Send in the Clowns

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Por Mauricio O. Dias – comoeueratrouxa

Certa vez ouvi pessoalmente de um GRANDE artista plástico brasileiro, referindo-se a ‘O Gordo e o Magro’ (em inglês ‘Laurel and Hardy‘) :
Eles, o Buster Keaton, Totó… para mim estes todos estão entre os maiores artistas do século XX. Levaram alegria para milhões de pessoas.

Entendo perfeitamente o que ele disse. Cresci vendo os velhos episódios de meia hora da dupla na TV, tinha coisas geniais.
Há alguns anos assisti um documentário sobre eles, e falava-se como a fama da dupla fôra mundial. Há um trecho particularmente tocante, que daria uma grande cena de cinema: Encerrada a Segunda Guerra, já em 1947, e bem após o apogeu de seu sucesso, que se dera entre 1930-36, eles foram fazer uma tour na Inglaterra. Não sabiam se ainda tinha apelo para serem bem recebidos e estavam receosos: dois comediantes na faixa dos 55 anos de idade, conscientes do fato de já estarem no outono de suas carreiras.

Logo ao entrarem no palco, o publico levantou-se, ficando de pé para aplaudi-los por alguns minutos (pense no que significa um aplauso coletivo durar mais de um minuto!). Hardy – o Gordo – , emocionadíssimo, chorou convulsivamente.

Só de pensar nesta cena, me emociono. “Nine out of ten film stars make me cry“, como há muito tempo falou um compositor bahiano. (continua…)

O meu gosto por comédia e minha permanente nostalgia me fizeram baixar alguns Looney Tunes (‘Gaguinho e Patolino’; ‘Piu Piu e Frajola’; ‘Papa Léguas e Coyote’; ‘Pernalonga’; links para baixá-los ao final do texto). Estou dando a cara a tapa aqui: Em certa medida, confessar que na minha idade ainda sou capaz de ver Looney Tunes é como assistir a lutas de vale-tudo ou a filmes pornôs: coisas, que as pessoas bem-educadas não deveriam fazer; e se as fazem, deveriam ter o bom senso de não admitir em público. Uma das muitas vantagens de ter sobrinhos é que você pode mentir e dizer que estava baixando os desenhos pra mostrar a eles.

Imagino que quase todos, em alguma ocasião, já tenham visto na TV o desenho animado exibido na foto acima.
Era um lobo (ou coiote) magrelo tentando roubar ovelhas que eram vigiadas por um cão pastor corpulento. Não sei se tinha nome em português, no original era ‘Wolf and Sheepdog’, ou ‘Ralph and Sam’.
O mais engraçado é que em vários dos episódios – talvez em todos, foram feitos apenas sete ao longo dos anos 1950 e 60 – o lobo e o coiote chegavam de manhã ao local, se cumprimentavam amistosamente, batiam cartões de ponto e esperavam a sirene tocar para assumir seus papéis.
A partir daí, o lobo tentava seguidas vezes, e das formas mais estapafúrdias, roubar uma das ovelhas. Desnecessário dizer que falhava sempre: em muitas ele se ferrava sozinho, em outras era interpelado pelo cão pastor, sempre com direito a murros, quedas de penhasco, esmagamento por rochas imensas, explosões.
Tocava a sirene de novo, o lobo e o cão batiam novamente seus cartões, se despediam na maior cordialidade, e seguiam, presumivelmente, cada um para sua casa. Isto é que é surrealismo.

Penso que a diferença corporal entre a esqualidez do Lobo e a  corpulência do cão pastor seja de alguma forma um tributo a ‘Laurel and Hardy‘.

O animador americano Chuck Jones (1912 – 2002) foi o principal nome por trás de todos os desenhos citados (‘Pernalonga’; etc.), feitos entre 1939 e 1963 – mas a carreira dele durou pelo menos cinco décadas.
Lembro da imagem de Quentin Tarantino aplaudindo e gritando entusiasticamente em 1996, quando Jones recebeu o Oscar Honorário pelo conjunto de sua carreira – ele já recebera a estatueta uma vez por ‘The Dot and the Line: A Romance in Lower Mathematics‘ (1965).

É claro que após baixar os desenhos, fui conferir algumas informações na web. Ora, vejam só:  Sempre achei que neste desenho animado d’ ‘O Lobo e o Cão-Pastor’, o protagonista fosse o mesmo personagem que persegue o ‘Papa-Léguas’ (‘The Road Runner‘), mas só agora descobri que, na verdade, apesar das enooormes semelhanças, possuem identidades diferentes:

http://en.wikipedia.org/wiki/Ralph_Wolf

http://en.wikipedia.org/wiki/Wile_E._Coyote

‘O Gordo e o Magro’
http://www.laurelandhardy.org

Para baixar ‘Looney Tunes’ :

(obs. N.A. – Cerca de um ano após a publicação deste texto, percebi que o link abaixo não mais era válido.)

http://cine-anarquia.blogspot.com/2010/06/looney-tunes-golden-collection-dvdrip.html

2 respostas para Send in the Clowns

  1. Para mim também é absolutamente novo descobrir que o coiote do papa-léguas não estava também neste outro desenho. Agora, eu gostava mesmo é do frango que sentava a porrada no buldogue feroz e depois colocava o porrete na mão do cachorro rival dele. Maravilhoso.
    Quanto a Stan Laurel e Oliver Hardy, me divertem e comovem. Divertem porque são geniais mesmo. Comovem porque são um humor que deixou de existir, ou coisa assim.

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