Comecei a ler Chandler graças ao Ruy Castro

fevereiro 17, 2009

Achei uma edição americana pulp de 1960 do último livro de Raymond Chandler na ‘Baratos da Ribeiro’, há mais de um ano.

Vou lançar aqui um trecho curto e ótimo deste mestre dos diálogos. O resumo da cena é o seguinte: O detetive Philip Marlowe conversa com sua cliente Betty Mayfield, com quem ele dormiu a noite passada. Ela acordou há pouco e perguntou se ele pode levá-la de volta ao hotel dela. Vejam como ele aproveita este pedido para cortar as intenções românticas da moça. Como o inglês no trecho é relativamente simples, vou deixar sem ‘translation’.

Betty: – (…) “Haven’t you ever been in love? I mean enough to want to be with a woman every day, every month, every year?

– Let’s go.

– How can such a hard man be so gentle? – she asked wonderingly.

– If I wasn’t hard, I wouldn’t be alive. If I couldn’t be gentle, I wouldn’t deserve to be alive.

Raymond Chandler, Playback, Cardinal Editions, N.Y., 1960  page 185.

Anúncios

Peter Griffin quase bateu as botas

fevereiro 14, 2009

Por Mauricio O. Dias – comoeueratrouxa

A história que se segue não é um fato recente, e nem sei o quão verdadeira é; mas é boa. Pode ser lida – em inglês – no link http://www.imdb.com/name/nm0532235/bio .

Seth MacFarlane produz e escreve as séries de animação “Uma Família da Pesada” (Family Guy), e “American Dead”, que aqui são exibidas no FX e na Globo. Também dirigiu alguns episódios. Além disso, MacFarlane faz as vozes de Stewie, o cachorro Brian e Peter Griffin.

Em 2001, ele teria se atrasado para um vôo, perdendo o avião que ia de Boston pra Los Angeles.

Só que a data era 11 de setembro, e o referido avião foi um dos que bateu no World Trade Center.

Pode ser caô, lorota, estória de pescador aumentada ao extremo. Mas imagina o nó que isso pode dar na cabeça do sujeito. Desde a linha de pensamento “Porque eu sobrevivi e mais de três mil pessoas morreram?” ao fato de que um acontecimento nestas circunstâncias provavelmente faz o cara reavaliar toda sua escala de valores e refletir muito sobre a existência.

como eu era trouxa  comoeueratroxa 

como eu era troxa


O simulacro do Ganges

fevereiro 12, 2009

Na coluna do Xexéo no Globo de 11/02/09 saiu o seguinte comentário: ‘Dona Candoca não consegue mais dormir. Viciada em “Caminho das Índias”, ela começa a se preocupar com a geração de brasileiros que certamente vão surgir batizados de Nayana, Ashima e Radesh. ‘

Uma observação  engraçada sobre uma realidade triste. Já vi acontecer antes, no mundo real. Um percentual elevado das pessoas em geral é pouco mais inteligente que um quadrúpede. Assistir a estas novelas é admissão do vazio espiritual/mental.  Deixar-se levar por modismos ditados por novela em algo importante como a escolha do nome de uma criança, aí então estamos diante do “horror” de que falava T.S. Elliot.

É fácil prever também um crescimento de um pseudo-interesse pelas religiões hindus/orientais.

Provavelmente vai ter gente falando “Namastê” na porta de baile funk.


Rei, rei, rei…

fevereiro 4, 2009

Saiu o seguinte comentário de Reinaldo Azevedo em seu blog – http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo – em 03/02, logo após uma onda de frio que assolou a Grã Bretanha e causou 40 graus Celsius negativos na Rússia:

A turma que prevê o apocalipse do aquecimento não pode se dar por satisfeita em apenas dizer: “Essas variações extremas estão previstas no modelo”. Previsto no modelo está tudo, inclusive o fim do mundo. Por que não nos advertiram para a iminência dessa onda de frio se são capazes de determinar quantos centímetros o mar vai subir na Polinésia em 2100?

Seria mais bonito admitir: “A gente não tem uma boa explicação para a intensidade do frio que faz agora no Pólo Norte e que chega ao Norte da Europa e EUA. E a gente não tem porque há coisas que, com efeito, a gente não sabe nem é capaz de prever”. Mas isso, sei, poria em questão todo o modelo escatológico, que se atreve a ser tão preciso.