A História da Arte é uma construção

janeiro 29, 2009

O historiador e jornalista inglês Paul Johnson (1928 – ) é autor de um livro de ensaios chamado “To Hell With Picasso” ( “Que Picasso vá para o Inferno”), lançado em 1996.

Dei uma pesquisada na internet, acho que ‘To Hell With…’ nunca foi publicado em português. Este nosso mercado editorial é incompreensível, lançam centenas de porcarias todos os anos, mas um texto importante como este é esquecido. Deve ter algum objetivo por trás disso.
Aqui abaixo segue um trecho da entrevista de Geneton Moraes Neto com Johnson, extraída de http://www.geneton.com.br/archives/000026.html

‘GMN : Quanto o senhor pagaria por um quadro de Picasso? Por que o senhor é tão rigoroso na hora de julgar mestres da arte moderna, como Picasso e Cézanne?

Paul Johnson : “A arte precisa ter um propósito moral. Acontece que nunca pude detectar qualquer propósito moral claro na obra de Picasso. Era um homem perverso e imoral. Não vejo, em nenhuma de suas obras, um esforço para mostrar a arte com um propósito moral. Tal esforço é a essência do grande artista. Então, desconsidero Picasso completamente”.

GMN : A obra mais famosa de Picasso, “Guernica”, é uma denúncia contra a violência do totalitarismo. Por que é, então, que o senhor diz que não havia nenhum sentido moral na obra de Picasso?

Paul Johnson : “Porque Picasso não lutava contra o totalitarismo! Picasso não era comunista: era stalinista!  Ficou do lado da União Soviética totalitária, durante quase toda a vida. É um escândalo! Não acreditava na liberdade, exceto para si próprio”.’

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Isto é música para meus ouvidos

janeiro 27, 2009

Por Mauricio O. Dias – comoeueratrouxa

No último texto falei da música de Sonny Rollins, e na verdade, ninguém tem obrigação de conhecê-la. Mas para quem se interessar, um link para um vídeo ao vivo de 1973, maravilhoso, onde o mestre e a banda tocam o tema do filme Alfie (a versão da década de 60):

http://br.youtube.com/watch?v=mCDv5NK54u0


Homero e eu

janeiro 24, 2009

Por Mauricio O. Dias – comoeueratrouxa

Este site já teve mais de doze mil acessos. Deve ter muita gente que procurou uma expressão ou nome no Google e, ao entrar em minha página, viu que não tinha nada a ver com o que procurava, dando meia volta sem ler nada. Ainda assim, esta gente acaba computada na estatística do provedor.

Doze mil não é um número muito expressivo, longe disso. E alguns dos meus amigos já devem ter entrado na página várias vezes. Assim, qual será o número de pessoas que realmente leram algo que escrevi? Oito mil? Seis mil?

Levando em conta o número de gregos alfabetizados que viviam há três mil anos, e da dificuldade da divulgação de textos na época em que tinham que ser copiados a mão, é bem provável que eu já tenha tido mais leitores em vida do que Homero teve durante a vida dele.

Um raciocínio cretino, claro; não quero me comparar ao autor da Ilíada. As facilidades de produção e acesso estão todas a meu favor, além de a população e o percentual de alfabetizados terem crescido imensamente. Mas faz a gente pensar. Qualquer folhetim novelesco da Globo, por mais medíocre que seja, deve atingir pelo menos quatro milhões de pessoas em território nacional, fora o vasto público estrangeiro que consome o produto.

De vez em quando, lendo sobre os gênios do passado, Aristóteles, Roger Bacon, Shakespeare, fico pensando. Se tivessem a oportunidade, será que teriam gostado de ouvir a música de Sonny Rollins? E Beethoven? (Não comparando um com o outro, pelo amor de Deus.) Teriam gostado das pinturas dos impressionistas? Dos melhores filmes de Hitchcock? Dos grandes clássicos de Disney, ‘Pinóquio’, ‘Fantasia’? Se pudessem ver Marlon Brando dizendo “I could have been a contender” ou De Niro em frente ao espelho dizendo “Are you talking to me“?

Não é evidente que muito do que constitui o nosso universo conhecido foi negado a essas pessoas? Elas nasceram num mundo em que se acreditava haver serpentes gigantes no mar ou que o sol girava ao redor da terra, ou que os deuses moravam numa montanha e doenças eram causadas por espíritos malignos. Onde a escravidão era aceitável – Aristóteles achava-a justa.

Estes gênios do passado nunca viram um gol de Pelé, Fred Astaire dançando, nem sonhavam com o homem pisando na lua, todas estas cenas que já estavam no acervo da humanidade antes de eu nascer. Nunca comeram uma pizza ou sentiram o sabor do chocolate. Se, aos doze anos Aristóteles tivesse ouvido o The Who ou James Brown, ainda assim teria sido “o” Aristóteles que conhecemos? E se aos quinze, ele tivesse acesso a fotos de lindas mulheres nuas – na época dele já havia erotismo e pornografia, mas não eram tão bem produzidas e universalmente acessíveis – , em que isso tudo teria mudado as reflexões que viria a produzir no futuro?

O.K, eles não tinham ar contaminado por chumbo e gases residuais produzidos por indústria e queima de petróleo, vegetais contaminados com pesticidas e carne de animais alterada com hormônios para engorda. Sabe-se lá que diferenças todas estas coisas podem causar ao cérebro, e, por conseguinte, ao raciocínio.

Mas ao olhar para o passado remoto por um lado, vê-se que havia menos distração na busca pelo saber. O mar de estímulos sensoriais em que vivemos hoje nos dispersa. Fico olhando meus sobrinhos, perdidos num mundo de jogos eletrônicos, eles muitas vezes mal se apercebem do mundo real. Pode-se argumentar que bibliófilos, amantes da música e cinéfilos também dedicam-se a um mundo virtual em detrimento do real. É verdade, mas nestes diversos cultos há uma diferença considerável no nível desta conexão mundo real/virtual. A boa música, a literatura e o bom cinema podem nos dizer coisas profundas sobre o mundo real. Já neste mundo de videogames, quando exacerbado, há uma fuga da realidade que beira o autismo.

Se recuarmos à pré-História, há dez ou vinte mil anos, um garoto de 14-16 anos provavelmente já estaria prestes a enfrentar o início da paternidade, com todas as dificuldades que isto acarreta. OK, há até hoje os que são pais com 14 anos. E pra falar a verdade até hoje deve haver gente que acredita haver serpentes gigantes no mar, que o sol gira ao redor da terra, etc. Tem gente que não acredita em vida microscópica. Mas esses estão fora do mundo contemporâneo, são as exceções; houve um tempo em que eram a norma, e mulheres engravidarem aos 13-15 anos era normal.

No parágrafo acima, quando listamos as crenças infundadas, não estávamos falando de comunidades tribais isoladas ou indivíduos ignorantes. Eram épocas em que as classes cultas da humanidade realmente acreditavam nisso. Mas isto não impediu Shakespeare de ser Shakespeare, ou Aristóteles de ser Aristóteles.

Mas para os que nascemos hoje, a necessidade de termos em nossas mentes todo este acervo antes de produzir nossa contribuição a este mesmo acervo pode tornar-se um fardo. Homero ao escrever não tinha a difícil tarefa de conhecer toda a história da literatura ocidental. Ele só escrevia. Hoje, se você for escrever sem uma boa noção do que já foi feito, é provável que soe anacrônico, ingênuo e reiterativo. Talvez, todo este texto que eu estou escrevendo já tenha sido escrito, com outras palavras, várias vezes.

Toda esta etapa de preparação para a vida é bem mais longa, e é necessário que seja assim. Um filhote de tubarão já nasce apto para viver por si só, mas ele não vai além do que seu bisavô foi. Já o ser humano em quatro gerações passou da locomotiva para a viagem espacial.

Ainda assim, eu tendo a preferir um bom desenho reproduzindo um corpo humano – por mais que isto já tenha sido feito ao longo de séculos – a uma instalação artística. Não faço disto um dogma, não digo que qualquer desenho figurativo seja melhor que qualquer instalação. Aliás, figurativo ruim é de doer. Mas até hoje não lembro de ter visto uma instalação que me fez pensar “daqui a 20 anos isto ainda terá valor artístico”. Em geral, tudo é celebração do efêmero, atrai pela novidade. E os artistas que produzem tal arte parecem nem se incomodar com isso, produzem visando o consumo imediato.

Isso tem a ver com uma questão que coloquei num parágrafo acima: ‘Se aos doze anos, Aristóteles tivesse ouvido o The Who ou James Brown, ainda assim teria sido “o” Aristóteles que conhecemos?’ Talvez ele deixasse de lado a filosofia e resolvesse aprender a tocar um baixo elétrico. Há mais possibilidade de se divertir e conseguir garotas e fortuna dessa forma.

Em nosso mundo cultor da juventude e do prazer imediato, provocar um sorriso cúmplice na classe média é mais desejável do que tentar provocar uma epifania nela – até porque a classe média não tem muitos recursos intelectuais para saber o que é uma epifania e menos ainda para se interessar em ter uma. Aliás, não só a classe média, as pessoas em geral, falo da classe média porque ela é que é o público que compra como verdade as bobagens que saem em cadernos culturais de jornais. Ou seja, ao invés de o artista puxar o público para o alto, ele se delicia em ir para o nível do público.

Apenas um aparte: pode parecer injusto envolver o Who ou James Brown neste imbróglio. Explico-me: não os usei como exemplos da imbecilização da sociedade, em absoluto, porque ambos foram bons pra cacete no que faziam – que era divertir o público, coisa que muito poucos conseguiriam fazer com a competência apresentada por eles. E quarenta anos depois de o terem feito, o trabalho deles ainda é bom e merece ser lembrado.

O The Who ou James Brown, ou as obras de David Bowie ou Jorge Ben nos anos 70 entram aqui para exemplificar uma outra frase do texto: “O mar de estímulos sensoriais em que vivemos nos dispersa.

Pois é difícil ficar indiferente à sua música. Assim como, num nível diverso, é difícil ficar indiferente à uma aparição na tela da Liv Tyler no começo da carreira. Nenhum homem normal vê Eva Green em “Os Sonhadores” do Bertolucci e pensa “agora vou estudar algoritmos“. Não, aquilo é algo que obriga o sujeito a reagir, se posicionar.

Mas enquanto o apelo estético do músico é conseguido pela sua habilidade e criatividade, o do filme do Bertolucci é um aliciamento em que ele utiliza-se de um recurso pré-existente e externo a ele, a beleza de Eva. Há algum mérito nisto também, claro, mas um diretor de cinema deveria ter objetivos diferentes dos de um caça-talentos de agência de modelos. E não é pelo fato de a moça ser linda que vou dizer que o filme seja bom, porque, absolutamente, não é.

Mas toda esta reflexão é a de um homem adulto reconhecendo que ele próprio foi alvo da mesma manipulação durantes décadas. Não é uma queixa, mas uma constatação: aos doze anos eu babava pela Kelly LeBrock de “A Dama de Vermelho”. Mas esta criação de ícones de beleza, que faz parte do mar de estímulos sensoriais é algo recente na humanidade; não havia tal culto até o sec. XIX. O quanto este advento mudou nosso comportamento?

A mesma revolução tecnológica-midiática que faz com que meus textos circulem hoje mais facilmente que os de Homero (ou Homer, como o chamam os ingleses e americanos) em sua época também uniformiza nossos gostos e padrões, moldando nosso comportamento. Mas pelo menos fugi da obviedade boba de traçar um paralelo do tempo Homérico com o atual, dizendo que vivemos a era de Homer Simpson. Isto seria imperdoável.


Representando um papel-moeda

janeiro 11, 2009

Por Mauricio O. Dias – comoeueratrouxa

Há meses venho pensando na questão da arte como conceito – não na simples questão do nicho denominado arte conceitual – mas na arte contemporânea como um todo, e sua relação com o dinheiro. Pois o dinheiro também é um conceito, e a arte contemporânea, sob muitos aspectos, é uma nova moeda.

O valor do dinheiro é atribuído, não real. Uma nota de cem reais é (ou pode ser) feita do mesmo material que é feita a de cinco reais. Mas se aceita que a primeira vale vinte vezes o valor da outra, pois a instituição que as emite atribuiu-lhes estes valores e os confirma.

Um banco federal de um país atribui determinado valor à sua moeda, e se ele tiver credibilidade aquele valor é aceito internacionalmente, tendo em geral o valor do ouro como referência. A moeda da Suíça ou do Canadá tende a valer mais que a da Bolívia ou a do Sudão, pois os primeiros são instituições mais sólidas.

Da mesma forma, alguns CDs e DVDs custam muito mais caro que os outros. Embora materialmente todos – à exceção de edições especiais e encartes luxuosos – sejam basicamente a mesma coisa: um estojo de plástico com uma capa de papel impresso e um disco de plástico. Uma série de questões entra no valor final: popularidade dos artistas envolvidos, interesse do público, percentual da empresa que produz, direitos autorais, custos de divulgação embutidos. Penso que, principalmente, o que é decisivo no preço é o público-alvo a que se destina o produto.

Para uma distribuidora lançar aqui um cd oficial da pianista Carla Bley, tem que cobrar um preço mais caro, pois ainda que a venda no exterior daquela gravação já tenha coberto seus custos, a reprensagem local é feita para um público sabidamente mais reduzido. Para justificar os gastos e ainda dar algum lucro, a taxa de rateio é mais elevada.

E no caso das artes plásticas, quem atribui os valores? Falando apenas de artistas vivos, quem estabelece que um trabalho de tal artista vale mil vezes o valor de outro trabalho feito por outro artista?

Os marchands? Os críticos? Os jornalistas? O público consumidor? Alguém tem alguma sugestão de uma classe que esteja faltando? Cartas pra redação.

Vamos supor que o filho do Bill Gates amanhã decida pintar. O pai é dono da Microsoft, logo ele tem dinheiro de família para bancar os melhores assessores de imprensa, e assim arranjar espaço nos jornais. E o simples fato de o Bill Gates Jr. estar pintando já é em si notícia. Ele também tem dinheiro para pagar um crítico para escrever o texto do catálogo. E este crítico, e os colegas que o mesmo cultivou durante os anos de sua carreira, não vão negar publicamente as qualidades atribuídas no texto do catálogo.

E como o Gates Jr. não precisa vender o produto do seu trabalho para viver, pode jogar os preços de suas obras para qualquer valor que lhe der na telha. Arte não é feijão, não é gênero de primeira necessidade; não é tabelada. Gates Jr. diz aos quatro ventos que cada tela sua custa 200 mil dólares. Se alguém quiser pagar, ok.

Ocorre neste caso um desvirtuamento de valores, atribui-se qualidade a algo que provavelmente não a detêm. Mas até aí, tudo bem.

Pensem como a coisa pode ficar pior: Um texano dono de poços de petróleo que tem muitos negócios com Gates pai compra um quadro do Gates filho. Uma boa ação entre amigos, de repente Gates pai manda junto o equivalente a 50 mil dólares em computadores para o texano, como agradecimento pelo incentivo ao Jr. O texano abate boa parte da despesa do imposto de renda como mecenato. Doa a tela para um Museu influente de Nova York, onde passará a constar como benemérito. O quadro entra para o acervo, ficando num lugar de destaque.

Neste caso –  totalmente hipotético – a marca da grife Microsoft, o valor atribuído a esta empresa daria credibilidade aos quadros do Gates Jr. Os quadros dele seriam simbólicos deste poder, logo um conceito, uma moeda. Em vez do Bill Gates e os computadores, poderia ser um fabricante de armas e uns caixotes de Uzis.

Vamos trocá-los então por outros. Mudar também o cenário: num país da América do Sul a esposa de um ministro decide ser fotógrafa. O presidente de uma estatal daquele mesmo país destina um patrocínio de 200 mil “dinheiros” para uma exposição e a confecção de um catálogo com o trabalho da moça. Mais uma vez, melhores assessores de imprensa = espaço nos jornais.

Neste último caso o desvirtuamento foi ainda pior, pois envolveu prevaricação com o dinheiro público. E favores deste nível têm que ser pagos com favores equivalentes.

E o tempo todo, não se falou em qualidade da arte. É uma pretensa arte que tem valor econômico, pois este valor é atribuído por poderes econômicos constituídos. Mas alguém disse que é boa arte? E se alguém o disse, este alguém tem credibilidade para isso? Para um jornalista dizer que algo é bom, em contrapartida deve ter algo que ele NÃO ache bom. A alguém que nada pareça ruim, falta senso crítico. E sem senso crítico não pode haver credibilidade.

Mudemos de personagem e situação. Digamos que o bilionário russo Roman Abramovich,  dono do Chelsea, estivesse indo para a Austrália fechar um negócio, e seu jato particular caísse próximo a uma ilha do Pacífico. Abramovich e os tripulantes conseguem chegar até a Ilha, que é habitada por pescadores que quase nunca têm contato com a civilização e não falam nenhum idioma ocidental. Os celulares dos recém-chegados se estragaram pelo contato com a água salgada, mas o talão de cheques de Abramovich está ileso.

Um cheque assinado por Abramovich terá valor para aquela gente? Eles aceitarão lhe dar cocos, peixes e canoas em troca de um pedaço de papel escrito à mão? Melhor seria para ele ter uma bolsa cheia de espelhos, tesouras e facas de aço inox, isto poderia ter valor para aquela gente.

É claro, trata-se de uma situação pra lá de forçada. Tem um quê do bom selvagem de Rousseau (que eu abomino), o bilionário descobrindo que sua riqueza não vale nada para os homens simples. Mas não é bem assim. Não é que aqueles ilhéus não se interessem pela riqueza. Se for mostrado a eles que o valor do cheque significa mulheres bonitas, refeições suntuosas, criados, transatlânticos, avião particular, vinhos caríssimos, carrões, mansões, poder, eles vão se interessar. O que eles talvez não consigam seja associar a riqueza àquele pedaço de papel, que é apenas um símbolo de toda aquela riqueza.

Extrapolemos mais ainda. Criemos um milionário hipotético inglês. Não há nenhum parente, amante ou amigo dele metido com arte, mas ele decidiu que vai ‘criar’ do nada um artista. Pede a seus assessores que selecionem alguns nomes. De preferência do terceiro mundo, ajuda aos pobres é sempre bem vista. Se for de uma minoria étnica é melhor. Aí os assessores trazem um garoto analfabeto da Tanzânia que cresceu numa tribo que foi dizimada por outra tribo rival. Ensinam um pouco de inglês para o garoto, dão-lhe umas aulas de história da arte, pedem a ele que faça desenhos representando a miséria e violência em que cresceu. O garoto – criemos um nome para ele, Djembê – nunca teve como se interessar por arte, sua preocupação era sobreviver às duras condições, não ser mutilado por uma mina explosiva, jogar futebol descalço e tentar fazer sexo com as moças próximas a ele sem contrair o vírus HIV. Apesar de só ter 16 anos, Djembê já tem dois filhos – é comum entre os pobres procriar cedo.

Alguém tem dúvida que uma exposição de um personagem com esta biografia, sendo apoiado por uma força econômica, vai ser sucesso absoluto no Circuito Elisabeth Arden? Que todos os textos relatando “a coragem de Djembê” e “a luta pela inocência perdida” vão dar páginas e páginas nos cadernos culturais?

E o desenho dele, tem alguma qualidade? Isso é totalmente irrelevante. O veredicto já foi decidido de antemão.

E assim como eu criei esta biografia em minutos, qualquer milionário pode pedir a sua equipe que crie uma equivalente.  Acha que alguma instituição vai se dar ao trabalho de verificar uma pretensa tribo da Tanzânia que não tem registros oficiais escritos?

Vejam um trabalho do famoso Richard Serra no link http://www.guggenheim-bilbao.es/secciones/programacion_artistica/nombre_exposicion_claves.php?idioma=en&id_exposicion=121

Se em vez de Richard Serra, o mesmo trabalho tivesse sido feito pelo Seu Manoel da padaria, alguém lhe atribuiria algum valor?

Penso que assim como o exemplo dos cheques do bilionário, obras como esta só tem valor perante uma sociedade que feche um pacto em torno dela. Mas, fora da sociedade, cada indivíduo em seu íntimo e no recesso de seu lar, atribuirá a ela um valor bem diverso do socialmente aceito.


Algum reconhecimento para com o trabalho de roteirista

janeiro 4, 2009

Entrevista de Steven Spielberg para o programa Larry King, pode ser lida – em inglês – na íntegra no link

http://www.scruffles.net/spielberg/articles/article-017.html

Segue o trecho que optei por destacar e abaixo dele a tradução para o português:

SPIELBERG: What you see is what I can pretty much interpret through me from what the writer writes, because I have always said that without a screenplay, without a story, without a writer we have nothing. We can’t do anything without the writer.

KING: He’s the key? Or she?

SPIELBERG: The writer, she or he, that’s the key for me.

SPIELBERG: O que vc vê é o que eu consigo interpretar a partir do que o roteirista escreve, porque eu eu sempre dise que sem um roteiro, sem uma história, sem um escritor, nós não temos nada. Não podemos fazer nada sem o escritor.

King –  Ele é o ponto mais importante? Ou ela?

SPIELBERG: O escritor, ele ou ela, é a chave pra mim.