Mais quadrinhos sem desenhos

novembro 26, 2010

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Esqueci de dar link aqui na página principal para a minha última história em quadrinhos sem desenhos – a quarta da série:

http://bit.ly/et1wkk . ou

https://comoeueratrouxaaos18anos.wordpress.com/quadrinhos-sem-desenhos-4-2

Ao final da referida página há link para a terceira história em quadrinhos sem desenhos; a qual por sua vez tem link para a segunda, e assim por diante.

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Puberdade exposta

novembro 19, 2010

GIOVENTU – Eliseu Visconti, 1898

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Por Mauricio O. Dias – comoeueratrouxa

Participei em 2008 da criação de um roteiro que falava de prostituição infanto-juvenil – ‘Sonhos Roubados’, de Sandra Werneck. Tenho consciência que é um assunto terrivelmente complicado, e tremo de pensar que a prática retratada no filme seja comum em vários lugares do mundo.

Isto posto, vou tratar do assunto sobre outro foco: Jodie Foster tinha 13 anos quando participou das filmagens de ‘Taxi Driver’(1976). Brooke Shields tinha 12 quando filmou ‘Pretty Baby’(1978). Em ambos os filmes elas interpretam prostitutas.

ATENÇÃO PARA QUEM AINDA NÃO VIU OS FILMES, vou contar detalhes que podem estragar as surpresas que os filmes sempre reservam aos espectadores. Se não quiser saber, pare por aqui.

Revendo os filmes, uma questão me veio à mente: Por que o fato de Brooke fazer uma prostituta me parece muito mais ‘child exploitation’ (exploração infantil) do que Jodie interpretando semelhante papel? Aliás, nunca me incomodou a participação de Jodie em ‘Taxi Driver’. Já ao rever ‘Pretty Baby’, após mais de dez anos sem o assistir, senti repugnância.

Listemos possíveis causas:

1)      Nudez – Brooke aparece nua em algumas cenas. Jodie, em nenhum momento.

2)     Estrutura física. É desconfortável escrever sobre isto – demonstra que prestei mais atenção à anatomia das meninas do que o bom senso recomenda confessar em público: Jodie parece mais encorpada que Brooke. Em ‘Taxi Driver’ pode-se já chamá-la de mocinha, enquanto Brooke em ‘Pretty Baby’ é, inquestionavelmente, uma criança. Aos olhos do senso comum, qualquer envolvimento de um adulto com uma delas é pedofilia, mas tal ato praticado com a criança Brooke é ainda mais brutal do que com a mocinha Jodie. Este encoparmento maior de Jodie é ainda mais inusitado ao sabermos que, com ambas adultas, ela será vinte e dois centímetros mais baixa que Brooke.

3)      Apelo à beleza – Jodie está em ‘Taxi Driver’ por ter revelado de forma incrivelmente precoce um verdadeiro talento para a atuação. Sua intepretação no filme é um trabalho consumado, que lhe rendeu louvores da crítica e de seus pares – no livro ‘Como a Geração Sexo-Drogas-e-Rock’n’roll Salvou Hollywood’, Peter Biskind conta que o talento da menina encantava seu colega Robert de Niro. E ela já havia trabalhado anteriormente com o mesmo Scorsese em ‘Alice Não Mora Mais Aqui’. Já Brooke estrela ‘Pretty Baby’ unicamente por ser MUITO bonita, ou seja, há um apelo estético ao público claramente associado à sexualização infantil – pode-se ver numa das cenas que ela não tem nem vestígio de seio. Ao mesmo tempo, há uma certa glamurização do personagem de Brooke – Violet, a menina criada no bordel. A primeira meia hora de filme é toda uma construída antecipação para o momento em que ela será introduzida ao “Grand Monde“. O espectador é induzido a ansiar por aquilo, o que é extremamente perverso. Na cena em que ela é levada numa espécie de padiola-bandeja, para ter sua virgindade leiloada aos clientes, há um esoforço conjunto de ‘mise-en-scène’, cenografia e iluminação para deixar claro que se trata de uma diva. É claro que esta idealização encontra-se já na trama em relação ao personagem e não apenas à atriz: Violet é preparada para ser a jóia da coroa do bordel. Todos na casa sabem do potencial de lucro que sua beleza oferece. Já o personagem de Jodie, Iris, é totalmente desglamurizada, se veste como uma rampeira cafona (o que também é indicador do contexto do ambiente e época em que ela vive).

4)      Proteção à criança – Descubrimos que o personagem de Jodie, Iris, fugira de sua cidade do interior e acabou se prostituindo em Nova York. Não vemos seus pais, mas uma carta enviada por eles no final do filme nos dá algumas pistas: são pessoas pobres, mas devem ser decentes e amarem sua filha. Já Violet (Brooke), assim como outras crianças em ‘Pretty Baby’, é filha de uma prostituta e criada no bordel desde o nascimento. Sua mãe faz sexo com alguns clientes na presença de Violet para que ela já vá se familiarizando com o ofício que virá a exercer. Ou seja, Jodie fugiu do ninho e acabou se violando. Já o ninho de Brooke é um antro, e ela é violada ali mesmo, com a total conivência daquela que deveria protegê-la.

5)     Justiçamento para os pedófilos – ao final de ‘Taxi Driver’, o personagem de Robert de Niro sai matando os que se aproveitavam de Iris, num banho de sangue e fúria – não estou justificando o ato do personagem; mas, sinceramente, também não o condeno: aqueles ali mereciam o que acaba por lhes acontecer. Já em ‘Pretty Baby’ todos os asquerosos burgueses que participaram do leilão da criança escapam sem sofrerem nenhuma conseqüência. A incapacitada e amoral mãe de Violet ainda é recompensada com um bom casamento. A cafetina dona da casa termina por ter seu estabelecimento fechado – isto ocorre sem nenhuma  conexão com o fato de Violet se prostituir ali – , mas no filme fica sugerido que irá reabrir seu negócio em outra cidade. O fotógrafo bilontra* sofre ao final por ter de se separar da menina, já que realmente se apaixonara por ela. Mas ninguém é punido.  (*bilontra, segundo o Aurélio: “adj. e s.m. Espertalhão, velhaco, patife. / Bras. Diz-se de, ou indivíduo metido a conquistador. / Freqüentador de prostíbulos.” Sei que é uma palavra incomum, já que espero há anos uma oportunidade de utilizá-la, e esta nunca tinha surgido até agora. Assim, tive que a usar, sabe lá quando terei outra chance?)

Por tudo isto, ‘Taxi Driver’ me parece mais moral, e a presença de uma personagem prostituída na infância ali, menos apelativa. Que ele aborde a questão da pedofilia de forma mais condenatória do que se vê em ‘Pretty Baby’ é ainda mais claro se levarmos em conta o peso dos personagens – ‘Taxi Driver’ não é sobre uma prostituta de 13 anos, mas sobre um motorista de táxi com problemas psiquiátricos. Jodie não interpreta o personagem principal, e só vai ganhar importância na trama na segunda metade do filme. Já ‘Pretty Baby’ é sobre uma prostituta de 12 anos, o personagem de Brooke é, inequivocamente, o principal.  Outros podem discordar de mim, e dizer que um é tão pesado quanto o outro, claro.

Deve o cinema ser necessariamente moral? Pode-se repetir a pergunta substituindo ‘o cinema’ por ‘a arte’. Talvez não. Mas uma coisa é ser moralmente dúbio quando se faz uma comédia sobre o uso da maconha, como ‘Segurando as Pontas’ de David Gordon Green, ou sobre qual o valor da fidelidade conjugal, como o clássico de Jean Renoir ‘A Regra do Jogo’. Prostituição infantil é um tema muito mais sério.

Sobretudo, vendo ‘Pretty Baby’ me veio o pensamento, não em relação à personagem, mas em relação à atriz Brooke Shields: que tipo de pai deixa uma menina de doze anos participar de um filme que tenha cenas como estas?


Manchando a reputação alheia

novembro 14, 2010

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Por Mauricio O. Dias – comoeueratrouxa

Há quase uma década escrevi um texto sobre Francis Ford Coppola, o qual ainda está disponível on line (www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=874).

Ali coloco a respeito do filme ‘O Poderoso Chefão’ (The Godfather):

Havia no livro um personagem paralelo, um cantor fracassado, que nos anos 50 deseja um papel num filme de guerra, o qual ele crê que o tiraria do ostracismo. Para obter este papel, recorre a seus amigos da “Cosa Nostra”. Todo mundo associou a trama a um velho amigo da Máfia, Frank Sinatra. No início dos anos 50, sua carreira estava em baixa e ele ressurgiu como uma fênix, graças em boa parte, a seu papel de Maggio em “A Um Passo Da Eternidade” (From Here To Eternity, de Fred Zinnemann, 1953), pelo qual ganhou o Oscar e o Globo de Ouro de Ator coadjuvante.

Certa vez, em 1971, Sinatra encontrou Puzo num restaurante, e esculhambou-o, quase agredindo-o fisicamente.

(…)

Os (Poderosos) “Chefões” I e II, obras-primas inquestionáveis,  são a demolição completa do mito do “self made man”. A primeira frase do primeiro filme é “Eu acredito na América”, dito por um ítalo-americano.  Segue-se o show de violência e corrupção, que só faz desmentir a frase. E como já comentei, também ataca-se sutilmente um dos maiores ícones da cultura americana do século XX, Frank Sinatra. E não é por acaso que no segundo filme, boa parte da ação se passa em Cuba, que é exposta como playground da máfia, até estourar a revolução.

Pode-se argumentar que apesar do enfoque sempre no lado negro do american dream, o que é mostrado nestes filmes aconteceu de verdade. Não é bem assim. Segundo Ruy Castro, nos verbetes dedicados a Sinatra em Saudades do Século XX (Cia. Das Letras), o episódio envolvendo o blue eyes em Chefão provavelmente não passa de ficção. (…)

Hoje (14-11-2010) tive acesso a mais um indício de que o que se fez foi uma bela difamação com Sinatra:

“(Eli) Wallach turned down a role in “From Here to Eternity” (1953) to appear in Elia Kazan’s Broadway production of Tennessee Williams’s Camino Real.  Frank Sinatra stepped in and ultimately took home an Oscar® for his performance. ” [Wallach recusou um papel em “A Um Passo da  Eternidade” (1953) para aparecer na produção da Broadway que Elia Kazan preparou para ‘Camino Real’ de Tennessee Williams.  Frank Sinatra entrou em seu lugar e acabou levando um Oscar para casa.] Extraído de http://www.oscars.org/awards/governors/2010/wallach.html#didyouknow ou http://bit.ly/bQSRkL

Este fato ocorrido em 1953 foi trazido a público em 1972, quando ‘O Poderoso Chefão’ tornou-se a maior bilheteria de todos os tempos até então? Ou preferiram manter um silêncio?

Sinatra  fora um democrata, inclusive ajudando a eleger John Kennedy presidente – e depois foi posto de lado pelos Kennedys, terminando por converter-se em republicano. Era um símbolo da grande música popular americana  em plena era da guitarra e dos protestos de John Lennon contra o Vietnã. Seria Sinatra alguém a ser deliberadamente esquecido?


Mais de 50 anos dedicados ao entretenimento

novembro 4, 2010

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Uma cena clássica do programa do Chico Anysio dos anos 1980 serve para mostrar como o politicamente correto é nocivo para o humor.

Antes de clicar no link abaixo certifique-se de que suas caixas de som estão ligadas:

http://bit.ly/cl09nR

ou

http://www.youtube.com/watch?v=V0R50MNpbL0&p=02A62E913E220030&index=2&playnext=2