Uma era de mediocridade

março 14, 2013

Tirado de um livrinho interessante:

Outro tipo mentiroso e politicamente correto é o “artista”. As artes plásticas contemporâneas ajudam muito para isso, na medida em que gente que não sabe desenhar pode ser artista figurativo. Nada que eu consiga desenhar ou pintar pode ser levado a sério como arte figurativa, porque eu não sei pintar ou desenhar nada. Um amigo num caderno cultural importante ou uma tese de mestrado ilegível numa universidade de nome sobre a obra de alguém pode fazer dele um grande artista. A crítica da forma e da coerência na ‘narrativa estética’ (que em si pode sim ter um significado) tornou-se um grande cabide de emprego para artistas falsos, mas bem relacionados.’

Luiz Felipe Pondé, em ‘Guia Politicamente Incorreto da Filosofia’; edição de 2012; pág 101-102.

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Saindo da prensa

novembro 25, 2012

Descobri um blog ligado à gravura, escrito em inglês. Nele há também algo de ‘contextualização social’ – o próprio autor, de quem não sei o nome, ou de onde vem, faz uma declaração de intenções no topo do blog: “A place for talking about art, social issues, and most anything else I think” (“Um lugar para falar de arte, questões sociais, e mais qualquer coisa que eu pense” ). Isto não é algo que me agrade: Arte pode ter um contexto social, as obras de Käthe Kolwitz, Portinari e outros tinham uma temática ligada ao social, mas só é válido se a grandeza de sua arte nunca ficar em segundo plano em relação ao panfletarismo.

Em um dos posts o autor do blog apresenta um artista mexicano da seguinte forma: “Better than Daumier: Mexico’s Jose Guadalupe Posada” (“Melhor que Daumier:  O mexicano Jose Guadalupe Posada”). Melhor que Daumier?… Não conheço a íntegra da obra do artista em questão, mas pelo que vi das imagens postadas ali, não parece  – o link é

http://thatsinkedup.blogspot.com.br/2012/05/better-than-daumier-mexicos-jose.html (as reproduções são pequenas. Outras obras do artista podem ser vistas em

http://donlupe.blogspot.com.br/2007/11/calavera-cone-verdadeiramente-mexicano.html ).

Na verdade, esta frase que abre o citado post é um absurdo. Daumier é um dos grandes desenhistas da história. Evidentemente, quem fala uma besteira destas não pode ser levado muito a sério.

Mas deixemos passar este absurdo, e nos concentremos no todo…  Claro que muitos dos ‘artistas’ apresentados ali são irrelevantes.  Ainda assim, o blog apresentou-me a artistas (agora sem as aspas) muito interessantes, cujas obras valem a pena ser vistas – algumas das imagens, é possível ampliá-las com o clique de um mouse.

http://thatsinkedup.blogspot.com.br/2012/01/prowess-and-dusk-in-lee-newmans-prints.html

http://thatsinkedup.blogspot.com.br/2012/02/enchantments-of-hawaii-prints-by-john.html

http://thatsinkedup.blogspot.com.br/2012/10/peterson-kamwathi-kenyan-print-crusader.html

http://thatsinkedup.blogspot.com.br/2012/04/lisbeth-firmin-reaffirms-solitude-of.html

http://thatsinkedup.blogspot.com.br/2012/10/irving-amen-intellectual-print-master.html

http://thatsinkedup.blogspot.com.br/2012/07/james-lesesne-wells-african-american.html

http://thatsinkedup.blogspot.com.br/2012/07/nigerias-national-pride-printmaker.html


Post Post Scriptum

julho 2, 2012

Revi ontem, pela quinta vez, ‘Onde os Fracos não têm Vez’ dos irmãos Coen, que acho interessantíssimo.
Se ainda não viu o filme e pretende fazê-lo, melhor parar a leitura, pois vou comentar cenas.
Se for continuar a ler, sobre o mesmo filme já escrevi:

https://comoeueratrouxaaos18anos.wordpress.com/2008/08/23/digressoes-minhas-em-cima-de-digressoes-dos-irmaos-coen

Depois da revisão de ontem,segue um adendo ao(s) texto(s):

Só agora, revendo-o mais uma vez, me dei conta de uma repetição que ocorre no filme: Quando o ‘mocinho’, seriamente ferido, atravessa a ponte da fronteira EUA-México, encontra três jovens e oferece $ 500 (dólares! Em 1980, quando um dólar tinha consideravelmente mais poder de compra do que hoje.) pela camisa de um deles. Depois de selado o acordo, o mocinho pede a cerveja que um dos rapazes trazia. Num ato de ganância, o rapaz pergunta “Quanto ele daria pela cerveja”, sendo em seguida fulminado por um olhar indignado do mocinho. Um outro rapaz fala, mais motivado pelo medo do que por qualquer senso de caridade, para o amigo dar a cerveja ao mocinho.
Ao final do filme, quando o ‘vilão’ sofre um acidente de carro, e sai mancando, ferido, dois garotos de uns 14 anos se aproximam, montados em bicicletas. Perguntam se ele está bem, e o vilão pergunta quanto ($) um deles quer em troca da camisa que usa. O menino diz que dará a camisa a ele, e, a pedido do vilão, que está impossibilitado, dá um nó nas mangas, para que a camisa sirva de tipóia. O vilão estende-lhe uma nota (não consegui identificar o valor), o menino inicialmente recusa, dizendo que “Não se importa de ajudar as pessoas. Isto é muito dinheiro”. O vilão insiste, o garoto aceita. O vilão se afasta andando, os dois garotos começam a discutir se o dinheiro deveria ser dividido entre eles ou não.

Qual o sentido disso? Aquele dinheiro era amaldiçoado, e quem bota os olhos nele fica contaminado pelo ‘germe da ganância’? Seria uma analogia para a relação da humanidade com o dinheiro? Será possível que os irmãos Coen tenham resolvido ser tão moralistas? Não é simplório demais?

(Esta nova leitura do filme exclui a que elaborei anteriormente  neste mesmo blog – “E o final do filme, com o acidente de carro, é uma bobagem do tipo daquelas que David Lynch costuma fazer em seus filmes: buscar a estranheza surreal como valor artístico per se.” – ), e a qual, reconheço, estava equivocada. “Feliz do homem que pode rever suas opiniões“, costumava dizer um velho amigo. Esta nova leitura  do filme muda também o enfoque sobre o filme que coloquei em outro texto, que se encontra em https://comoeueratrouxaaos18anos.wordpress.com/2008/08/30/um-pouco-mais-sobre-onde-os-fracos-nao-tem-vez (Já são três textos sobre o mesmo filme, escritos ao longo de um intervalo de quatro anos. Não posso dizer que ele não rende assunto.) Neste texto de 2008 apontava que o filme carecia de sentido moral. E neste, de agora,  chego a uma conclusão (ainda não definitiva) oposta, a de que o filme seria moralista, no pior sentido da palavra. Pois se há mesmo esta ‘mensagem’ de que ‘o dinheiro corrompe e é a fonte de todos os males’, ela é idiota, e eu preferiria que não houvesse  ‘mensagem’ alguma. Mas talvez eu precise rever mais uma ou duas vezes o filme…


Tudo no papel, com grafite ou carvão

junho 2, 2012

Por Mauricio O. Dias

Já são catorze anos dedicando-me ao aprendizado do desenho. Tive a imensa sorte de ter aula por nove anos com o artista e professor Lydio Bandeira de Mello, que além de mestre tornou-se também um amigo querido. Foi todo um período de aprendizado valiosíssimo que sempre levarei na memória.

Conheci várias pessoas legais e, através da troca de idéias e informações, tive acesso a obra de artistas do passado que são desconhecidos de grande parte do público, como Théodore Géricault, Joaquín Sorolla ou John Singer Sargent, os quais jamais vi serem citados em um jornal ou programa de TV, em detrimento de fraudes e patologias que a mídia tenta nos impingir como arte.

Com o estudo contínuo a ‘capacidade de leitura de desenho’ expande numa escala espantosa. Aos olhos de quem é totalmente leigo no assunto, como já fui, qualquer ilustrador de publicidade ou quadrinhos que faça figuras ‘realistas’ – os quais em geral calcam todo seu trabalho em macetes e esquemas (quando não simplesmente desenham tudo a partir de fotos com modelos) – , parece talentoso. Levei alguns anos pra entender, e acredito que isto costume acontecer com boa parte das pessoas que estudam arte a sério, a distância que separa um Rembrandt ou Ticiano destes. Distância esta que não é apenas técnica, mas principalmente filosófica, intelectual e espiritual.

E todo o refinamento estético e sensível obtido ao longo destes anos só intensificou o gosto pela arte. Ao observar um desenho, gravura, escultura ou pintura que me agrade, ‘leio’ na obra uma série de coisas que não são acessíveis aos leigos – e certamente isto inclui os jornalistas que escrevem em cadernos culturais, ou eles não endeusariam as bobagens que costumam louvar.

Bem… Devo manter o foco na intenção primária do texto: após este longo período de preparação – em um estudo em que pretendo prosseguir ao longo dos anos – finalmente me decidi a lançar um site com imagens dos meus desenhos.

O link é http://www.mauriciooliveiradias.com.br

Quem quiser dar uma conferida nos trabalhos, será bem vindo.

Clicar em ‘Galeria
Ver também:
http://mauriciooliveiradias.com.br/galeria_02.html

http://mauriciooliveiradias.com.br/galeria_03.html


No país de Andrei Rublev

maio 16, 2012

O pintor e desenhista Nikolay Blokhin nasceu em Saint Petersburg, Russia, em 1968. Aqui cabe um parêntese: A cidade de St. Petersburg teve seu nome alterado algumas vezes ao longo do século XX. Em 1914 seu nome foi mudado para Petrogrado. Veio a Revolução de Outubro de 1917 e surgiu a URSS. Em 1924 a cidade foi novamente rebatizada, desta vez como Leningrado, em homenagem ao líder revolucionário. Em agosto de 1991 houve a dissolução da URSS e a cidade voltou a se chamar oficialmente St. Petersburg.
Voltando a Nikolay Blokhin, ele ingressou aos 12 anos numa escola para crianças com capacidades especiais (ou ‘talentosas’). Aos 14 anos já estava em uma escola de arte. Desde 1995 ele é professor de desenho da Academia de Arte de St. Petersburg. Em seu site pode-se ver vários trabalhos dele.
Clicando-se nos samples (thumbs, as ‘miniaturas das imagens’), vai-se para uma versão ligeiramente maior da mesma imagem, a qual ainda pode ser ampliada se se clicar na opção “1:1”, que fica abaixo da imagem.

A galeria ‘central’ se encontra no link http://www.nikolai-blokhin.com/cat66.html . Uma vez na página, rolá-la para baixo. Esta galeria leva a uma série de outras galerias menores.

Pra quem se interessar em ver tudo, tem ainda muito mais coisa no site.
Um livro  – o qual acredito dispor do texto apenas em russo –  com os trabalhos do artista pode ser encontrado em:
http://www.amazon.com/Nikolay-Blokhin-Paintings/dp/B005IDBDJG/ref=pd_sim_b_3


Monstro do desenho

março 16, 2012

George Pratt (Texas, 1960) é um monstro do desenho, um daqueles artistas que despertam inveja pelo grau de talento. Inspirado pelos poemas de Gabor Barabas, ele criou imagens sobre o Holocausto Nazista – os avós de Barabas morerram em Auschwitz. As imagens se encontram nas páginas listadas abaixo, uma vez nelas, basta clicar nas imagens para ampliar:

(antes, neste post havia mais links para as imagens, especialmente conectados com o texto acima, mas alguns deixaram de ser válidos e eu os retirei)

http://www.georgepratt.com/new-page-2

http://www.georgepratt.com/new-page

http://www.georgepratt.com/watercolors1

E, especialmente, os sketchbooks:

http://www.georgepratt.com/sketchbookshome

 


Vuillard

fevereiro 18, 2012

O grande pintor francês Édouard Vuillard (1868 – 1940), talvez o mais talentoso do grupo dos pintores Nabis  (termo hebraico para ‘profetas’).
Tinha genuína vocação para o decorativo, sem que este termo tenha algo de pejorativo.
Alguns de seus belos trabalhos podem ser vistos nestes links:
http://www.abcgallery.com/V/vuillard/vuillard.html
http://www.abcgallery.com/V/vuillard/vuillard-2.html

Clicando nas imagens, elas ampliam.