Filling the sausage

outubro 31, 2007

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Fazer uma lista de discos é também uma forma de se apresentar: “veja, é disso que eu gosto.” Definitivamente, diz algo (mas não tudo) sobre quem eu sou.

E se alguém, que ainda não tenha ouvido alguns destes discos, confiar no meu gosto e estiver interessado em conferir, acho que vai ter uma experiência estética válida ao ouvi-los.

A música popular foi uma das grandes descobertas do século que passou, graças ao fonógrafo e seus descendentes. Em grande parte graças à música, os negros conquistaram espaço e respeito no novo mundo. Especialmente nos Estados Unidos e Brasil – e, em menor escala, em Cuba – estiveram intimamente ligados à criação da música popular. Jazz, chorinho, samba, rock, rumba, soul, funk, em qualquer ritmo destes países citados há interferência direta negra. Houve músicos como Duke Ellington, Charles Mingus, Miles Davis, Pixinguinha, Cartola, Jorge Ben(jor?).

Como o título diz, estou “recheando tripas de porco”, lançando uma bobagem na falta de coisa melhor.

Aqui segue minha lista de jazz, os meus discos top 20. Coletâneas não entram, mas regravações tudo bem – os discos 5 e 8 têm basicamente apenas novas interpretações (magistrais) para obras já gravadas anteriormente.

1 ) A LOVE SUPREME (Jonh Coltrane, mca/impulse!)

2 ) KIND OF BLUE (Miles Davis, columbia records)

3 ) SKETCHES OF SPAIN (Miles Davis, columbia records)

4 ) TIME OUT (Dave Brubeck Quartet, columbia records)

5 ) MONEY JUNGLE (Duke Ellington, blue note records)

6 ) LET MY CHILDREN HEAR MUSIC (Charles Mingus, columbia records)

7 ) SONNY ROLLINS IN JAPAN (rge; grav. ao vivo em setembro de 1973)

8 ) THREE OR FOUR SHADES OF BLUES (Charles Mingus, Atlantic Jazz)

9 ) THE BLUES AND THE ABSTRACT TRUTH (Oliver Nelson, impulse!)

10 ) OUT OF THE COOL (Gil Evans, mca/impulse!)

11 ) BLUE MOODS (Miles Davis, debut records)

12 ) CUMBIA AND JAZZ FUSION (Charles Mingus, rhino records)

13 ) DESTINATION OUT (Jackie McLean/ Gracham Moncur III, blue note records)

14 ) FEED THE FIRE (Betty Carter, verve)

15 ) CHANGES TWO (Charles Mingus, rhino records)

16 ) NEW TIJUANA MOODS (Charles Mingus, RCA)

17 ) FOR MUSICIANS ONLY (Dizzy Gillespie, verve)

18 ) SONG FOR MY FATHER (Horace Silver, blue note records)

19 ) SUCH SWEET THUNDER (Duke Ellington Orchestra, columbia records)

20 ) PERCUSSION BITTER SWEET (Max Roach, impulse!)

De quebra, a lista Top-15 dos discos de rock/pop :

Fun House – The Stooges

Transformer – Lou Reed

The White Album  – The Beatles (2 cds)

Let It Bleed – Rolling Stones

Electric Ladyland – Jimi Hendrix

Velvet Underground & Nico

Led Zeppelin I

Safe as Milk – Captain Beefheart

Low – David Bowie

London Calling – The Clash

The Stooges – 1st one

Sticky Fingers – Rolling Stones

The Queen is Dead – The Smiths

Horses – Patti Smith

Dry – P.J. Harvey

Escrevi há anos sobre os discos de MPB, num texto que ainda está disponível. Ali, mais uma vez fui traído pelos fatos. Elogiei o conteúdo do disco  João Gilberto – “O Mito”, antes de ter acesso a informação que o velho bahiano não gostava de algumas alterações que ali haviam sido feitas à sua revelia:

Extraído de http://eptv.globo.com/blog/blog.asp?id=10

“”A trilogia “Chega de Saudade” (1959), “O Amor, O Sorriso e a Flor” (1960) e “João Gilberto” (1961), discos que deram os alicerces para música popular brasileira moderna, nunca foram lançados em CD. (…) a gravadora EMI compilou as canções desses três álbuns e lançou o CD “O Mito”, com as faixas fora de ordem. João não gostou dessa edição e da remixagem das faixas. Entrou na Justiça contra a gravadora, que teve de tirar o CD de circulação. Esse disco virou hoje item de colecionador. Quando aos discos originais, pelo que se sabe, a gravadora está impedida de relançá-los “”

E aqui, o link para o meu referido artigo – a quem interessar possa – é só clicar:

http://www.digestivocultural.com.br/colunistas/coluna.asp?codigo=1071

E pra quem quiser ver um trabalho visual ligado ao jazz, vale conferir o link da paulistana Bruni Sablan – http://www.brunijazzart.com/gallery.html

(LÁ, DEVE-SE ROLAR A PÁGINA PARA BAIXO)

Este texto é continuação do penúltimo post, desça um pouquinho na página, você vai esbarrar com ele.

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O que passa por arte hoje em dia

outubro 29, 2007

Esta foi o Carlos Eduardo (grande Caiado!) quem me contou. Um absurdo tal que não há nem mais o que falar.

Um auto-initulado artista matou de fome um cachorro e chamou isto de obra.

Tenho o link do site com as fotos da “obra” do sujeito, mas acho que divulgá-lo aqui seria, mesmo com a pouca visitação que este meu espaço tenha, dar uma pequena contribuição ao desejo deste sádico: aparecer, não importa como.

Esta é uma matéria da Folha comentando o assunto, é só clicar:

http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/joaopereiracoutinho/ult2707u340532.shtml

Já é quase novembro

outubro 29, 2007

Queria fazer uma listinha de discos favoritos, pois é uma bela maneira de encher lingüiça. Mas depois que entrei no tema comecei a pensar em outras questões, e pronto, o que era pra ser breve foi se alongando. 

Há aqueles que ouvem música clássica só para poder falar: “-Eu ouço Wagner e Bach.” Ouvem menos pela música em si do que por encarar o ato como uma espécie de refúgio cultural em meio à massa de tribais. Não estou dizendo que são a maioria dos ouvintes de Bach, mas existem.

Bach é muito bacana. Mas não sou alemão, e nasci na segunda metade do século XX. Minha realidade é outra, eu também quero Tom Jobim e Cole Porter – tampouco sou americano, mas nasci no século que foi americano – o foi sem dúvida pela avassaladora predominância de sua cultura; e economia e poder militar, ok.

Cresci vendo Gene Kelly e Fred Astaire – ótimos veículos para o tipo de música que se fazia lá nos anos entre 30 e 50. Sinatra, Ella…

É claro que ao escrever tento embelezar minha figura: estes nomes do parágrafo acima só vieram depois dos pêlos no rosto. Como alguém que cresceu nos anos 1980, a referência era ver os clipes do Michael Jackson e tentar você mesmo reproduzir o passo do Moonwalk. Mas Quincy Jones estava na jogada também, dando certo respaldo.

A verdade é que prefiro ouvir Charles Mingus e Miles Davis a ouvir Bach. Sou um filisteu? Não disse que são melhores, sei que não são; apenas me identifico mais, e ouço com muito mais freqüência. Já minha atitude diante da pintura é totalmente oposta: não troco Rembrandt ou Ticiano por nenhum pintor do séc. XX. Poderia dizer que isto é fruto de ter tido uma educação plástica e pictórica (ainda que tardia, gostaria de ter estudado isso já na adolescência) e não ter tido uma educação musical. Conheço a linguagem da pintura, enquanto a da música aprecio apenas intuitivamente, num nível mais superficial.

Mas já gostava mais de pintores antigos do que de contemporâneos antes mesmo de ter estudado desenho. O gosto e a percepção se refinaram MUITO ao longo dos anos, mas já havia a tendência desde o início.

Esta questão me fez pensar. Pintores antigos chegam até nós com a mesma carga de interferência com que músicos ou dramaturgos, mesmo do que escritores antigos – especialmente os que não escreviam em português?

Tudo bem que a maioria das pinturas que eu conheço, só as vi em foto – neste caso, nunca tive contato com as obras originais em suas dimensões reais. Mas salvo uma ou outra restauração mal executada – e pinturas de três a quatro séculos podem já ter sofrido muito, e mais de uma vez em mãos despreparadas – espera-se que o artista esteja falando diretamente a você.

Bach, alguém tem interpretar para eu ouvir. Shakespeare, alguém tem que traduzir para eu ler (inglês medieval eu não encaro); se for encenado então, sabe lá o quanto o texto pode ser violado. Herman Melville, Joseph Conrad, outros, só li traduzidos.

Se eu comprar um cd com Nelson Freire interpretando Chopin, admite-se que a obra está mais preservada em sua integridade ali do que se eu comprar um livro com reproduções da obra de Portinari. Mas ambos são cópias, ou registros, não a obra em si.

Outra questão é que embora a música popular tenha decaído imensamente (jazz-rock-rap é uma linha involutiva no tempo), ainda há coisas boas para se ouvir. A boa pintura que existe vive em guetos, à parte da mídia.

Nas sessões de discos de revistas e jornais a crítica é setorizada. Ninguém espera que o crítico que escreve sobre rock fale também de ópera. Já nas artes plásticas, só há espaço para o pop mais descartável e a perversidade picareta.

Não há necessidade de alguém que entenda do assunto escrevendo sobre pintura? Ou há interesses econômicos contrários a isso? Não sei. Mas há a questão que, considerando a obra em sua integridade, a música é mais facilmente transportável do que a pintura. Trazer uma orquestra holandesa para o Brasil pode ser inviável, mas trazer um solista é possível. Vai tentar trazer os quadros de Van Gogh, vê se os museus de lá vão aceitar liberar suas “jóias”, fora a despesa de seguro, transporte, segurança.

Talvez o número de boas pinturas disponíveis ou possíveis de serem exibidas ao público no Brasil seja pequeno demais para compensar uma crítica artística digna. Da mesma forma que a Noruega não precisa de bons repórteres policiais, pois a taxa de crimes é muito baixa, não precisamos de experts em arte nos veículos de imprensa.

Outra questão é que alguns artistas e obras envelhecem pior do que outros. Não precisa nem ir tão longe no tempo, outro dia estava ouvindo “Canção do Amor Demais”, o disco que foi o marco inicial da bossa nova. Gosto de Elizete Cardoso, mas o modo de cantar dela é “antigo”, aquela impostação, aqueles “erres” pronunciados de forma intensa para criar dramaticidade. Fica over. Ela própria mudaria depois, já na célebre gravação de “Consolação”, vê-se uma mudança de impostação.

E não é que fosse uma característica da época, tenho discos do mesmo período de Caymmi, Lúcio Alves e Roberto Silva onde já se ouve um cantar, digamos, “moderno”.

Todo esse bla-bla-bla, e não consigo chegar a uma conclusão. Vou mandar a lista de discos no próximo post.


Ativismo ou arbitrariedade?

outubro 26, 2007

Por Mauricio Dias – comoeueratrouxa 

Esta semana foi caótica, na quarta-feira choveu na cidade do Rio de Janeiro o previsto para um mês e meio, as encostas do Rebouças desmoronaram, o trânsito parecia um dia festivo no inferno (Eles devem ter dias festivos lá, tipo a celebração do aniversário de Hitler, quando todos os capetas têm ponto facultativo).

E no site do wordpress.com, tava impossível fazer login. Então não lancei nada no blog desde segunda, pois tinha também uma ocupação extra: um amigo me pediu para adiantar parte da tradução de um filme, um documentário sobre o direito dos anglicanos americanos nomearem gays como bispos. (O meu amigo, com medo de se prejudicar no trabalho, frisou que eu colocasse aqui que ELE IRIA REVISAR TUDO. Ele acha que alguém lê o que eu escrevo?)

Comecei a fazer, pela grana, mas não tive estômago pra terminar. Um dos ativistas gays que é seguidas vezes entrevistado se refere aos anglicanos e episcopais que não querem bispos gays em suas igrejas como ‘homofóbicos’.

Homofobia é, além de crime qualificado, algo moralmente deplorável: agredir fisicamente ou ofender gays é uma brutalidade. Agora, uma pessoa ligada a uma religião tradicional não querer que o representante desta religião seja um homossexual, não caracteriza, de modo nenhum, homofobia.

Aqueles que discordavam dos dogmas católicos no séc. XVI fundaram sua própria Igreja. Um direito deles. Mas querer mudar uma instituição por dentro para que ela se adeque aos interesses de um grupo minoritário me soa estranhíssimo.

Sei lá, vou entrar para um clube de adeptos da alimentação macrobiótica, e comparecer aos encontros levando hambúrgueres e batata-frita, e ficar insistindo para que eles aceitem aquilo como parte da dieta?

Não! Eu posso, se quiser, fundar um novo clube, o dos Macrobióticos Que Aceitam Junk Food, uma dissidência não vinculada ao grupo original. Mas ficar panfletando para mudar radicalmente aquela instituição pré-existente, cujas regras eu já conhecia, e à qual ninguém me obrigou a aderir? Isto não é algo que se faça por vontade de ingressar num grupo, mas simplesmente por desejo de enfraquecer o mesmo e desestabilizá-lo.

Já é o segundo trabalho que eu recuso por questões morais. Dói no bolso, mas não consigo ser de outra forma.

Mudando de assunto, quadrinhos em língua inglesa cheios de non-sense e crueldade, mas hilários:

http://www.pbfcomics.com

(tem que ir na listinha na parte inferior da tela e ir clicando nome a nome).


O mapa da mina

outubro 22, 2007

Por Mauricio Dias – comoeueratrouxa

Não por estar com preguiça de escrever, mas por achar que escrever não seja o fim, mas um meio – dentre vários outros –  para se chegar ao fim em si, hoje vou começar só indicando textos e links que acho interessantes.

A Rainha Elizabeth em dois tempos e estilos diferentes – olha o contraste:

Retrato feito por Pietro Annigoni em 1956 –

http://www.artrenewal.org/pages/artwork.php?artworkid=25270&size=large

E a maldade feita por Lucian Freud em 2001 –

http://www.tinmangallery.com/portraits/queenFreud/queenPortraitFreud.html

Semana passada escrevi sobre o tipo de evento ou “forma de expressão” que é considerado merecedor de incentivos por parte do Ministério da Cultura (post abaixo, ou o que se encontra em https://comoeueratrouxaaos18anos.wordpress.com/2007/10/19/tem-alguem-com-a-mao-no-meu-bolso ).

Depois de postar aquele breve comentário, lembrei-me de um livro excelente, publicado na Inglaterra em 1944, “O CAMINHO DA SERVIDÃO”, do prêmio Nobel de Economia Friedrich A. Hayek:

“E quando as autoridades controlam diretamente o uso de mais da metade da renda nacional acabam controlando indiretamente quase toda a vida econômica da nação. Assim sucedeu, por exemplo, na Alemanha desde 1928 e prosseguiu por todo o governo Nazista, de 1933 a 1945. Em tal quadro, poucos serão os objetivos individuais cuja realização não dependa da ação estatal; quase todos eles serão abrangidos pela “escala de valores sociais” que orienta a ação do Estado.” Pág 77 (parag. 3) – 78 (parag. 1), 5a. Edição, Instituto Liberal – RJ.

Este livro de Hayek, essencial, pode ser comprado no site http://www.institutoliberal.org.br

No caso dos incentivos do Ministério da Cultura brasileiro, não posso deixar de ver ali uma distorção de valores a que não se chega por acaso. Aquilo é fruto de um planejamento, e de anos de pré-anestesia injetada pela mídia no público – o qual, via de regra, não concorda com tais critérios, mas, dopado, não tem capacidade de reação. Esta “injeção” é ministrada visando certos obejtivos. Quais são, por enquanto deixarei a cargo do leitor.

Alem de “O CAMINHO DA SERVIDÃO”, este texto abaixo, de Olavo de Carvalho, serve como introdução para compreender o Brasil: Clicar no link http://www.olavodecarvalho.org/textos/2005doencaexistencial.html

A falta de interesse nacional pela rica tradição cultural ocidental faz com que a passividade diante do que se autoproclama arte – a celebração do grotesco, do engodo, da fraude óbvia -,  por aqui se alastre como fogo no palheiro, mas este não é um problema exclusivo brasileiro.

E aqui volta-se ao primeiro tópico do post: gosto de Lucian Freud, mas alguém encomendar a ele um retrato de efeméride da realeza demonstra no mínimo falta de percepção. Mas pode ser também um caso de sabotagem interna. Alguém consegue imaginar se num evento em que a Rainha estivesse presente, um dj lançasse no sistema de som a ultrajante versão de “God Save The Queen” dos Sex Pistols?  (ver http://letras.terra.com.br/sex-pistols/35850)

Pois se até a Rainha da Inglaterra, cercada de conselheiros e assessores, cai na esparrela de se permitir ser ridicularizada em nome da arte (e ainda pagar $$ caro por isso), que chance de defesa tem o público classe média brasileiro?

Nenhuma, permance dopado, pagando imposto e alimentando regiamente sinecuras: uma mina de ouro, inesgotável.


Tem alguém com a mão no meu bolso?

outubro 19, 2007

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N.A. – Mais de dois anos depois da publicação deste post, fui notar que os links para as páginas dos editais não eram mais válidos. Só agora, um ano depois de ter apontado aqui o fato, me ocorreu procurar na internet por novos links que se referissem ao tema.

Às vezes eu escrevo páginas inteiras para tentar tornar clara uma crítica que pretendo fazer. Outras vezes sinto que não preciso redigir uma linha, pois o que pretendo criticar já é tão óbvio, que qualquer acréscimo de minha parte é desnecessário.

Veja para onde vai o dinheiro do imposto que você paga:

http://www.cultura.gov.br/site/2007/07/02/concurso-cultura-gltb2007

Concurso Cultura GLTB – O edital é aberto à organizações e instituições de direito público e privado, sem fins lucrativos, que desenvolvem ações de natureza cultural voltadas para a afirmação da identidade de gays, lésbicas, transgêneros e bissexuais (GLTB).

http://www.cultura.gov.br/site/2007/10/18/angola-x-regional

Entre os dias 20 e 21 de outubro será realizado em Londres (Inglaterra) o Festival de Capoeira do Reino Unido. O evento é uma iniciativa da Brazilian Contemporary Arts (BCA) e conta com o apoio do Ministério da Cultura, por meio da Secretaria do Audiovisual e da Cinemateca Brasileira.”

http://www.cultura.gov.br/site/2007/12/19/premio-culturas-indigenas-2007-%E2%80%93-edicao-xicao-xukuru

Prêmio Culturas Indígenas 2007    Edital do Concurso Público Prêmio Culturas Indígenas 2007 – Edição Xicão Zukuru. Edital nº. 5, de 9 de Outubro.

Concurso Público destinado ao reconhecimento das iniciativas coletivas dos povos indígenas (programas, projetos, ações, empreendimentos e outros) para o fortalecimento de suas expressões culturais.

Ainda bem que finalmente alguém lembrou de homenagear Xicão Zukuru; seja lá ele quem for, não podia passar em branco.

E o Festival de Capoeira do Reino Unido? Aposto como este ano os inglesinhos vão levar um choque de brasilidade. Finalmente irão descobrir o que é cultura, e acabarão por cancelar a anual  “Shakespeare’s Birthday Celebration at the Globe Theatre“. A rainha vai conhecer a nossa batucada.

Novos links para os prêmios citados (atualizados em abril de 2010):

Concurso Cultura GLTB (gays, lésbicas, transgêneros e bissexuais)

(houve outras edições de pelo menos 2006 a 2009. Tudo feito com dinheiro público, ou seja vindo de quem paga imposto:

http://www.cultura.gov.br/site/2006/05/22/concurso-cultura-gltb-2006

http://www.cultura.gov.br/site/2009/03/16/edital-lgbt-2009 )

Aliás, o link original para o “annual Shakespeare’s Birthday Celebration” também caducou. Tentem este daqui:

http://www.examiner.com/x-1406-Chicago-Community-Life-Examiner~y2009m4d14-Shakespeare-birthday-readings-at-CLC-April-22

– – –

Para aqueles que leram o controverso post abaixo, recomendo que leiam o espaço ‘comentário’. Ali há uma troca de emails entre minha pessoa e o grande Marlos, a qual acho que deixa ainda mais clara minha posição ao decidir postar um texto sobre aquela notícia – o pós-escrito pode também ser encontrado no link
https://comoeueratrouxaaos18anos.wordpress.com/2007/10/18/os-brancos-que-se-entendam/#comment-22

Mas é melhor só o ler depois do texto inicial.


Os brancos que se entendam

outubro 18, 2007

Por Mauricio Dias – comoeueratrouxa

Foi assunto de todos os jornais, o  cientista James Watson, ganhador do prêmio Nobel de medicina por ser um dos responsáveis pela descoberta da estrutura do DNA nos anos 1950, fez uma declaração altamente controversa, de que haveria diferença de inteligência entre raças.

Clicar em http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1307829&idCanal=13

Com este currículo, Watson não é exatamente um qualquer. A mesma divulgação científica que está sempre pronta para abraçar o simulacro de ciência produzido por Richard Dawkins, condenou taxativamente Watson. É compreensível, por tudo o que se viu na política e história do século XX, que a ciência não tenha nenhum interesse em respaldar algo assim.

No jornal O Globo (18-10-2007), esta vontade de negar Watson chegou a um humor involuntário. Num box intitulado “Watson está ficando gagá ou quer aparecer”, é citado o geneticista Sérgio Penna, autor da frase que deu título ao tijolinho. Penna ali é citado às vezes entre aspas (o que se assume como sendo ipsis literis, apesar de os editores de jornais serem prodigiosos em mudarem o sentido de textos), às vezes de forma indireta.

Consta do texto:

1) “Na opinião do geneticista, nos últimos 500 anos a África tem sido vítima de um imperialismo europeu impiedoso e selvagem, que criou dissensões entre grupos étnicos e manteve o continente de joelhos.”

2) E, atribuído diretamente a Sérgio Penna: “Watson falou besteira, em uma área totalmente fora da sua”.

O mesmo cientista que no trecho destacado 2 critica Watson por se manifestar fora de sua área específica, usa no trecho destacado 1 a História como meio de explicar o processo. Se ele é geneticista, tem autoridade pra falar de História? 

Este é um assunto mais que desagradável, que pode ferir suscetibilidades. Tenho amigos negros brilhantes, não sei a quem interessa erguer a bandeira que Watson está levantando. Mas isto não significa que eu deva ouvir calado uma argumentação que não me parece embasada. Voltemos ao trecho destacado 1:

“Na opinião do geneticista, nos últimos 500 anos a África tem sido vítima de um imperialismo europeu impiedoso e selvagem, que criou dissensões entre grupos étnicos e manteve o continente de joelhos.”

A Índia sofreu com o imperialismo britânico, a China idem,  o Brasil e o México sofreram primeiro com o colonialismo ibérico e depois com o imperialismo. Malgrado todos os problemas sociais que estes países enfrentam hoje, a Índia tem um dos maiores pólos de informática do mundo, a China manda homens para o espaço, a produção econômica só do estado de São Paulo é maior que a de 90 % dos países africanos, a economia mexicana dispara na frente na América Latina.

Se as idéias de Watson nos desagradam, devemos ao menos tentar entender como chegou a elas e que argumentos tem, antes de condená-las.