Sobre rever filmes

Versões editadas de emails enviados ao amigo Jorge Albernaz (http://twitter.com/#!/JLAlbernaz)

4 de janeiro de 2011

Outro dia desses revi trechos de ‘Coração Selvagem’ ( mais informações em http://www.imdb.com/title/tt0100935 )  enquanto rolavam os anúncios de um programa que eu via em outro canal. Já não via o filme há pelo menos 10 anos. À medida que os anos passam eu vou ficando mais ranzinza e sem paciência. Ou estamos todos? O que eu sei é que os personagens que compõe o par central, o fanático por Elvis e sua groupie, configuraram-se tão insuportáveis, que eu pensava: como posso já ter aturado isso?

E porque aqueles personagens me irritaram tanto agora? Por serem imbecis? Imbecis também são os pistoleiros de ‘Pulp Fiction’, os caipiras e hippies de ‘Fargo’ e ‘O Grande Lebowski’, o Kramer do ‘Seinfeld’, muitos outros, e eu não os odeio.

Então odiei os de ‘Coração Selvagem’ por serem artificiais? Por serem levados a sério pelo realizador? Talvez seja mais por aí.

Além disso, aquela estranheza-hermética forçada que Lynch tenta infundir em algumas cenas, pra deleitar os deslumbradinhos – há a mãe que ‘corta’ os pulsos com batom, a mulher com a perna mais curta que a outra; só faltou o anão dançando de ‘Twin Peaks’.

Os poucos minutos que assisti configuraram-se uma tortura. Rever o filme na íntegra me parece ser tarefa impossível.

12 de fevereiro de 2011

Tentei duas vezes desde o ano passado rever o ‘Last Tango in Paris’ do Bertolucci, e desisti no meio. (*)

Pondo à parte o show do Marlon Brando e a beleza da trilha sonora (já baixou?) , achei tudo absurdamente artificial.

O namoradinho cineasta corno-manso da Schneider filmando-a, o jeito que Brando a pega no colo logo no primeiro – e casual – encontro, a gargalhada absurda que a negra da portaria do prédio dá quando AGARRA a mão da Schneider na primeira cena em que se vêem, e alguns diálogos patéticos – ela imitando os gritos de um macaco em pleno ato.

Eu não consigo mais ir adiante vendo estas coisas: É muita masturbação pseudo-artística.

Tenho Bertolucci como uma das maiores supervalorizações artísticas de nosso tempo. Ele não é, em princípio, uma fraude, como tantos outros. Embora que, se levarmos em conta sua carreira apenas de ‘Beleza Roubada’ (1996) para cá, poderá causar esta impressão (Tem gente que gosta de ‘Assédio’, mas não vi nada ali que me encantasse).

Revendo seus filmes, mesmo ‘O Conformista’ que me impactou muito quando da primeira vez, não vejo verdade, só manipulação – lógico é que o cinema sempre é manipulação, mas esta não deveria ser tão evidente aos olhos do espectador quanto se vê ali.

Os filmes têm beleza e atmosfera – muitas vezes, uma beleza fácil, como mostrar Liv Tyler ou Eva Green e efebos brincando de mostra-não-mostra – mas não consigo mais me prender naquilo.

Ok, ele foi um dos que escreveu o argumento de ‘Era Uma Vez no Oeste’, e merece palmas por isto.

13 de fevereiro de 2011

(…)

Então, muita coisa não aturo mais.

Agora, os Woody dos anos 80, os Chefões do Coppola, são filmes que eu já vi entre 5 e 15 vezes (o Chefão 1 talvez mais), eu tenho cópia deles ou em dvd ou no hd externo, e, se eu ligar a tv de noite e, por acaso  estiverem passando, assisto de novo, com prazer.

(*) – O filme foi reprisado em fevereiro de 2011 em homenagem à atriz Maria Schneider, falecida no dia 3 do mesmo mês. Aqui os Trapalhões prestam homenagem a Maria Schneider, cerca de 1983 : http://bit.ly/esuKEA ou http://www.youtube.com/watch?v=_B0-uPU-QhY#t=1m22s

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