Inglourious Basterds

outubro 27, 2009

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Por Mauricio O. Dias – comoeueratrouxa

Já disse num texto anterior que ‘Bastardos Inglórios’ é um filmaço. Ainda sobre ele, comento alguns pontos duvidosos do roteiro. Já tinha feito isto com os roteiros de ‘O Poderoso Chefão I e II’, ‘O Resgate do Soldado Ryan’ e outros (links ao final do texto).

Evidentemente, ao contrário dos demais, ‘Bastardos…’ não é um filme que se pretenda realista, então os pontos que vou apontar aqui são mera curiosidade, não uma crítica ao filme.

Pra que apontar tais questões, se nem eu as considero como prejudiciais ao filme? Porque estar atento a tais pontos é útil aos roteiristas; conseguir identificá-los e argumentar sobre a razão pela qual agridem a lógica propicia uma maior atenção às leis de causa/conseqüência – atenção esta que o roteirista deveria precisar na elaboração de suas próprias idéias. Aviso aos que ainda não viram o filme, comento trechos:

1)      Antes do encontro dos ‘Bastardos’ com a personagem Bridget von Hammersmark, que é uma estrela do cinema alemão, o chefe da equipe, o tenente Aldo Raine (personagem de Brad Pitt) reclama que o lugar por ela escolhido, um porão, é um péssimo lugar para uma operação. Ainda assim, ele manda para o encontro TODOS os três membros da equipe que falavam alemão. Caso a ação falhasse – como ocorre – ele corria o risco de não ter mais nenhum mebro fluente em alemão na equipe. Ok, como já dissemos, o filme não se pretende realista, e esta cena, além de mesclar tensão e humor de forma magistral serve de gancho para piadas posteriores sobre o fato de os americanos em geral não falarem um segundo idioma – e também para podermos ver os ‘Bastardos’ falando um hilário italiano macarrônico. Mas é ilógico, militares planejam as ações de modo que, falhando um plano A, ainda seja viável um plano B. Não “botam todos os ovos numa única cesta” se não houver necessidade.

2)      Se o Coronel alemão Hans Landa pretendia se entregar aos ‘Bastardos’ em troca de proteção, por que ele mata Bridget von Hammersmark – a estrela do cinema alemão? Se ele estava disposto a mudar de time, pra que ainda manter o papel de oficial da inteligência e eliminar uma colaboradora do inimigo ao qual ele pretende se entregar? Resposta: Pra Tarantino poder mostrar pela enésima vez um pé feminino desnudo, e brincar de Cinderela. Mas é ilógico.

Um dado interessante do filme é que ele apresenta um personagem negro vivendo na França ocupada. Sabemos que havia pessoas de origem africana na Europa já desde a Idade Média, Albrecht Dürer no século XVI retratou ‘Busto de um Negro’ e ‘A Moura Katharina’. E Shakespeare, ao escrever ‘Otelo, o Mouro de Veneza’, baseou-se numa obra de Giraldi Cinthio (1504-1573). Para além dos séculos de dominação moura na península ibérica, que deixaram ali a marca da miscigenação, a presença de negros em solo europeu é fartamente documentada.

Ver imagens:

‘Busto de um Negro’ no link http://reisserbilder.at/index.asp?aid=277

‘A Moura Katharina’ – http://www.garyschwartzarthistorian.nl/schwartzlist/?id=127

Mas o percentual de negros na população europeía devia ser ínfimo, e através da pseudo-historiografia fílmica muito pouco é dito da posição dos nazistas para com os negros – ao passo que qualquer garoto de doze anos sabe dos horripilantes planos nazistas para com os judeus.

O filme ‘Mephisto’, do húngaro István Szabó, é inspirado na vida real do ator Gustaf Gründgens, que após a ocupação alemã se tornou um colaboracionista. O autor da novela em que se o filme se baseou foi Klaus Mann, filho do famoso Thomas Mann. Klaus era cunhado de Gustaf.

Não sei o quão factual é o filme. Nele, o personagem do ator tem uma amante negra, e é aconselhado pelos seus parceiros nazistas a terminar o relacionamento.

Já a relação entre alemães e negros não-residentes na Europa, temos uma amostra na pequena participação do grande atleta Jesse Owens na primeira parte do ‘Olympia’ de Leni Riefenstahl.

Outros textos meus sobre roteiros de filmes célebres:

“Chinatown”; “Taxi Driver”; “O Resgate do Soldado Ryan” –

https://comoeueratrouxaaos18anos.wordpress.com/algumas-consideracoes-sobre-dramaturgia-em-filmes

“O Poderoso Chefão”

https://comoeueratrouxaaos18anos.wordpress.com/coppola-e-os-chefoes-ps

“O Poderoso Chefão II”

https://comoeueratrouxaaos18anos.wordpress.com/coppola-e-os-chefoes

“Super-Homem”; “Homem-Aranha”; “X-Men” –

https://comoeueratrouxaaos18anos.wordpress.com/se-os-diretores-respeitassem-o-publico-de-cinema-pipoca

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How can a donkey hit the bull’s eye

outubro 24, 2009

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Por Mauricio O. Dias – comoeueratrouxa

Vendo ‘Inglorious Basterds’, tive que dar a o braço a torcer: Tarantino fez um filme à altura de seus dois primeiros. Talvez até melhor, o que se deve em grande parte ao desempenho do austríaco Christoph Waltz como o oficial nazista Col. Hans Landa.

Já disse num post aqui que Tarantino era um boçal (link ao final do texto). Mantenho o que disse. Talento é uma inteligência específica, e o indivíduo ser detentor de algum tipo de talento não significa que ele seja articulado, consciente ou sábio sobre algo fora daquele universo específico em que ele atua.

Uma vez vi na TV uma entrevista do James Brown, fiquei abismado: aquele show man e compositor que influenciou toda a música pop nos anos 60 era um boçal, não falava nada que prestasse. Isaac Hayes, outro rei do balanço, era adepto fiel da cientologia. Se isso não é ser boçal, não sei então o que ser boçal significa.

Voltando aos  ‘Bastardos’, a liberdade que o filme toma com a História me fez lembrar de Watchmen (os quadrinhos, não o filme, que ainda não vi). Na HQ, graças à existência do Dr. Manhattan, os EUA venceram a guerra do Vietnã e já na década de 1980 todos os carros são elétricos – ou seja, trata-se um mundo paralelo ao nosso, uma realidade alternativa que seguiu caminhos diferentes daqueles que o nosso mundo seguiu. Este tipo de brincadeira com realidades alternativas, o primeiro exemplo que eu me lembro é Philip K. Dick e seu ‘O Homem do Castelo Alto’ (publicado em 1962), que retrata um mundo onde os alemães tivessem ganhado a Segunda Guerra. Mais tarde o autor explicou que ele teve a idéia deste livro a partir da leitura de ‘Bring the Jubilee’ de Ward Moore (1953), uma história alternativa que retrata os Estados Unidos após os Estados Confederados da América terem vencido a Guerra Civil Americana, em 1860 (o oposto do que ocorreu na realidade, caso você não tenha visto “E o vento levou…”).

Este tipo de ficção é um gênero aparentado ao exercício de construção dedutivo-especulativa da Ficção Científica.

Eu não sei porque toco nestes aspectos, mas enfim, Arnaldo Jabor na sua coluna altamente elogiosa sobre o filme em O Globo de 20/10/2009 escreveu: ‘A “loucura do mundo” virou tema de grandes produções – nuvens de fumaça para disfarçar a estupidez do óbvio, como os “Matrix”, “Clube da Luta” e tantos outros.’ (…) ‘Daí a importância de Tarantino. Ele rompe com o segredo mais bem guardado do cinema americano: o realismo burguês.

Jabor dispara, mas não sabe bem contra o que está atirando. Tampouco gosto muito destes “Matrix” (só agüentei vinte minutos) e “Clube da Luta”. Mas, Tarantino, a quem Jabor se refere como “o cineasta mais interessante do mundo”, os adora. No link que eu aponto no segundo parágrafo há um vídeo onde o diretor relaciona os melhores filmes dos anos 1990 pra cá, e tanto “Matrix” quanto “Clube da Luta” estão presentes numa lista com outros abacaxis.

Tarantino é um boçal, sim. Se não fosse, não teria feito aquelas bobagens com Robert Rodriguez, não há amizade que justifique aquilo. Voltando a questão ‘talento x entendimento’, há algum paralelo com a questão ‘instinto x razão’. Assim como os exemplos que citei do mundo da música pop, no mundo do futebol isto acontece muito. Jogadores absolutamente geniais como Pelé, Garrincha ou Maradona, verdadeiros artistas da bola, nunca demonstraram em relação ao esporte uma clareza que os teria permitido serem bons técnicos – ou simplesmente falar algo aproveitável sobre este esporte que tão bem representaram.

O post com o link para Tarantino falando de cinema: https://comoeueratrouxaaos18anos.wordpress.com/2009/08/18/as-dumb-as-an-actor


Um velho compositor bahiano

outubro 14, 2009

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Por Mauricio O. Dias – comoeueratrouxa

Imagino que a esta altura todos já tenham ouvido das polêmicas declarações de Caetano Veloso sobre Woody Allen.

Mas aquilo é apenas um trecho de uma extensa entrevista, e se destacado do restante, fica um pouco fora de contexto, soa como um ataque de ocasião aproveitando o momento – em que existe a possibilidade do norte-americano filmar no Rio de Janeiro.

Para quem gosta de cinema vale a pena ler na íntegra, embora seja difícil achar algo de relevante ali. Nota-se também a falta de um revisor: fala-se em “roupa beje” (sic, erro este que o Geneton manteve ao lançar trechos em sua coluna-blog); e, referindo-se ao pintor francês, lemos “Césane” (sic de novo).

Não me desagrada a idéia de ver um cantor falar de cinema, desde que fique claro que não se trata de um expert do assunto. O problema ocorre quando ele próprio acredita ser.

Caetano é fã declarado de João Gilberto. Nunca li uma entrevista do mestre da bossa-nova, ele é tido como alguém extremamente reservado. Nem quando um entrevistador bota um microfone diante dele, João  sente-se à vontade – sendo o entrevistador Amaury Jr. isto é compreensível, ver entrevista no link:

http://www.youtube.com/watch?v=X3ylWmzJ7lc

(By the way, onde o Nelson Motta arranjou aqueles óculos?)

Bem que a persona pública de Caetano poderia se assemelhar um pouquinho mais à de João Gilberto.

A entrevista de Caetano está em

http://culturaeartesa.com.br/?p=888#more-888


Speedy Gonzalez

outubro 5, 2009

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Protesto na porta da Disney acaba com a prisão de manifestantes. Agora, saca a cara de mexicano do sujeito vestido de Mickey.  Tá mais pra Ligeirinho. Arriba, arriba, arriba!

Mickey-algemado

Se você não sabe quem é o Ligeirinho,  segue uma imagem abaixo:

speedy_gonzales