Os anos passam, a maioria das coisas não muda

Por Mauricio O. Dias – comoeueratrouxa
Com o passar dos anos, a capacidade de se indignar arrefece em prol do reconhecimento da dificuldade de mudar as coisas que lhe parecem erradas? O idealismo deve fatalmente ser substituído pelo pragmatismo?
Fiquei pensando nisto ao achar em meus arquivos um texto escrito há uns quinze anos, e que jamais havia vindo a público. Segue o mesmo abaixo, inseri uma referência à banda larga de internet e outra à wikipedia, as quais não constavam do texto original. Publicá-lo aqui não vai ter efeito nenhum, claro, mas  manifestar-se é uma necessidade humana:
O alto percentual de pessoas ignorantes já é um problema sério. Mas o fato de não terem noção do QUÃO ignorantes elas são é um problema ainda maior. Mal comparando, uma pessoa ser cega, é para ela, sem dúvida, um grande problema. Mas se ela ignorasse as limitações que este fato lhe impõe, seria pior. Imaginem o seguinte diálogo surreal:
“-Vou dirigir este ônibus escolar cheio de crianças.”
– Não pode, meu amigo, você é cego. Vai causar um acidente, matar gente…

A ignorância é assim. Por desconhecer as limitações inerentes que o fato de ser ignorante acarreta, a ignorância do indivíduo deixa de ser apenas uma fonte de problemas individuais para ele, e se torna, além disto, também um problema para a sociedade. A pílula anticoncepcional já foi medicamente aprovada há mais de cinquenta anos, mas idiotas seguem botando filhos no mundo, mesmo sem terem condições de fornecer a parte da educação que os pais devem prover – sim, pois educação não é só questão de escola. Não adiantaria mandar uma criança para uma boa escola e os pais ficarem xingando-se mutuamente na frente da criança, o pai chegar em casa bêbado, a mãe sair com diferentes homens toda semana. Educação é um processo permanente, e a criança não fica 24 horas por dia na escola, então parte da educação é sim feita em casa, na vizinhança onde mora, etc.

Mas, esta hipótese levantada, a de mandar uma criança para uma boa escola, é realidade para um percentual bem pequeno da população brasileira. E todo mundo sabe que a educação pública no Brasil é um lixo.

– Ah, mas não deveria ser assim…” Não deveria, mas é. Ponto. É um fato, e não vai mudar nos próximos dez anos.

Aproveitando o ensejo: Todo mundo sabe que a saúde pública no Brasil é precária. Repita a mesma argumentação do trecho acima. Então, por que pessoas que não podem pagar um colégio decente por quatorze anos, mais uns cinco anos de curso de inglês, mais uns vinte anos de plano de saúde, mais uma banda larga de internet – fundamental nos dias de hoje – ainda acham que podem ter filho? (e, principalmente, ‘filhoS’, no plural, com ‘s’ no final) Além da pílula anticoncepcional , preservativos, DIU, vasectomia, ligadura de trompas (laqueadura), em caso de necessidade extrema, há a pílula do dia seguinte – http://pt.wikipedia.org/wiki/P%C3%ADlula_do_dia_seguinte

Não tenha filhos se você não tem dinheiro. Não amplie seu problema financeiro, e não o estenda a seu(s) filho(s)  – condenando-os à uma educação parca, grande é a chance que eles jamais venham a ter dinheiro. E numa situação destas, o culpado maior por uma vida difícil e com pouco conforto não será a sociedade, as elites, o governo, os EUA, mas sim os pais da criança em questão, pois são eles que detinham o poder de impedir que ela nascesse.

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