Uma anta em pele de lobo

Por Mauricio Dias – comoeueratrouxa

Na adolescência havia próximas a mim pessoas mais velhas, que por confusão mental e ignorância me empurravam uma literatura de esquerda.

Por que voltar a tais lembranças não muito agradáveis? Porque no reveillon eu estava de bicão na festa-do-tio-de-um-conhecido e fui obrigado a ouvir o dono da casa e o tal conhecido elogiarem a inteligência e cultura de Fausto Wolff.

Já tinha ocorrido a queima de fogos, e Copacabana àquela hora estava ainda muito tumultuada. Estando eu na qualidade de bicão na festa, julguei totalmente inadequado polemizar com o dono da casa, um senhor já entrado em anos e completamente bêbado. Fiquei calado, tentando fugir mentalmente dali.

Desde ‘Os Capitães de Areia’ de Jorge Amado, recomendado por minha irmã aos meus doze anos, seguiram-se algumas pérolas da literatura ideológica, ficção ou não. Os professores nos colégios também não ajudavam muito.

Entre os títulos veio um do Gabeira, e outro que me recomendaram foi “O dia em que comeram o ministro” de Fausto Wolff. Tinha coisas engraçadas, o testemunho algo espantado do autor diante da produção de um filme pornô (em algum país do norte europeu, se não me engano, na Suécia.). Mas o que nunca esqueço é a crônica em que uma adolescente chora ao ler sobre um seqüestro que foi resolvido pela polícia. O pai, sensibilizado, tenta consolá-la, pois ao final de tudo, a vítima iria voltar pra casa (Não cito ipsis literis, o livro foi doado há muito, não tenho como consultá-lo.). A menina responde: “-Estou chorando por pensar no que vão fazer com os seqüestradores.”

A vítima, um burguês, era de somenos importância.

Anos depois, num natal, ganhei de minha pobre manipulável mãe o então recém-lançado “À mão esquerda”, do mesmo autor. Ainda não vacinado, comecei a ler. Trinta páginas depois, disse “basta”. Fui à livraria e troquei, se não me engano por um do Ruy Castro.

E hoje, para escrever este post, pesquisei e deparei-me com uma entrevista concedida pelo mesmo Fausto Wolff ao site ‘olobo’ (um site dirigido por ele mesmo, o título é um óbvio trocadilho entre lobo e o sobrenome do autor – na verdade um pseudônimo. A matéria em questão pode ser lida em http://www.olobo.net/index.php?pg=colunistas&id=836):

Ao ser perguntado “Qual a sua opinião sobre Hugo Chávez e Fidel Castro?”, respondeu:

“Fidel Castro é a personalidade política mais importante do século 20, um revolucionário, um intelectual e um homem de bem. A Hugo Chavez, que aprendeu com os erros e acertos de Castro, juntamente com Evo Morales e outros homens de bem, caberá fazer a união da América Latina, finalmente livre dos grilhões norte-americanos, para os quais o neoliberalismo é uma religião e Deus um sócio no mercado.”

E em entrevista ao site http://www.bebelina.weblogger.terra.com.br/index.htm, à pergunta: ‘E (o lingüista Noam) Chomsky?’

O mesmo Wolff responde:
“O Chomsky é uma das grandes forças libertárias do mundo hoje. Para não falar do Fidel Castro, é claro. E Yasser Arafat é um dos grandes heróis dos nossos tempos, como foi Luís Carlos Prestes.”

Se algum dia ouvir este tipo sendo elogiado novamente, não creio que vá me dar ao trabalho de manifestar minha opinião. Para que discutir com alguém que não tem como entender o que eu digo? Dependendo do lugar, despeço-me dos presentes e deixo o recinto.

Creio ser o melhor a fazer.

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