Ser ou nao ser

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Por Mauricio O. Dias – comoeueratrouxa

O cineasta italiano Mario Monicelli suicidou-se, pulando da janela do hospital em que se encontrava, no dia 29 de novembro de 2010. Tinha 95 anos, e estava internado devido a um câncer na próstata.

Foi um mestre da comédia italiana, e as condições tristes que envolvem sua morte contrastam brutalmente com a alegria que pode ser vista em seus melhores filmes.

Escrevi a um amigo um email com algumas reflexões em tom de desalento, e terminei com um último parágrafo, que além de considerações pessoais, continha este trecho:

“Não sei se o suicídio do Monicelli me tocou mais do que deveria, e talvez seja o motivador desta missiva. Além dos dois ‘Amici Miei‘ e Brancaleone, tenho no HD externo ‘La Grande Guerra‘ e ‘Guardie e Ladri‘, com Totó e Aldo Fabrizi (o sogro de ‘Nós Que Nos Amávamos Tanto’), deliciosa mistura de comédia e drama.”

Aqui uma breve explanação ao leitor, que não foi necessária no email ao referido amigo, já que, sendo ele ex-estudante apaixonado de cinema, sabia exatamente do que eu falava:  ‘Amici Miei‘ são duas comédias, dos anos 1970 e 80 que aqui se chamaram ‘Meus Caros Amigos’ e ‘Quinteto Irreverente’,  estreladas por Ugo Tognazzi, Philippe Noiret, Adolfo Celi e Gastone Moschin. O primeiro filme da série iria ser dirigido por Pietro Germi, mas este morreu antes das filmagens. São duas obras-primas do humor grosso, sendo ambos os filmes chauvinistas e politicamente incorretos ao extremo.

O meu amigo respondeu que encarava a morte de Monicelli mais como eutanásia do que suicídio. É um bom argumento. Mas que droga de mundo, um sujeito que não quer mais viver não tem direito a tomar uma pílula e acabar de uma forma serena com isso? Tem que pular da janela, aos 95 anos? Será que nesta idade ele ainda tinha força pra escalar a janela, ou precisou empurrar uma cadeira pra perto e fazer uma escadinha?

Alguns dias matutando a questão, acabei lembrando de um autor que conheci em 2008, em meio a uma situação particular que foi extremamente difícil. A leitura de uma de suas obras serviu à época de material para reflexão:

Viktor Frankl (1905-1997), psiquiatra austríaco, foi prisioneiro de campo de concentração durante a Segunda Guerra Mundial. É o fundador da logoterapia. Sua biografia pode ser lida em:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Viktor_Frankl

Achei vídeos de uma entrevista com o Dr. Viktor Frankl ( COM LEGENDAS EM PORTUGUÊS):

parte 1

http://www.youtube.com/watch?v=5cd2KANOJuU

parte 2

http://www.youtube.com/watch?v=mBxVZTbi6q4

parte 3

http://www.youtube.com/watch?v=TXB85tjjJg8

Aqui ele fala sobre suicídio (EM INGLÊS, SEM LEGENDAS):

http://www.youtube.com/watch?v=ClFUKOItgCw

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