How can a donkey hit the bull’s eye

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Por Mauricio O. Dias – comoeueratrouxa

Vendo ‘Inglorious Basterds’, tive que dar a o braço a torcer: Tarantino fez um filme à altura de seus dois primeiros. Talvez até melhor, o que se deve em grande parte ao desempenho do austríaco Christoph Waltz como o oficial nazista Col. Hans Landa.

Já disse num post aqui que Tarantino era um boçal (link ao final do texto). Mantenho o que disse. Talento é uma inteligência específica, e o indivíduo ser detentor de algum tipo de talento não significa que ele seja articulado, consciente ou sábio sobre algo fora daquele universo específico em que ele atua.

Uma vez vi na TV uma entrevista do James Brown, fiquei abismado: aquele show man e compositor que influenciou toda a música pop nos anos 60 era um boçal, não falava nada que prestasse. Isaac Hayes, outro rei do balanço, era adepto fiel da cientologia. Se isso não é ser boçal, não sei então o que ser boçal significa.

Voltando aos  ‘Bastardos’, a liberdade que o filme toma com a História me fez lembrar de Watchmen (os quadrinhos, não o filme, que ainda não vi). Na HQ, graças à existência do Dr. Manhattan, os EUA venceram a guerra do Vietnã e já na década de 1980 todos os carros são elétricos – ou seja, trata-se um mundo paralelo ao nosso, uma realidade alternativa que seguiu caminhos diferentes daqueles que o nosso mundo seguiu. Este tipo de brincadeira com realidades alternativas, o primeiro exemplo que eu me lembro é Philip K. Dick e seu ‘O Homem do Castelo Alto’ (publicado em 1962), que retrata um mundo onde os alemães tivessem ganhado a Segunda Guerra. Mais tarde o autor explicou que ele teve a idéia deste livro a partir da leitura de ‘Bring the Jubilee’ de Ward Moore (1953), uma história alternativa que retrata os Estados Unidos após os Estados Confederados da América terem vencido a Guerra Civil Americana, em 1860 (o oposto do que ocorreu na realidade, caso você não tenha visto “E o vento levou…”).

Este tipo de ficção é um gênero aparentado ao exercício de construção dedutivo-especulativa da Ficção Científica.

Eu não sei porque toco nestes aspectos, mas enfim, Arnaldo Jabor na sua coluna altamente elogiosa sobre o filme em O Globo de 20/10/2009 escreveu: ‘A “loucura do mundo” virou tema de grandes produções – nuvens de fumaça para disfarçar a estupidez do óbvio, como os “Matrix”, “Clube da Luta” e tantos outros.’ (…) ‘Daí a importância de Tarantino. Ele rompe com o segredo mais bem guardado do cinema americano: o realismo burguês.

Jabor dispara, mas não sabe bem contra o que está atirando. Tampouco gosto muito destes “Matrix” (só agüentei vinte minutos) e “Clube da Luta”. Mas, Tarantino, a quem Jabor se refere como “o cineasta mais interessante do mundo”, os adora. No link que eu aponto no segundo parágrafo há um vídeo onde o diretor relaciona os melhores filmes dos anos 1990 pra cá, e tanto “Matrix” quanto “Clube da Luta” estão presentes numa lista com outros abacaxis.

Tarantino é um boçal, sim. Se não fosse, não teria feito aquelas bobagens com Robert Rodriguez, não há amizade que justifique aquilo. Voltando a questão ‘talento x entendimento’, há algum paralelo com a questão ‘instinto x razão’. Assim como os exemplos que citei do mundo da música pop, no mundo do futebol isto acontece muito. Jogadores absolutamente geniais como Pelé, Garrincha ou Maradona, verdadeiros artistas da bola, nunca demonstraram em relação ao esporte uma clareza que os teria permitido serem bons técnicos – ou simplesmente falar algo aproveitável sobre este esporte que tão bem representaram.

O post com o link para Tarantino falando de cinema: https://comoeueratrouxaaos18anos.wordpress.com/2009/08/18/as-dumb-as-an-actor

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