Pra quem tiver de bobeira, um texto

março 29, 2011

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Novo texto meu no digestivocultural, foi escrito antes da morte de Elizabeth Taylor, a qual cabia no contexto e a quem esqueci de incluir – http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=3292

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Um artista

março 21, 2011

Vejam os trabalhos deste artista norte-americano em

http://www.robertliberace.com/figureDrawings/gallery.htm

http://www.robertliberace.com/figurePaintings/gallery.htm

http://www.robertliberace.com/penAndInk/gallery.htm

Nas próprias páginas há uma série de opções, clicar nos quadradinhos abaixo das imagens e os da coluna à esquerda, abaixo de ‘GALLERIES’.


Revendo filmes – mais uma vez

março 9, 2011

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Por Mauricio O. Dias – comoeueratrouxa

Ontem, depois de uns vinte anos, revi ‘Faça a Coisa Certa’ de Spike Lee. E, como sempre, a idade faz você ver as coisas mais claramente. É um dos filmes mais racistas que eu já vi, além do ódio inter-racial que ele se esforça para mostrar – ou fomentar? – , os personagens negros são uma colcha de estereótipos tais, que se o filme fosse feito por um diretor branco em vez de um negro, iam dizer que era um novo ‘O Nascimento de Uma Nação’ (D.W. Griffith, 1915).

O filme se passa no Brooklyn, N.Y., em meio a uma onda de calor. Apenas dois personagens negros são mostrados trabalhando: Mister Señor Love Daddy, o DJ interpretado por Samuel L. Jackson; e Mookie, o personagem vivido pelo próprio diretor Spike Lee – personagem que, aliás, durante o expediente faz corpo mole e demonstra má vontade diante de qualquer solicitação do patrão (e, na vida pessoal, é mostrado como um pai relapso).

Os demais personagens negros: um bêbado velho; um deficiente mental; três vagabundos que ficam sentados numa calçada o dia inteiro falando besteira; um gigante anti-social que anda com um boombox – aparelho de som portátil – pra cima e pra baixo ouvindo rap em altíssimo volume, sem ligar se incomoda a alguém. Jovens vivem abrindo hidrantes para darem banhos uns nos outros, as mulheres sentam nas escadas para se pentearem uma às outras. Beira o folclórico. Umas caricaturas tais, e todo mundo se conhece, aquilo parecia vagamente familiar, eu tava vendo a hora que alguém ia gritar: ‘- Odorico Paraguaçu ladrão!’

Porque o Brooklyn criado por Spike Lee é quase uma Sucupira*.

Em meio a este mar de personagens abjetos, destaca-se Buggin Out (interpretado por Giancarlo Esposito; ainda foram achar um ator negro com nome italiano…), um pária que tenta obter algum destaque na comunidade promovendo o ódio inter-racial, reivindicando de forma abusiva junto aos não-negros que estes tenham atitudes quase que servis em relação aos negros.

Curioso é que o personagem do pizzaiolo Salvatore ‘Sal’ Fragione – vivido por Danny Aiello – é altamente simpático, tem bom relacionamento com a maioria negra que compõe a população local, e não é caracterizado como alguém que esteja só fazendo política de boa vizinhança: Nas cenas em que conversa com seu filho racista, ‘Sal’ afirma sua simpatia e boa vontade para com os vizinhos – e não há nenhum negro presente no momento, ou seja, ele NÃO está jogando pra torcida. Então, o desfecho da trama, com a turba contra ele, ganha ainda mais ares de injustiça – e fico sem saber se esta era de fato a intenção do diretor (e único roteirista creditado) Spike Lee.

O filme é bem realizado, bela fotografia, figurinos e cenografia abusando de cores quentes. É um espetáculo que vale a pena.

Quanto aos vinte minutos finais do filme, é difícil imaginar uma representação na tela que seja mais perniciosa à raça negra do que esta. Tanto a depredação da pizzaria – as tomadas internas – quanto o fato de Mookie ir cobrar um pagamento ao dono do lugar – lugar o qual, ele, então funcionário da casa, foi o primeiro a depredar – , mostram personagens trilhando uma linha entre o animalesco e a ingratidão mais vil. Se um diretor branco tivesse construído este filme, da forma exata que ele é, não passaria impune ao ataque da opinião pública.

* – Cidade fictícia onde se passa a ação da peça ‘O Bem Amado’, de Dias Gomes.