Vale a pena conferir

dezembro 30, 2007

Um blog interessante, que me foi apontado pelo Eduardo Arruda, é o do jornalista Luciano Trigo.

No link http://www.lucianotrigo.blogspot.com pode se ler coisas como:

“O crítico tem pouco a fazer nesse contexto, e por isso mesmo foi sutilmente expelido dos jornais e revistas; os que resistem foram cooptados, evitando qualquer julgamento que não seja elogioso, ou viraram escrevedores de prefácios de catálogos. O público, num sentido amplo, também está sendo pouco a pouco dispensado do jogo, já que quem importa mesmo são os players que movimentam a máquina, isto é, os colecionadores, compradores regulares, galeristas, marchands. Quem quiser um entretenimento espiritualmente elevado que procure uma igreja ou vá ler Hamlet, como o Ferreira Gullar; quando vai a galerias e museus, o leigo interessado em arte sente falta de bulas ou manuais de instruções.”


Teatro 5 – o link

dezembro 27, 2007

Esquete novo. Alguém disposto a ler?

É só clicar no link

https://comoeueratrouxaaos18anos.wordpress.com/teatro-5


O último post antes do recesso

dezembro 21, 2007

Por Mauricio Dias – comoeueratrouxa

Este site é melhor visualizado se você usa Internet Explorer.

Uma amiga minha tinha dito que os links entram no meio dos textos.

Isto acontece quando se usa outros navegadores, como Firefox e outros menos conhecidos. Quando eu lanço um texto, uso o I. Explorer, então este é o formato que vai se adequar mais na hora de o ler.

No texto que postei já há algum tempo no link https://comoeueratrouxaaos18anos.wordpress.com/2007/10/08/predadores-oportunistas falei sobre o site http://www.artrenewal.org, que tem um belo banco de dados de pintores (“organizados em ordem alfabética.  Vale uma conferida.” – escrevi na ocasião).

E é verdade, mas esqueci de dizer que eles são, digamos, muito caretas.

No banco de dados deles não entram Matisse ou Picasso.

Mas no link http://www.artrenewal.org/asp/database/contents.asp pode-se ver  de Jan van Eyck (na letra E) e Piero della Francesca e Grünewald, passando por Tintoretto, até os impressionistas.

Já é uma bela contribuição. Se eu tivesse acesso a algo assim quando tinha dezesseis anos, teria me poupado muitas voltas na vida.

O problema com este site é quando ele tenta promover artistas contemporâneos, em sua maioria norte-americanos, que fazem aquilo que os americanos chamam de ‘pintura realista’ (ou “classical realist”).

Há coisa de uns seis meses, quando indiquei os links a alguns amigos, o fiz com o aviso: “Tem coisas muito bem acabadas, mas tem muito hiper-realismo que me parece vazio de idéias ou sentido.”

Mas é mais do que isso. São ingênuos, bregas. Acadêmicos, no pior sentido da palavra. Pessoas que foram treinadas para desenhar, mas que parecem não ter um cabedal cultural.

Um artista plástico tem que ler, ouvir discos, ver filmes. Se ele vive no século XXI tem que entender quem foram Hitchcock, Stanley Kubrick, Orson Welles, Debussy, Stravinski, Miles Davis, Kafka, Borges, etc.  E se nasceu depois de 1960 ele deve procurar conhecer (por razões diversas) o mundo pop dos Beatles, Led Zeppelin, David Bowie, Woody Allen, o Recruta Zero de Mort Walker, o Calvin de Bill Watterson, Os Simpsons de Matt Groening. 

O saber acadêmico é importante, e muitas vezes  no século que passou foi desprezado; mas visão é ainda mais importante.

Segue uma lista dos trabalhos que encaixo no rótulo de vazios de sentido (com algumas exceções, como Paige Bradley) :

http://www.artrenewal.org/articles/2006/Salon/winners1.asp

http://www.artrenewal.org/articles/2006/Salon/winners2.asp

http://www.artrenewal.org/articles/2006/Salon/winners3.asp

(AÍ BASTA IR  TROCANDO O NÚMERO DEPOIS DE ‘WINNERS’. Rolar a barra até em baixo, clicar nas figuras)

até

http://www.artrenewal.org/articles/2006/Salon/winners8.asp

Feliz natal e bom 2008!


Sobre como ler um texto de dramaturgia

dezembro 18, 2007

Por Mauricio Dias – comoeueratrouxa

Escrevi neste site vários textos que envolviam dramaturgia, seja para teatro, sejam releituras de roteiros de filmes célebres.

Roteiro meu, original, não postei nenhum, são muito extensos.

O fato é que pessoas que não são da área tem dificuldades para ler roteiros. Porque o roteiro não é o produto final, é o equivalente à planta baixa em arquitetura, então o leitor tem que ter um certo conhecimento do métier para, ao ver a planta, conseguir visualizar a casa.

Muitas vezes um texto dramatúrgico não tem força no papel, mas ganha vida quando lido por um ator adequado ao material.

Tenho meus leitores de confiança, acho que todo mundo que escreve deva ter os seus, aqueles a quem você mostra o material antes de mostrar a qualquer outro.

Um desses, um amigo de infância, certa vez  reclamou (dentre muitas outras reclamações em diversas ocasiões) de um texto cômico que eu mandei a ele. Um texto que eu julgava engraçado. Retruquei:

Imagina o roteiro de ‘Monthy Phyton e o cálice sagrado’:

“Rei Arthur – Quem sois vós?

Cavaleiros – Somos os Cavaleiros que dizem ‘Ni’, e para passar por nossos domínios terá que nos trazer um shuberry.

Rei Arthur – Um o quê?

Cav. – Um shuberry.

Rei Arthur – E o que é um shuberry?

Cav. – Você terá que descobrir sozinho.

Rei Arthur – Isto é ridículo.

(para seus seguidores)

Vamos adiante, homens!

Cav. – Ni!Ni!Ni!”

Cito de cabeça, não ipsis litteris. Isso, no papel é uma babaquice sem tamanho e sentido. Na tela, da forma que foi feito, tornou-se um clássico do humor.


Quadrinhos 3 – mais quadritos

dezembro 12, 2007

Grande queima de natal, para acabar o estoque! Abrimos o baú do passado: mais quadrinhos baseados em Nelson Rodrigues.

Também dos contos de “A Vida Como Ela É”, desta vez a obra adaptada é “O Grande Viúvo”.

Para ler, é só clicar no link

https://comoeueratrouxaaos18anos.wordpress.com/quadrinhos-o-grande-viuvo


Quadrinhos 2 – mais quadritos

dezembro 7, 2007

Quadrinhos inéditos, baseados em Nelson Rodrigues https://comoeueratrouxaaos18anos.wordpress.com/quadrinhos-humilhacao-de-homem


Não tenho mais paciência

dezembro 3, 2007

Por Mauricio Dias – comoeueratrouxa

Passando os cadernos de O Globo de Sábado, 1-12-2007, cheguei ao caderno Ela. Segundo um amigo meu jornalista, o caderno deveria se chamar Êla, com acento, pois é muito mais voltado para o público gay do que o feminino.

Logo na capa estava a matéria que guardei para escrever hoje: os editores tiveram a idéia de perguntar a um grupo de “mudernos estilosos” (designers, cenógrafos, etc) o que é cool e o que não é.

O termo cool é aceitável quando dito por americano ou inglês. Se usado por brasileiros, é um anglicismo babaca.

Se o brasileiro em questão for do sexo masculino, ao usar a expressão cool,  além de ser inequivocamente um idiota deslumbrado, ele levanta sobre si próprio a forte suspeita de que morde a fronha, atende pela porta dos fundos, entuba uma brachola, etc, etc.

Imagina um repórter chegando numa academia de jiu-jitsu ou num campo de terra do Aterro do Flamengo e perguntando pros bastiões da virilidade o que é cool?

Mesmo na minha pelada de coroas – onde todo mundo tem de 30 e alguns pra cima – e a galera tem nível universitário, se chegar um maluco falando que algo é cool, já será visado para levar um corretivo. 

– Gosta de falar “cool”? Então do umbigo pra baixo é tudo canela.

Antigamente tinha as listas do que era in e do que era out – que também eram ridículas. Mas cool é demais. Sempre que vejo uma matéria dessas, me lembro das entrevistas do Bruno, o personagem menos famoso do humorista inglês Sacha Baron Cohen – que faz também o Ali G e o Borat (ver http://www.imdb.com/name/nm0056187). É sempre uma entrevista com algum deslumbrado do mundo da moda que se dispõe a falar as maiores merdas sem nenhum pudor.

As pessoas podem ser idiotas na adolescência – aliás, espera-se que elas o sejam, e caiam em esparrelas criadas pela mídia. Conheço mulheres de diferentes faixas etárias que foram fãs de grupos juvenis-pop-pré-fabricados  como o Menudo ou dos lourinhos Hanson. Aos 13 anos isto é aceitável. Não creio que os entrevistados da tal matéria achem que Menudo ou Hanson tenham algum dia sido cool.

O problema da manipulação de mentes muda totalmente de proporção quando pessoas próximas ou mesmo acima dos 30 anos continuam tendo a preocupação adolescente de serem “antenados” – torna-os alvos fáceis da picaretagem institucionalizada. Aí, toda a sociedade vai se imbecilizando, e tendendo cada vez mais a pensar em bloco.  

No último texto aqui postado reproduzi um email que enviei há meses. “Algo na pós-modernidade, talvez a sede por comodidade, fez o artista se afastar da preparação. Em vez de ser pintor, o jovem compra uma câmera digital e vai ser designer, em vez de estudar piano, vai ser dj.”

Citar a si próprio provavelmente é não-cool, diria um dos entrevistados da matéria.

E numa coluna no site em que escrevi há anos, citei um trecho de Raymond Chandler, que embora autor de romances policiais, possuía fina ironia. O trecho também versava sobre o assunto:

“- … Não se pode esperar qualidade de pessoas cujas vidas são uma sujeição à falta de qualidade. Não se pode ter qualidade com produção em massa. Não se deseja isso porque demoraria muito a chegar. Portanto, para substituir isso há o estilo. Que é um logro comercial com a intenção de produzir coisas obsoletas e artificiais. A produção de massa não poderia vender seus produtos no ano que vem a não ser que faça o que vendeu este ano ficar fora de moda. Temos as cozinhas mais brancas e os banheiros mais brilhantes do mundo. Mas na adorável cozinha branca a dona-de-casa americana média não consegue cozinhar uma refeição boa de se comer, e o adorável banheiro brilhante é sobretudo um receptáculo para desodorantes, laxativos, soníferos e produtos desta quadrilha de vigaristas que se chama indústria de cosméticos. Nós fazemos as embalagens mais bonitas do mundo, Sr. Marlowe. O que está lá dentro é, na maior parte, lixo.” (in O Longo Adeus , L&PM POCKET, pág. 253)

E para finalizar, pode-se acrescentar que jornalistas sem nada relevante para dizer ficam inventando matérias idiotas sobre o que é cool.