Uma no cravo, outra na ferradura

Por Mauricio Dias – comoeueratrouxa

Semana passada, em reportagem do jornal britânico “Daily Telegraph” vieram à tona novos fatos sobre a execução de Jean Charles de Menezes, ocorrida em Londres no ano de 2005  (ver link http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL149739-5602,00-SCOTLAND+YARD+SABIA+QUE+JEAN+CHARLES+NAO+ERA+TERRORISTA+DIZ+JORNAL.html).

Deveria eu escrever sobre isto aqui? Pra quê? Saiu em todos os jornais, impressos ou da TV.

Bom, digamos que me deu vontade de dizer uma coisinha ou duas sobre o assunto – pra falar a verdade, nada de novo. Todos os anos, nas grandes cidades do mundo, pessoas são assassinadas. Em algumas cidades, como Rio de Janeiro e Bogotá, em virtude de fatores sociais e políticos, isto é mais comum. Em outras, como Montreal ou Estocolmo, é mais raro.

É inerente à aglomerações de seres humanos. Somos primatas violentos, isso é algo que uns meros vinte mil anos de vida mais ou menos organizada em sociedades agrícolas e sedentárias não mudou. Não creio que esta propensão à violência vá algum dia desaparecer por completo.

Mas quando um assassinato ocorre pelas mãos de uma polícia que sempre posou de modelo de eficiência, como foi com Jean Charles, todo o funcionamento das engrenagens que deveriam servir de segurança fica em xeque.

Como é possível que erros grotescos ocorram em cascata, e em nenhum momento antes do trágico desfecho os responsáveis envolvidos tenham se questionado: “Os dados A, B, C não se encaixaram bem, vamos partir pra ação D?” “Devemos seguir em frente?”

Parece-me um pouco aquela coisa da hierarquia militar, ‘ordens são ordens’. O soldado tem que cumprir a ordem do sargento, senão este fica mal com o tenente, que por sua vez…

Andei fuçando uns blogs sobre o assunto, notei certos discursos. Sempre achei que, como brasileiros, não podemos deixar que este caso ganhe ares de um ato de lesa-pátria ou ‘confirmação do racismo britânico’. Foi um erro policial, puro e simples.

Com os erros policiais que presenciamos no cotidiano nacional, não temos o direito de achar que estamos moralmente acima dos ingleses. Não falo nem das barbáries como o Massacre do Carandiru, ou os policiais filmados torturando e matando na Favela Naval. Tenho certeza que o policial que avançou contra o criminoso no episódio do sequestro do ônibus 174 estava bem intencionado,  mas os seus erros foram  responsáveis pela morte de Geísa Firmo Gonçalves.(pt.wikipedia.org/wiki/Ônibus_174)

Com todo o destaque na mídia internacional, esperamos que os responsáveis no caso Jean Charles sejam legalmente punidos, e a família da vítima, indenizada – tentativas vãs para atenuar a revolta justíssima que acompanhará para sempre seus parentes.

Isso tudo foi pra cumprir o formulário-padrão do texto bem intencionado. Agora vamos falar de verdade: ‘Jean Charles’ e ‘Geísa’ são nomes que deixam claro a classe social a que pertenciam. Morreram por erros policiais, um andando de metrô, outro de ônibus.  Não lembro da polícia matando alguém que andasse de Audi.

Alguém consegue imaginar uma nota numa coluna social de jornal, ‘herdeira de uma tradicional família quatrocentona e freqüentadora do Country Club, Geísa vestia Givenchy…’ não dá, né?

Há alguns meses estava na casa do meu amigo Leonardo, uma roda de velhos conhecidos mamando umas cervejas. A TV ligada ou no GNT (por que com três homens no recinto a TV estaria no GNT?) ou na Globonews. Começou uma matéria sobre moda (hum… três homens vendo moda… já entendi…), então falou-se sobre uma bonita modelo brasileira, chamada Michelly-qualquer-coisa. Para escrever isto aqui, dei uma fuçada no google, descobri que tem uma modelo com o nome Michelly Pettri. Deve ser a mesma da matéria.

O já citado Leonardo, ‘o piadista da piada fácil’, colocou o golpe certeiro: – O sufixo ‘ele-ele-ípsilon’ (lly) em um nome significa ‘eu nasci pobre’.

Mudando de assunto, falemos de arte.

Abaixo, os links para o site de uma escultora.

O curioso é que o desenho dela não tem nada de mais – não é ruim, mas tudo é apenas ‘estudo para algo’, não tem desenho ACABADO.

http://www.paigebradley.com/early_work/index.html

http://www.paigebradley.com/early_work/index2.html

http://www.paigebradley.com/sculpture/index3.html

Na última página mencionada, há links para outras duas páginas de esculturas. 

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