Manchando a reputação alheia

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Por Mauricio O. Dias – comoeueratrouxa

Há quase uma década escrevi um texto sobre Francis Ford Coppola, o qual ainda está disponível on line (www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=874).

Ali coloco a respeito do filme ‘O Poderoso Chefão’ (The Godfather):

Havia no livro um personagem paralelo, um cantor fracassado, que nos anos 50 deseja um papel num filme de guerra, o qual ele crê que o tiraria do ostracismo. Para obter este papel, recorre a seus amigos da “Cosa Nostra”. Todo mundo associou a trama a um velho amigo da Máfia, Frank Sinatra. No início dos anos 50, sua carreira estava em baixa e ele ressurgiu como uma fênix, graças em boa parte, a seu papel de Maggio em “A Um Passo Da Eternidade” (From Here To Eternity, de Fred Zinnemann, 1953), pelo qual ganhou o Oscar e o Globo de Ouro de Ator coadjuvante.

Certa vez, em 1971, Sinatra encontrou Puzo num restaurante, e esculhambou-o, quase agredindo-o fisicamente.

(…)

Os (Poderosos) “Chefões” I e II, obras-primas inquestionáveis,  são a demolição completa do mito do “self made man”. A primeira frase do primeiro filme é “Eu acredito na América”, dito por um ítalo-americano.  Segue-se o show de violência e corrupção, que só faz desmentir a frase. E como já comentei, também ataca-se sutilmente um dos maiores ícones da cultura americana do século XX, Frank Sinatra. E não é por acaso que no segundo filme, boa parte da ação se passa em Cuba, que é exposta como playground da máfia, até estourar a revolução.

Pode-se argumentar que apesar do enfoque sempre no lado negro do american dream, o que é mostrado nestes filmes aconteceu de verdade. Não é bem assim. Segundo Ruy Castro, nos verbetes dedicados a Sinatra em Saudades do Século XX (Cia. Das Letras), o episódio envolvendo o blue eyes em Chefão provavelmente não passa de ficção. (…)

Hoje (14-11-2010) tive acesso a mais um indício de que o que se fez foi uma bela difamação com Sinatra:

“(Eli) Wallach turned down a role in “From Here to Eternity” (1953) to appear in Elia Kazan’s Broadway production of Tennessee Williams’s Camino Real.  Frank Sinatra stepped in and ultimately took home an Oscar® for his performance. ” [Wallach recusou um papel em “A Um Passo da  Eternidade” (1953) para aparecer na produção da Broadway que Elia Kazan preparou para ‘Camino Real’ de Tennessee Williams.  Frank Sinatra entrou em seu lugar e acabou levando um Oscar para casa.] Extraído de http://www.oscars.org/awards/governors/2010/wallach.html#didyouknow ou http://bit.ly/bQSRkL

Este fato ocorrido em 1953 foi trazido a público em 1972, quando ‘O Poderoso Chefão’ tornou-se a maior bilheteria de todos os tempos até então? Ou preferiram manter um silêncio?

Sinatra  fora um democrata, inclusive ajudando a eleger John Kennedy presidente – e depois foi posto de lado pelos Kennedys, terminando por converter-se em republicano. Era um símbolo da grande música popular americana  em plena era da guitarra e dos protestos de John Lennon contra o Vietnã. Seria Sinatra alguém a ser deliberadamente esquecido?

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