No país de Albrecht Dürer

novembro 9, 2014

No jornal ‘O Globo’ de hoje, 09/11/2014, há uma matéria sobre as dificuldades que ainda existem na Alemanha em decorrência da unificação (pags. 50-52).
Num box fala-se de como Leipzig se tornou um pólo cultural, e de um artista de lá, Neo Rauch, 54 anos, que, segundo a matéria “mal consegue dar conta das inúmeras encomendas que recebe de colecionadores do mundo inteiro, fascinados pela sua arte monumental, expressiva e melancólica, embora o seu quadro mais barato custe mais de $ milhão de euros.
($1 euro = $3,19 reais)
Confesso que não conhecia. Fui procurar o trabalho do sujeito na internet. É figurativo, influenciado pelo realismo-socialista, e, de acordo com a wikipedia “suas pinturas monumentais tem como influência a obra de surrealistas como Giorgio de Chirico e René Magritte“.
Sei que a wikipedia não é fonte respeitável, mas realmente o trabalho dele lembra mesmo os dos pintores citados. O que, em linguagem honesta, é o mesmo que dizer: É uma MERDA de todo o tamanho.
Vejam vocês mesmos, cliquem nas obras para ampliá-las:
http://www.davidzwirner.com/artists/neo-rauch/survey
http://www.davidzwirner.com/artists/neo-rauch/survey/page/2
http://www.davidzwirner.com/artists/neo-rauch/survey/page/3
http://www.davidzwirner.com/artists/neo-rauch/survey/page/4

Agora, pensar que tem alguém dando R$ 3 milhões nisso, faz lembrar a frase atribuída ao famoso dono de circo americano, P.T. Barnum (1810 – 1891) , mas que na verdade foi dita por um certo David Hannum, rival de Barnum. A frase é: “There’s a sucker born every minute” (“A cada minuto nasce um otário”).


Vuillard

fevereiro 18, 2012

O grande pintor francês Édouard Vuillard (1868 – 1940), talvez o mais talentoso do grupo dos pintores Nabis  (termo hebraico para ‘profetas’).
Tinha genuína vocação para o decorativo, sem que este termo tenha algo de pejorativo.
Alguns de seus belos trabalhos podem ser vistos nestes links:
http://www.abcgallery.com/V/vuillard/vuillard.html
http://www.abcgallery.com/V/vuillard/vuillard-2.html

Clicando nas imagens, elas ampliam.


Mais pintores brasileiros

janeiro 24, 2012

Se você estiver na cidade do Rio de Janeiro e quiser comprar um livro sobre Cézanne ou Van Gogh, basta dar uma rodada pelas livrarias. Outros pintores são mais difíceis de achar, como Delacroix ou Goya. Alguns outros são virtualmente impossíveis, só podem ser encontrados usados em sites como o http://www.estantevirtual.com.br , ou, em último caso,  importando pela amazon.com
O mais triste é que livros sobre a maioria dos pintores brasileiros de 1850 até 1950 são dificílimos de achar por aqui. E olha que estamos falando da segunda maior cidade do país, capital da colônia de 1763 a 1806, capital do Império Português (na época da vinda de Dom João VI, 1806-1821), capital do Brasil de 1822 a 1960 (período do Império e da República), antiga sede da Academia Imperial de Belas Artes – a primeira escola de arte do país – e do Museu Nacional de Belas Artes.
Ou seja, é uma vergonha o desinteresse do público e a falta de uma política que levasse empresas privadas e governo a investirem para divulgar um pouco mais os nomes do passado. Uma rara exceção é o site do Itaú Cultural – http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_ic/index.cfm , que apesar de algumas lacunas, ao menos demonstra uma vontade de apoiar a divulgação cultural.

Seguem alguns links onde se pode ver trabalhos de pintores brasileiros da virada do séc. XIX para o XX:

http://www.eliseuvisconti.com.br/Catalogo/Tecnica/1/Pinturas-a-oleo.aspx

http://commons.wikimedia.org/wiki/Oscar_Pereira_da_Silva

http://commons.wikimedia.org/wiki/Category:João_Timóteo_da_Costa

http://commons.wikimedia.org/wiki/Category:Arthur_Tim%C3%B3theo_da_Costa

http://commons.wikimedia.org/wiki/Category:Rodolfo_Amoedo

http://commons.wikimedia.org/wiki/Henrique_Bernardelli


Meu nome é Legião

junho 16, 2011

Por Mauricio O. Dias – comoeueratrouxa

Creditado como um dos pintores favoritos de Portinari no livro ‘Portinari desenhista’ (Ralph Camargo, 1977), Jacques Villon (1875-1963) tem alguns dados biográficos curiosos.

Jacques Villon era na verdade um pseudônimo, em homenagem ao poeta medieval francês François Villon.
O pseudônimo foi adotado em 1895 quando o então jovem artista decidiu se dedicar integralmente à prática do desenho e da pintura.
Seu nome real era Gaston Emile Duchamp. Ele era irmão mais velho do famigerado Marcel Duchamp – aquele do urinol – e de mais um escultor e uma pintora.

Entre atores, aqui como nos EUA, a prática de mudar o nome para exercer a profissão era relativamente comum até a primeira metade do século XX: Fernanda Montenegro, Paulo Gracindo, Lima Duarte, Kirk Douglas, John Wayne, Tony Curtis, Jerry Lewis… Tem um pouco a ver com o ofício, ao mudarem o nome já estão de certa forma renegando quem eram na origem para tornarem-se personagens.
Agora, um pintor fazer o mesmo? E renegar o nome de seus antepassados e seus pais para homenagear um ‘poeta medieval’? Me engana que eu gosto… E não, ele não o fez por vergonha da obra do irmão (risos)… Segundo o relato, Marcelzinho tinha apenas oito anos quando o fato se deu.

Não consigo entender alguém trocar nome e sobrenome, salvo em caso do indivíduo ter sido contemplado com um nome horroroso, ou para fugir a  perseguição, religiosa ou política. Há algo de patricida nesta ação, Dr. Freud haveria de concordar. Pode ser uma possível chave para entender a iconoclastia – ou fraudulência artística, dependendo de quem vê – que futuramente nortearia a vida do irmão Marcel.

Talvez Calvin Tomkins já tenha abordado este tópico na biografia que escreveu sobre o inventor dos ‘ready mades‘; eu teria que me interessar o suficiente sobre Marcel Duchamp para saber – e isto não ocorre.
Nos links abaixo pode-se ver alguns trabalhos de ‘Jacques Villon’:

Clicando nas imagens elas ampliam:
http://www.jacquesvillon.info/jacques_villon_originals.html

http://www.nga.gov/cgi-bin/tsearch?oldartistid=209810&imageset=1
(clicar sobre as imagens ou em ‘Full Screen Image’)


Tem que ter um especialista no assunto

junho 17, 2009

Por Mauricio O. Dias – comoeueratrouxa

Vi num sebo um livro sobre Rembrandt. Folheei-o, estava em ótimo estado, arrisco-me até a dizer que nunca foi lido; a qualidade das reproduções era muito boa (como já disse antes, isto é o mais importante para mim num livro de arte), tinha bom tamanho – livro de pintura pequeno reduz muito as imagens – e o preço baratinho. Comprei. O livro é ‘A Arte de Rembrandt’, de Douglas Mannering, Ed. Ao Livro Técnico S.A.

Estou lendo aos poucos, em meio a outros livros. Mas, o primeiro parágrafo da orelha do livro traz algo que achei inconcebível. Não aparece ninguém assinando esta orelha e não me parece ser transcrição de algum trecho do livro: “A pintura holandesa tem uma história não muito longa. Só no Século XVII é que apareceu como uma importante escola européia, quando fatores históricos, religiosos e sociais lhe deram estímulo e um lugar onde florir.”

Como assim? E Van Eyck?* E Rogier Van der Weyden?* Hyeronimus Bosch? E Bruegel, o Velho?* Quem escreveu este trecho destacado no parágrafo anterior? É coisa da edição brasileira, ou é erro importado com a edição original? Seja como for, quem escreveu a orelha, escreveu de ‘orelhada’ (do michaelis.uol.com.br/moderno/portugues : ‘por ouvir dizer, sem maior conhecimento do assunto.’).

* – Os marcados com asteriscos nasceram em cidades que hoje fazem parte da Bélgica, mas na época, ao que me consta Bélgica e Holanda ainda não existiam como estados autônomos, era tudo Países Baixos.


Beleza americana

maio 15, 2009

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Abaixo, lanço links para trabalhos de pintores norte-americanos do séc. XIX.  São, grosso modo, contemporâneos dos impressionistas franceses.

Uma vez na a página, há que a rolar pra baixo. Com a página aberta, você aperta a tecla F11 da fileira superior do teclado, as imagens ocupam a tela inteira do monitor. Repetindo a operação, volta ao modo normal de exibição.

O problema é que a proporção de base por altura do monitor do computador muitas vezes não se encaixa bem nas proporções da obra. Mas, para quem não os conhece, já dá para ter um contato com o trabalho de cada um.

James Whistler

Algumas imagens representativas de seu trabalho:

http://www.artrenewal.org/pages/artwork.php?artworkid=4224&size=large

http://www.artrenewal.org/pages/artwork.php?artworkid=27312&size=large

http://www.artrenewal.org/pages/artwork.php?artworkid=27298&size=large

Tem muitas gravuras dele também, como esta:

http://www.artrenewal.org/pages/artwork.php?artworkid=13951&size=large

Índice de seus trabalhos (11 páginas ao todo)

http://www.artrenewal.org/pages/artist.php?artistid=652

Thomas Eakins

Algumas imagens representativas de seu trabalho:

http://www.artrenewal.org/pages/artwork.php?artworkid=10877&size=large

http://www.artrenewal.org/pages/artwork.php?artworkid=27002&size=large

http://www.artrenewal.org/pages/artwork.php?artworkid=1197&size=large

Índice de seus trabalhos (13 páginas ao todo)

http://www.artrenewal.org/pages/artist.php?artistid=83

John Singer Sargent

Algumas imagens representativas de seu trabalho:

http://www.artrenewal.org/pages/artwork.php?artworkid=27599&size=large

http://www.artrenewal.org/pages/artwork.php?artworkid=13702&size=large

http://www.artrenewal.org/pages/artwork.php?artworkid=27198&size=large

http://www.artrenewal.org/pages/artwork.php?artworkid=27595&size=large

Índice de seus trabalhos (44 – ! –  páginas ao todo)

http://www.artrenewal.org/pages/artist.php?artistid=187

Winslow Homer (aquarelas)

Algumas imagens representativas de seu trabalho:

http://www.artrenewal.org/pages/artwork.php?artworkid=31520&size=large

http://www.artrenewal.org/pages/artwork.php?artworkid=31408&size=large

http://www.artrenewal.org/pages/artwork.php?artworkid=31508&size=large

Índice de seus trabalhos (21 páginas ao todo)

http://www.artrenewal.org/pages/artist.php?artistid=897


Sinédoque

março 24, 2009

Por Mauricio O. Dias – comoeueratrouxa

Outro dia mandei um email a um velho amigo o meu, comentando com contrariedade um fato: uma conhecida dele se envolveu numa picaretagem artística das grossas, obtendo um apoio estatal.

Ele ironizou, sugerindo tal qual um flamenguista ao fim do Campeonato Carioca de 2008, que o que eu fazia era “chororô”.

Curioso é que ele mesmo admite que a proposta contemplada é totalmente sem propósito ou razão de ser. Para mim, a aprovação de verba para algo assim parece resultado de conluio(s); a pessoa que liberou a verba leva 10 % – prática corriqueira – ou tem algum relacionamento com o grupo beneficiado. Sobre o possível plural depois do termo ‘conluio’, cabe ali esta possibilidade graças à pergunta: por que critério se escolhe os que vão escolher?

Ah, os selecionadores têm mestrado, doutorado, etc., em arte.

Eu pergunto: Sabem desenhar? Pintam? Esculpem? Conheço ‘doutores em arte’ que não sabem desenhar uma figura ou o fazem primariamente. Porque, sem pelo menos uns três anos de estudo prático de desenho (fora um estudo teórico concomitante, absolutamente necessário),  o sujeito não tem conhecimento para tal.

Por conta desse desconhecimento prático, muitos críticos contemporâneos não sabem diferenciar um grande desenho de um medíocre. E existe dentro da Academia interesse em fazer com que saber de cor e salteado a biografia de Man Ray seja mais importante do que reconhecer e atribuir qualidade (ou a falta dela) à arte como ofício.

Todo um segmento da crítica ignora milhares de anos dos diversos ofícios em prol dos que nos últimos cem anos criaram o desprezo pelo ofício – deixando bem claro que, nos mesmos cem anos, outros seguiram a tradição figurativa com qualidade, sob tendências diversas: Matisse, Balthus, Giacometti, Kokoschka, Portinari, Lucian Freud…

E tem-se a coragem de a este desprezo pelo ofício chamar-se História da arte, com ‘h’ maiúsculo mesmo. É uma inversão perversa demais para ser fruto do acaso, isto é algo que foi urdido e reforçado ao longo das décadas. O que ocorre, é uma ‘metonímia’ no foco do estudo da teoria e história da arte. Concentram-se os artigos e estudos (e a concessão de verbas para tal) num determinado segmento de um determinado período histórico, e chamam isto de ‘História da arte’, ‘Teoria da arte’, dando o nome do ‘todo’ ao que é apenas uma parte bem pequena dele – parte esta que nem de longe é a mais relevante.

E como os selecionadores, curadores, etc, nos últimos trinta anos  já são formados nesta visão, dão quase sempre preferência  aos ‘praticantes’ que seguem este esquema; e é aí que acaba virando conluio sobre conluio, igual a juros em cascata. Pois, através da persuasão teórica, e da seleção direcionada, estende-se o benefício desta falta de know how – um direito do crítico, porque ele é um teórico – ao produtor de arte.

Um diálogo imaginário (Os quadros citados podem ser vistos em links ao final do texto.):

E aí, historiador da arte? Explica o esquema de composição da “Ressurreição” de Piero della Francesca?

– Bem, eu…

Como Rembrandt trabalhou as passagens de “A Noiva Judia”?

– Ah, bom, aí…

Explica como se deu o aprofundamento do uso da luminosidade no decorrer da obra de Turner?

– Seria uma pesquisa complexa…

Qual a secreção corporal que Duchamp jogou na tela e chamou de arte?

– Ah, essa eu sei! Foi sêmen! – ele responde aos pulinhos.

O diálogo é um exagero meu, claro. Não se pode esperar que um indivíduo tenha na ponta da língua a resposta a qualquer pergunta feita sobre um campo tão vasto quanto a história da arte.

Minha tréplica ao meu amigo (o do primeiro parágrafo) eu lanço aqui:

“Quando o ser humano não tem mais a capacidade de se indignar, é porque abriu mão de uma parte de sua humanidade.”

Links para as imagens (apertando a tecla F11 da fileira superior do teclado, as imagens ocupam a tela inteira do monitor. Repetindo a operação, volta ao modo normal de exibição.)

A Noiva Judia –

http://www.artrenewal.org/pages/artwork.php?artworkid=13209&size=large

Ressurreição –

http://www.artrenewal.org/pages/artwork.php?artworkid=25538

A obra de Joseph Mallord William Turner – uma vez na página rolar a barra pra baixo e clicar nas imagens desejadas. Tem 14 (!) páginas de imagens dele no site.

http://www.artrenewal.org/pages/artist.php?artistid=1137

http://www.artrenewal.org/pages/artist.php?artistid=1137&page=11