Jornalismo político

Por Mauricio Dias – comoeueratrouxa 

Gostaria de jamais ter de escrever sobre política. É uma parte importante de nossas vidas, mas nos dias que correm, é em geral, nauseante.

O sistema de esgotos também é fundamental para a vida em comunidade do ser humano, mas nunca foi considerado um assunto interessante, justamente por ser ainda mais nauseante.

Gostaria de escrever só sobre a produção cultural (e sua transmissão ao público). Mas a política influencia a ambas, então não dá para fugir a ela.

Já recomendei textos de Diogo Mainardi e Olavo de Carvalho. Isto deixa clara minha posição – a qual eu assumo, não tento posar de ‘imparcial’.

Às vezes entro também no site do Reinaldo Azevedo. Ele foi o primeiro a expressar, como convidado em pleno Manhattan Connection e diante do deslumbramento cúmplice de Lúcia Guimarães, o fato óbvio de que o filme “Brokeback Mountain” tinha uma agenda política.

No site de Reinaldo, no post intitulado ‘Dez perguntas para o Jornal Nacional fazer a Lula’,  uma delas é: “O seu filho, até bem pouco tempo antes de o sr. assumir a Presidência, era monitor de Jardim Zoológico e, hoje, já é um empresário que a gente poderia classificar de milionário. O sr. não acha uma ascensão muito rápida?”

(Mais da matéria em http://www.reinaldoazevedo.com.br/2006/08/dez-perguntas-para-o-jornal-nacional.html )

– – –

Qualquer um que já tenha lido um texto meu sabe que estou me lixando pro politicamente correto, mas ainda assim, tenho certos pudores. Quando vejo algo como os comentários abaixo, não deixo de me surpreender (extraído de uma entrevista em http://www.insanus.org/novacorja/archives/017967.html):

“A Nova Corja: Você enfrenta mais de oitenta processos individuais num tribunal do Acre por ter dito em maio, durante o programa Manhattan Connection, que o Estado não vale um pangaré. Você não superestimou o valor do pangaré?

Diogo Mainardi: Consultando o site do tribunal do Acre, descobri que, na verdade, enfrento cento e quarenta processos. Eu nem sabia que o Acre tinha internet.

Há certas coisas que um humorista pode falar, mas que não ficam bem ditas por alguém exercendo uma função jornalística. Não gosto de soar como alguém que deseje incitar conflitos – nem tenho força para isso -, mas ao ler uma frase dessas fica no ar, ao menos para mim, a idéia de um adolescente egocêntrico, sabe como é, “Eu sou rico, morei durante anos na Europa e danem-se esses primitivos.”

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