Chateando o leitor em dois idiomas

dezembro 30, 2009

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Achei na internet o roteiro em inglês de ‘Bastardos Inglórios’. Resolvi, num exercício de escrita, mudar uma cena. Está tudo EM INGLÊS, cerca de 12 páginas, no link abaixo:

https://comoeueratrouxaaos18anos.wordpress.com/a-new-joke-for-the-screenplay-of-inglourious-basterds


Yeshua

dezembro 22, 2009

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(Obs. no texto abaixo indico links que foram posteriormente retirados do ar. Para ter uma idéia dos trabalhos a que se refere, vale dar um pulo nos links http://kevissimo.com/project/sanctus e http://kevissimo.com/series/tributes-for-kings – neste último, correr a barra horizontal. )

Bom natal a todos.

Aproveitando o período, deixo aqui link para as fotos digitalmente manipuladas de Kevin Rolly. O resultado final é, no mínimo, curioso:

http://kevissimo.com/stations/stations/index.htm

E aqui o making of, onde se vê o processo de feitura das fotos:

http://kevissimo.com/stations/journeyto/makingof.htm


Avatar

dezembro 17, 2009

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Por Mauricio O. Dias – comoeueratrouxa

Abaixo, link para a extensa matéria da Veja sobre o filme ‘Avatar’. O que leva um homem de mais de 50 anos de idade – o diretor e roteirista James Cameron – a manter o imaginário de um garoto de 12?

Vendo os filmes de Cameron você se questiona se este cara sabe que no mundo real as pessoas têm que aturar empregos monótonos, comportamento abusivo alheio, falta de dinheiro, solidão, frustração, doença na família… Pois parece que as únicas questões que interessam ao sujeito são robôs e seres de outros planetas, algo tão desconectado do mundo concreto em que vivemos, que me leva a pensar se seria ele um autista. A não ser que Cameron não acredite no que faz, e encare aquilo apenas como uma forma de ganhar MUITO dinheiro.

Ok, ele fez AQUELE filme do naufrágio, que não resvalava pra ficção científica e se baseava num fato real (e ainda assim, o que se vê na tela é completamente infantilizado); e ‘True Lies’ –  mas este era um remake de um filme francês, La totale!

E o mais paradoxal é que se disponibilize fortunas assombrosas para James Cameron criar suas infantilidades. Ok, ele dá lucro – na maioria das vezes. Mas este é o mesmo mundo que fez Rembrandt, Mozart e Van Gogh passarem por dificuldades econômicas? O mundo em que Kurosawa e Orson Welles enfrentaram dificuldades para arranjar dinheiro para filmar?

Devo reconhecer que os filmes de Cameron são bem feitos, roteiros bem amarrados dentro de seus parâmetros. Pra quem gosta – eu tive a minha fase, confesso que na adolescência adorei o ‘Exterminador’ –  deve ser um prato cheio. Provavelmente acharei ‘Avatar’ interessante também. Mas o que critico neste texto aqui não são os filmes, e sim a visão do sujeito.

Tinha que ter um spa compulsório para ignorantes, ao menos para aqueles da indústria cultural, onde o sujeito seria obrigado a ler e ouvir palestras sobre alguns grandes livros. E o interno teria de escrever um relatório no final.

O texto da Veja:

http://veja.abril.com.br/161209/admiravel-mundo-novo-p-196.shtml


Enterrem na curva do rio

dezembro 13, 2009

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Por Mauricio O. Dias – comoeueratrouxa

A foto acima retrata o músico Sting, na época em que ele se aproximou dos índios brasileiros. Ela tem um pouco a ver com tema sobre o qual pretendo escrever.

Desde os ideais hippies do final dos anos 1960, surgiu na mídia uma idealização dos índios, uma tentativa meio na linha Rousseau de encará-los como portadores de ideais de paz e amor. Besteira, claro, as tribos viveram em guerra umas com as outras por séculos, mesmo antes da chegada dos europeus à América.

Nas últimas décadas, fotografar índios virou um lugar comum, um apelo tardio em prol de povos já alijados de sua essência.

Rendeu até tira em quadrinhos do Dahmer:

http://www.malvados.com.br/index295.html

Mas nem sempre foi assim.

Edward Sheriff Curtis (1868 – 1952), ou simplesmente Edward Curtis, foi um fotógrafo americano que no final do século XIX começou a retratar os índios dos EUA. Em 1906 ganhou uma bolsa do bilionário J.P. Morgan para produzir séries de fotografias que mostrassem o modo de vida destes povos, o qual estava já ameaçado pelo progresso.

Depois de perder o estúdio para a ex-esposa no divórcio, nos anos 1920 Curtis mudou-se para Los Angeles, e chegou a trabalhar como assistente de câmera para Cecil B. DeMille.

Há muita discussão sobre qual o valor etnográfico real do trabalho de Curtis. Ele manipulava a cenografia para fazer os índios parecerem mais ‘autênticos’ do que na verdade eram – por exemplo, se os índios tivessem uma diligência (carroça coberta, típico produto do homem branco), ele mandava escondê-la antes de fotografar.

Evidentemente, estamos falando de um período em que a visão da etnografia como ciência ainda engatinhava.

Aqui se encontram alguns dos trabalhos de Edward Curtis

(uma vez na página, clique nas imagens para ampliá-las) :

http://www.edwardcurtis.com/Sheets/gravure1.html

http://www.edwardcurtis.com/Sheets/gravure4.html

http://www.edwardcurtis.com/Sheets/gravure7.html

Quem se interessar, pode achar mais fotos na internet. No link abaixo, são encontradas divididas pelo nome das tribos fotografadas – Apache, Pima, Mohave:

http://www.worldwisdom.com/public/imagegallery/gallery.aspx?cat=Edward%20Curtis&Page=2


Uma velha perola

dezembro 10, 2009

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Por Mauricio O. Dias – comoeueratrouxa

Esta vida de cinéfilo já me acompanha há uns vinte anos, mas volta e meia ainda me reserva uma surpresas.

Vi ontem ‘Demônio de Mulher’ (‘It Should Happen to You’, 1954).

O director George Cukor e a atriz Judy Holliday já haviam trabalhado juntos em quatro filmes, a maioria deles com o roteirista Garson Kanin, inclusive o clássico ‘Nascida Ontem’.

Em ‘Demônio…’, anuncia-se o culto à celebridade sem a preocupação de haver uma causa para tal celebridade.  A pessoa fica famosa por estar na mídia, não porque fez algo que justifique fama.

Isto se vê ali com pelo menos quarenta anos de antecedência a esta praga de reality shows que tomou a TV no mundo todo.

O filme é levinho, divertido. O talento cômico de Judy Holliday é inegável. A cena em que ela sobe e desce uma escadaria seguidas vezes em meio a uma discussão com um extremamente jovem Jack Lemmon é digna de antologia.

Não sei se ela teria capacidade para se desvencilhar da persona fílmica que criou, e render em outros tipos de personagem. É trágico que um câncer a tenha levado aos 43 anos de idade.


Lendo o horóscopo

dezembro 2, 2009

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Por Mauricio O. Dias – comoeueratrouxa

Numa de suas crônicas, a divertida “Aconteceu com Orestes”, Rubem Braga narra-nos sua relação com os horóscopos publicados em jornais.

Devo confessar que, por influência de um amigo da faculdade, adquiri este condenável hábito. Não direi o nome do sujeito por enquanto, mas é alguém que já foi citado aqui anteriormente. Ele, sempre que estávamos em grupo, sacava de um periódico e lia em voz alta seu horóscopo, em tom de deboche. Se o prognóstico lhe fosse positivo, lançava-nos um sorriso contente. Se fosse ruim, ensaiava um olhar de apreensão. Puro teatro.

Augúrios e presságios a parte, por conta disso, passei eu também a ler o que me reservariam os astros. Não digo que astrologia seja uma completa balela, conheço gente culta que se dedica ao assunto. Mas como levar a sério previsões de jornal?

Ora, entrando ainda agora no site do IBGE, leio que a população estimada para o Brasil hoje é de 192 milhões de habitantes. Claro que haverá variações entre o número de nativos de cada signo, mas, para ter uma média, dividamos esta cifra pelo número de meses. Têm-se, em média 16 milhões de brasileiros nascidos sob a égide de cada signo do zodíaco. Não importa se o(a) brasileiro(a) em questão tem noventa ou três anos de idade. Se nasceu entre 22 de novembro e 21 de dezembro, será de sagitário. Vejamos então o que o horóscopo de O Globo neste 2 de dezembro de 2009 reserva para os nativos deste signo: “Este momento pode lhe trazer a sensação de que os acontecimentos estão um tanto fora de seu controle. Não se assuste. A atitude de fazer o que você já sabe e esperar para ver o que vai dar será a mais vantajosa.”

Estas palavras, em teoria, valem para 16 milhões de sagitarianos. Não importa se o sagitariano ou sagitariana em questão nasceu em 1915 ou em 2004; não importa se nasceu num barraco numa periferia do Piauí ou num apartamento de seis quartos no Morumbi; não importa sexo, credo, etnia, grau de instrução. Se você é sagitariano, sua sorte há de ser esta, igual a de outros 15 milhões, 999 mil e 999 outros sagitarianos.

Dá vontade de ir para a maternidade de um hospital, e, observando os recém-nascidos, ditar-lhes, como se fosse o Oráculo de Delfos, a sorte que o dia lhes reserva: – Vós, pequeninos sagitarianos, ainda iletrados e inconscientes, a partir deste instante, tomai ciência que “este momento pode lhe trazer a sensação de que os acontecimentos estão um tanto fora de seu controle…”