste mesmo ano, a tarefa hercúlea pode levar o período que separa uma Olimpíada da outra, até mais. Mil pessoas/ano, estatisticamente é 0,000015 % da população mundial. Daí me parecer válido o uso do pronome indefinido ‘ninguém’. 

E é perfeitamente compreensível que as pessoas, diante das tarefas necessárias da vida, do apelo fácil do entretenimento, não tenham como se dedicar a tais empreendimentos. E por que entabulei esta conversa? Pela simples razão que quero postar um conto de oito páginas, o que para os padrões de internet, é muito. Leva cerca de 17 minutos pra ler.

Eu sei que se vou roubar 17 minutos seus, tenho que dar algo em troca. Então, quando eu escrevo algo assim, tenho em mente que devo fazer com que o texto valha a pena para quem se dispuser a lê-lo – e para escrevê-lo, e cortar daqui, acrescentar dali, levei bem mais do que 17 minutos. Também não gosto de desperdiçar MEU tempo; logo, se o escrevi, foi por, conscientemente, acreditar nele.

Se você está trabalhando, e tem um patrão presente, é melhor ler depois, ler agora poderia te render uma bronca. Se depois de ler o conto, você sentir que seu tempo foi desperdiçado, envie uma mensagem reclamando. Se for pertinente, eu a publico. Mais que isso não posso fazer, não há como devolver o dinheiro da entrada, visto que esta nunca foi cobrada.

Se gosta de ler com trilha sonora, recomendo um canto gregoriano. Se estiver disposto a embarcar, clique no link: https://comoeueratrouxaaos18anos.wordpress.com/tio-guido


Calçando as sandálias da humildade

setembro 26, 2007

Paulo Francis escreveu no Pasquim, em 1970, que o almirante Yamamoto, comandante da marinha japonesa durante o ataque a Pearl Harbor, assistira recentemente à estréia do filme ‘Tora! Tora! Tora!’ em Nova York. Só que Yamamoto havia morrido em 1943. Graças a este erro, “Yamamoto” virou gíria para gafe no jornalismo tupiniquim.

‘Tora! Tora! Tora!’ é um filme de guerra. ‘Tora!’ era, assim como ‘Banzai!’ uma evocação nipônica ao combate.

Hoje em dia, em nossas plagas, tal título pode soar como de um filme pornô gay, mas não era o caso.

Todo mundo que escreve pra jornal já cometeu um ‘Yamamoto’.

Em um texto escrito para o site http://www.digestivocultural.com, texto do qual por sinal gosto muito, ‘Uma teoria equivocada’ – que é uma contestação à obra teórica de Kandinsky – , escrevi: “As idéias biológicas de Darwin deram origem ao Darwinismo social, mesmo que o campo social nunca tenha sido o foco de interesse do pai do Evolucionismo.”

Falei baseando-me em algo que ouvira no segundo grau. Dancei. Só anos depois fui ter acesso a esta pérola de Darwin:

“Em algum período futuro, não muito distante se medido em séculos, as raças civilizadas do homem quase que com certeza exterminarão e substituirão as raças selvagens ao redor do mundo. Ao mesmo tempo, os macacos antropomorfos serão sem dúvida exterminados. A distância entre o homem e seus parceiros mais próximos será então maior.” (Charles Darwin, The Descent of Man, 2nd  ed., New York,  A. L. Burt Co., 1874, p. 178).

Mas aqui entre nós, este Yamamoto colossal não invalida em nada o resto do texto – há um link para ele abaixo. Continuo achando o livro ‘Ponto e Linha sobre Plano’ uma obra, sob muitos aspectos, ditatorial.

O referido texto pode ser lido no link www.digestivocultural.com.br/colunistas/coluna.asp?codigo=1195


Pontos de contato entre Tropa de Elite e Cidade de Deus

setembro 24, 2007

Por Mauricio Dias – comoeueratrouxa

Neste trecho abaixo peguei algo do jornalista Mauro Ventura, que se encontra no link: http://oglobo.globo.com/rio/ancelmo/dizventura/posts/2007/09/19/nao-mais-lund-74011.asp  (tem que ser cadastrado no site do jornal para poder acessar).

Na cópia pirata do filme “Tropa de elite”, uma estudante que participa de uma ONG é assassinada por traficantes. Seu nome é Roberta Lund.

Dizem que a cineasta Kátia Lund ameaçou processar o filme. O diretor José Padilha achou por bem mudar. Na versão original de “Tropa de elite”, que abre amanhã o Festival do Rio, a personagem virou Roberta Fontes.

Kátia Lund é uma das diretoras de ‘Cidade de Deus’. Bráulio Mantovani é o roteirista tanto em CDD quanto em Tropa. No roteiro de ‘Tropa’ ele se recupera de um certo silêncio cúmplice sobre o papel das classes média e alta no tráfico, visível em CDD. Deve ser ele o autor do chiste do nome da personagem. Pode lhe acarretar a posição de ‘persona nom grata’ em certos círculos, e até prejudicá-lo profissionalmente. Mas ele devia ter algo – talvez até inconscientemente – em mente quando usou o tal sobrenome.

Curiosamente, o novo sobrenome escolhido para a personagem, ‘Fontes’, também pode ser encontrado em outros cineastas (Guilherme e Arthur) , mas sendo um sobrenome bem mais comum por aqui, não soa como uma referência tão explícita quanto o anterior.

Aliás, este personagem, Roberta, é o ponto mais fraco do filme, uma caricatura grosseira de uma maconheira.

Dei uma folheada no livro que originou tudo: a conspiração pra matar o Brizola, meninas flagradas na ‘boca’ sendo obrigadas a fazer sexo oral em garotos que lá também se encontravam, tudo na conta do BOPE; o filme é muito mais light, e condescendente com a instituição.

Para ler mais sobre “Tropa de Elite”, rolar a página um pouco mais pra baixo, você vai acabar achando o primeiro texto.

Para ler uns comentários sobre ‘Cidade de Deus’ (em meio a outros assuntos) em : https://comoeueratrouxaaos18anos.wordpress.com/2007/08/27/speakers-corner


Eles sabem o que é melhor pra você

setembro 22, 2007

Por Mauricio Dias – comoeueratrouxa

Saiu um texto do Arnaldo Branco na Zé Pereira – http://revistazepereira.com.br/node/45  – que suscitou uma discussão interessante – http://www.oesquema.com.br/mauhumor/2007/09/19/ate-parece-artista.htm

Esta questão da interferência do politicamente correto, tanto na mídia como nas artes, é altamente pertinente. Cresci vendo na TV o Chico Anysio e a série d’O Bem Amado (a série, dos anos 1980, não a novela, não sou tão velho assim). Duvido que hoje fossem possíveis programas semelhantes vingarem na TV. Não pelo público, que gostou na época, e gostaria hoje – assim como gostou e gosta de americanos politicamente INCORRETOS, como Os Simpsons, Uma Família da Pesada, Ali G Show, etc.

Mas um programa com este teor seria vetado por uma censura na emissora, vocês sabem de qual estou falando. A mídia há muito deixou de ser um canal de informação ao leitor/espectador para se tornar um FILTRO, decidindo o que deve chegar ou não aos olhos do leitor, ao invés de informar a este e deixar que ele decida.

Nas artes plásticas, a questão é visível: sabe-se lá por que razões, é mais fácil um camelo passar numa agulha do que um artista figurativo sério (leia-se: não algo como os toscos, imitadores de Iberê Camargo que proliferam por aí) ter seu trabalho divulgado no Segundo Caderno do Globo ou no Starte da GloboNews.

Escrevi textos sobre o assunto há anos, quem quiser dar uma conferida, eis os links, é só clicar neles:

Dificuldades do Figurativismo brasileiro  –

www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=818

Contestação à obra teórica de Kandinsky  –

www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=1195

Confissões de Picasso e Matisse em

www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=1094

Crítica à arte contemporânea –

www.digestivocultural.com.br/colunistas/coluna.asp?codigo=554

P. S. Neste mesmo site tem uma pilha de textos sobre cinema, há uma janela para todos os MEUS ARTIGOS ao final de cada texto.


Gibi

setembro 19, 2007

Por Mauricio Dias – comoeueratrouxa 

Putz, levei uma semana pra conseguir postar esta estória em quadrinhos – tava enrolado com outras coisas, tinha que pôr as imagens num tamanho conveniente, e as páginas nunca ficavam na ordem certa. Mas até que enfim saiu. Esta estória foi desenhada por Flavio Pessoa e o texto é by ‘moi’. Escrevi em dois dias e o Flavio desenhou em menos de duas semanas, para concorrer num salão carioca de humor – em 2000, se não me engano. O fato de a estória ter cinco páginas foi para atender uma exigência de formatação do concurso. De qualquer forma, levamos ferro.

Depois publicamos a estória num site de quadrinhos, o qual hoje não está mais em atividade.

O humor não chega a ser de banheiro de botequim, mas admito que está longe de ser refinado.

Para ler, é só clicar no link: https://comoeueratrouxaaos18anos.wordpress.com/quadritos


A arte da reciclagem

setembro 12, 2007

No post anterior eu mencionei o ‘Pentateuco’, sem me ligar que ninguém tem obrigação de saber do que se trata. Segue a definição da Wikipedia: “Do grego, “os cinco rolos”, o pentateuco é composto pelos cinco primeiros livros da bíblia cristã. Também chamado de Torá, uma palavra da língua hebraica.”

E esta semana estou lançando no site um conto que cometi aos 21 anos (faz teeempo…). Um dos personagens se chama ‘Frodo’, mas eu juro que não o fiz por causa de “O Senhor dos Anéis”. Eu tinha lido uma história em quadrinhos pretensiosa chamada “Moonshadow”,  que no entanto tinha umas aquarelas bacanas. 

Um dos personagens era um gato com este nome. Achei o nome adequado ao meu texto e o usei. Se o autor de “Moonshadow” foi influenciado pelo livro de Tolkien? Não sei, é provável.

Aqui está o link para o conto:

https://comoeueratrouxaaos18anos.wordpress.com/literatura-1-o-grande-xaram


Eu sou sério às vezes – não sempre.

setembro 7, 2007

Mauricio Dias – comoeueratrouxa

Já leu o Velho Testamento? Tem sempre alguém sendo queimado, estuprado, apedrejado – imagina o efeito traumático que isso teve no imaginário infantil durante centenas de gerações. O Pentateuco é mais assustador que os quadros de Hieronymus Bosch. Noé amaldiçoa o próprio neto (e toda sua geração ! – Gênese 9:25), por um erro cometido pelo pai deste – o que o filho tem com isso? O Criador pede a Abraão para matar o próprio filho com uma faca, apenas para provar sua fé (Gênese 22). A cólera divina mata 250 judeus opositores de Moisés (Números 16, v.31 – 35) e depois mata mais 14700 judeus (Números 17, v. 9 -15). É compreensível que aqueles nascidos no mundo contemporâneo civilizado questionem a lógica destes trechos bíblicos. ‘Por quê?’- é uma pergunta perfeitamente válida.

Groucho Marx, Billy Wilder, Woody Allen, Mel Brooks, creio que muitos judeus desenvolvem o senso de humor como escape das barbaridades que lhe são ensinadas quando jovens.

Além disso, há a questão célebre da mãe judaica dominadora. A velha piada, a mãe judia nova-yorkina andando com dois meninos, alguém passa e comenta:

– Que gracinhas! Quantos anos eles têm?

– O médico tem cinco e o advogado três.

Que também a mãe de Jesus era dominadora, não há dúvida. Ver Ev. João 2. 3-11: Nas bodas de Canaã, Jesus é ordenado pela mãe a repor o vinho. E já era homem feito então. Imagina ele criança:

– Mãe! Vou brincar de pique-esconde com o pessoal!

– Nem pensar, você tem que estudar as escrituras! Ou já esqueceu que daqui há uma semana tem que impressionar os sábios do templo?

– Ah, droga, eu não quero ser o messias…

– Não discuta com sua mãe!

Por isso que alguns judeus desenvolvem este senso de humor; é um drible contra o fardo histórico/social. Se bem que dizem que os essênios, seita que se julga semelhante à de João Batista, condenavam expressamente o riso. Costumo simpatizar com o santo, apesar da dieta de gafanhotos (Ev. Mc 1:6) ser esquisita. Mas tá louco, banir o humor? Humor é divino, como a música, a pintura, é alimento pro espírito. Platão também baniu boa parte disso tudo da República. Soa como atitude de bicha velha…

Se eu tivesse interessado numa seita ou sistema filosófico, e o representante me falasse que o riso tava proibido, eu mandava o cara à m****! Se bem que essa até podia ser a prova de admissão. Imagine: ao ouvir da proibição, você condena o absurdo. João Batista, sorridente, viraria pra você: – És um justo, passaste na prova. Espero que entendas: temos que perguntar isso em todas as admissões. De vez em quando, surgem por essas bandas uns malucos de olhar rútilo, e ao dizer-lhes que o humor é proibido, eles concordam. Ora, um louco desses não tem espaço aqui.

Então ele poria a mão sobre meu ombro, amigavelmente:

– Já ouviu aquela do Lot, que escapou de Sodoma e Gomorra ? Morreu de pressão alta, o coitado…

– Sério ?

– A mulher dele virou uma pedrona de sal, ele falou: – vou comer ela assim mesmo…

E eu, gargalhando: – Gostei do João Batista, é um cara cabeça!

Quanto ao humor de Jesus, você vê que ele tinha até seu bordão próprio, à maneira dos comediantes radiofônicos. Cada vez que na Bíblia leio Jesus dizer: – “Em verdade, em verdade vos digo…” , imagino que é uma senha, os apóstolos, sorridentes, trocavam cotoveladinhas para chamar a atenção de um qualquer que estivesse distraído, como quem diz:

– Presta atenção, que Jesus vai mandar uma boa!

– Vai lá, Jesa! …

Imagino um esquete: Jesus, com as chagas, na fila do INPS de então. Na fila, à frente dele, uma adúltera com pedra até nos rins e um centurião romano, aparentemente normal, mas que por baixo do saiote leva uma cenoura que foi plantada em solo nada sagrado (do latim ‘marius gomus’).

Após penar no calvário da fila, Jesus se vê diante da funcionária, armada com o mal humor habitual das recepcionistas de órgãos públicos.

– Primeiro nome?

Ele, exausto, com um suspiro: – Jesus…

– Sobrenome?

– Cristo (a maior parte das pessoas acha que Cristo é sobrenome, eu vou seguir daí…)

– Trouxe a carteirinha ?

– Não…

– Algum documento ou comprovante?

Ele pega aquele sudário menor, triangular, o só do rosto.

Ela examina: – Não tá muito parecido, é antigo ?

– Foi tirado ainda agora…

– Você pegou o nada-consta?

– Não… – A essa altura as chagas já encheram de sangue a mesa da mulher.

– Vai precisar do nada-consta.. – Ela pega um paninho e vai limpando a mesa..

– Onde é que pego isso ?…

– Ih, você vai ter que ir lá no templo de Jerusalém… – Ela dá uma olhada na ampulheta – E tem que ser rápido, que lá fecha na décima hora… Próximo!

Jesus, exausto, suando e sangrando: – Por que eu não tenho Golden Cross ?

P.S. para os monoglotas (a ignorância deste fato pode estragar a piada) – “cross” é cruz em inglês, Golden Cross = cruz dourada.


Tropa de Elite – o filme

setembro 5, 2007

 

Mauricio Dias 

Este texto está cheio de parênteses, pois eu cito muitos links que serviram de fontes para a elaboração do mesmo. Evidentemente, os meus doze leitores podem passar batidos por estas citações a links, eles em sua maioria não são fundamentais à compreensão do texto, estão aí só como prova documental – os links realmente importantes, estão destacados.

Em agosto, algumas pessoas vieram comentar comigo o filme “Tropa de Elite”, pois a cópia pirata estava circulando pela cidade.

O diretor do filme, José Padilha, revoltado com a pirataria, publicou um artigo no jornal O Globo – ‘Nas ruas, gato por lebre’, 28/08/2007 -, criticando piratas, autoridades e consumidores e acusando a imprensa e policias de violarem, declaradamente, direitos autorais e patrimoniais ao comentarem publicamente trechos do filme.

O Arnaldo Branco, do site mauhumor escreveu:

“…o cara me faz um filme que denuncia entre outras coisas a corrupção na polícia (na PM, o Bope é sagrado) e fica revoltado com a inoperância da corporação para coibir a circulação de cópias ilegais. Devia estar contando com a ajuda do Homem-Aranha.”

Artur Xexéo, no segundo caderno d’O Globo escreveu um texto que partia de uma idéia engraçada, a de que queria falar do filme, mas pelo cd ser pirata, não ficava bem admitir publicamente tê-lo visto. (em http://oglobo.globo.com/opiniao/mat/2007/08/29/297492776.asp)

Após a prisão dos envolvidos na produção da cópia pirata, Padilha mudou um pouco o tom do discurso, declarando-se “muito feliz com o sucesso da Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Propriedade Imaterial” (em http://www.celebrities.com.br/noticias/noticias.asp?ID=5416)

Bom… Eu ainda não vi, sério. Mas um conhecido meu narrou-me algumas cenas: execução com tiro no rosto, humilhação dos recrutas, uma série de brutalidades.

O livro em que o filme se baseia, “Elite da Tropa”, foi publicado em 2006 por André Batista e Rodrigo Pimentel (ex-integrantes do Bope), em parceria com o sociólogo e ex-subsecretário de Segurança Pública do Rio Luiz Eduardo Soares – o qual tem ligações com a ONG Viva Rio. Sobre o Viva Rio, vale a pena dar uma conferida em http://www.diegocasagrande.com.br/index.php?do=Wm14aGRtOXlKVE5FYldGdVkyaGxkR1Z6SlRJMmFXUWxNMFF4TkRRM01qUkxRUT09WnhQMko http://desarmamento.tripod.com/articles/Submissao.html

Sobre o livro, achei uma matéria antiga (extraída de http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u120946.shtml ): “Quando soube da existência do livro, (…) o relações-públicas da Polícia Militar, tenente-coronel Aristeu Leonardo havia dito que os autores não representavam a corporação e que os dados não podiam ser considerados fatos, apenas ficção. A PM só se manifestará a respeito da obra quando ela for lançada.”

Aristeu Leonardo? O A. L. Tavares, que também é juiz de futebol? http://www.cartaovermelho.esp.br/modules.php?op=modload&name=Sections&file=index&req=viewarticle&artid=31&page=1

É o próprio. 

É claro que o impacto do filme no público será muito maior que o do livro, quantas pessoas lêem um livro sobre este assunto? Cinqüenta mil? – não faço a menor idéia, dei uma procurada sem resultados e enviei email à Editora Objetiva – se eles responderem, eu acrescento.

Um filme desses, só nos cinemas do Brasil deve ser visto por mais de dois milhões de pessoas; fora quando saísse oficialmente em dvd – e aqui, entra é claro, a situação de exceção que foi essa pirataria desenfreada, sabe-se lá quantas pessoas que pagariam pra ver o filme já viram a versão que circula. 

Provavelmente, organizações como o Viva Rio, Anistia Internacional, Instituto Sou da Paz, Ongs diversas, talvez até a OAB já estejam com textos de protesto contra o Bope prontos, mas ainda não lançaram pela mesma razão que Xexéo não comentou o filme a fundo: não fica bem admitir já ter visto a cópia pirata.

O quanto do livro e do filme será factível?

Quem sabe como foi mostrada nas telas a Guerra do Vietnam, sabe o quanto um conflito que tem implicações políticas pode ser manipulado com total desprezo pela verdade. Quem vê ‘Platoon’ (Oliver Stone) e ‘Nascido para Matar’ (Stanley Kubrick) sai com uma visão, quem vê ‘Fomos Heróis’ (Randall Wallace) e ‘Os Gritos do Silêncio’ (Roland Joffé – na verdade este se passa no Camboja, mas o massacre de um quarto da população deste país é conseqüência direta da Guerra do Vietnam) sai com outra, diametralmente oposta.

O ponto é: cinema nunca é isento. Seja mostrando o Vietnam, seja na Cidade de Deus, onde for, o que se vê é sempre fruto de uma manipulação consciente. 

Mesmo fotos nem sempre dizem a verdade: a foto que ilustra este artigo contém uma cena da Guerra do Vietnam célebre e chocante. Também foi captada em filme. A execução sumária de um homem desarmado é INDEFENSÁVEL.

Porém, 1) era uma guerra, uma situação de exceção – não estou justificando nada, se alguém alegar em contrário sentir-me-ei livre para responder com palavrões. E 2) na última semana deste agosto, vendo um documentário do History Channel (“canal americano, imperialista!” – urrarão alguns) sobre o Vietnam, mencionou-se o massacre de civis na Cidade Norte-Vietnamita de Hue, promovido por guerrilheiros vietcongs (comunistas), que eliminaram ali milhares de pessoas que não quiseram aderir à ‘causa’. Quem quiser saber mais vá ao Google e digite “hue massacre”.

O que é narrado neste documentário é que o sujeito que é executado diante das câmeras era um vietcong que fora preso após massacrar uma família inteira. O fotógrafo que tirou a foto, depois de conhecer melhor o oficial que disparou o tiro pediu desculpas pela imagem que a foto passava dele. É claro que isto não justifica uma execução sem nenhum tipo de tribunal, mas a idéia passada pela foto é “assassinato covarde de uma vítima indefesa”; e, bem, ao que parece a realidade não era exatamente essa.

Mas estes fatos dos últimos parágrafos nunca foram divulgados, ao passo que a foto foi veiculada à exaustão.

Voltando ao cinema brasileiro, sua tradição de filmes policiais bem feitos desde ‘Amei um Bicheiro’ e ‘Assalto ao Trem Pagador’, até chegar ao filme de José Padilha, vale MUITO a pena ler o (longo, mais de 15 páginas) texto de Olavo de Carvalho sobre o tratamento dado à criminalidade pela mídia e ‘cultura’ nacionais, o qual se encontra em http://www.olavodecarvalho.org/livros/bandlet.htm

Todos têm o direito de discordar do texto. Mas é melhor discordar depois de o ler – discordar previamente, apenas pelo nome do autor, é burrice.

Sobre o filme em si, além do Xexéo, sei de primeira mão de um segurança de banco e um porteiro que acharam ótimo. E quem ler este texto do Olavo vai entender porque as classes sociais c e d vão gostar do filme e os intelectuais vão criticá-lo, justamente pela mesma razão – por mostrar criminosos morrendo: “Se o apoio a medidas de força contra o crime vem sempre das camadas mais baixas, não é só porque são elas as primeiras vítimas dos criminosos, mas porque elas estão fora do raio de influência da cultura letrada. Da classe média para cima, a aquisição de cultura superior é identificada com a adesão aos preconceitos consagrados da intelligentzia nacional, entre os quais o ódio à polícia e a simpatia pelo banditismo.” (OLAVO DE CARVALHO, in Bandidos & Letrados)

copyright “comoeueratrouxa”  🙂


Teatro 3

setembro 3, 2007

Um amigo sugeriu-me não lançar os textos mais longos nos posts, mas como páginas separadas. Vi que ele tem razão, pra quem entra num site, deparar-se com 10 páginas de texto, sem intervalo, assusta um pouco.

Neste link encontra-se o último texto para teatro que eu incluí no site, ‘Filhos Anônimos’ :

https://comoeueratrouxaaos18anos.wordpress.com/filhos-anonimos-teatro


Espaço publicitário – cadê meu cheque?

setembro 2, 2007

Muitos dos livros que me interessam estão esgotados, só podendo ser encontrados em lojas de usados, o popular ‘sebo’.

Vocês conhecem o site estantevirtual ? É um cadastro para encontrar livros usados no Brasil inteiro: http://www.estantevirtual.com.br/inicio.htm

Trata-se de um pool de vários sebos, sendo que na maioria não precisa usar cartão de crédito, pode ser em boleto bancario. Pra quem tem o justificável grilo de comprar na internet com o cartão, é uma boa.

Aí consegui uns livros que eu não encontraria facilmente, entre outros, um de crônicas selecionadas de Rubem Braga, um com desenhos (não as pinturas) do Portinari.

Para aqueles que lêem em inglês, recomendo o http://www.alibris.com (mas aqui é tudo na base do cartão), onde encontra-se de tudo que se possa imaginar.