Desencanto

dezembro 5, 2011

Impressionante como em algumas ocasiões, um trechinho curto de um texto pode ser tão revelador. Mas sendo o autor o grande Honoré de Balzac, fica mais fácil entender.

O referido techo foi selecionado pelo meu velho amigo Marco Antonio Barbosa, em seu blog.

Há uma frase nele que talvez devesse ter sido traduzida de outra forma:
Para viver, vendo as entradas que os diretores desses teatros me dão para recompensar minha ‘boa vontade’ na crítica e os livros que as livrarias me mandam e dos quais devo falar. (…)

Talvez ficasse melhor assim:
Para viver, sigo vendendo as entradas que os diretores desses teatros me dão para recompensar minha ‘boa vontade’ na crítica e os livros que as livrarias me mandam e dos quais devo falar. (…)

Assim elimina-se qualquer possível confusão entre os verbos ‘ver’ e ‘vender’. Mas é uma análise tão crua e demolidora, algo que só um talento grandioso pode produzir. O link para o trecho é:

http://fubap.org/telhadodevidro/?p=2933


Tentando ser bilingue ao falar de cinema

dezembro 2, 2011

I’ve written a few things about the film ‘The Usual Suspects’, 1995. The English version of the text can be read here: https://comoeueratrouxaaos18anos.wordpress.com/some-thoughts-about-the-usual-suspects

Escrevi algumas coisas sobre o filme ‘Os Suspeitos’ (‘The Usual Suspects’, 1995). O que me levou a escrever sobre ele está explicado no texto. A novidade é que escrevi duas versões do mesmo, uma em inglês e outra em português. O texto em português pode ser lido aqui: https://comoeueratrouxaaos18anos.wordpress.com/consideracoes-sobre-os-suspeitos


Diferentes épocas e parâmetros

novembro 17, 2011

Por Mauricio O. Dias – comoeueratrouxa

Estou relendo com grande prazer ‘Chega de Saudade’ de Ruy Castro. O livro mostra um recorte específico da história da música popular brasileira, dese os anos 1940 até mais ou menos 1970, focando no samba-canção e, claro, na Bossa Nova. Seria uma visão da música popular brasileira ‘sofisticada’: não se interessa pelos ídolos das massas, Emilinha Borba, Marlene, etc. Roberto Carlos só é mencionado porque em seu início de carreira teria tentado imitar João Gilberto.

O texto é saboroso, alternando muita pesquisa e entrevistas com sacadas e humor. A grande diferença em relação à primeira vez que o li, em 1993, é que agora conheço muito mais do gênero musical em si, já que muitos discos dos vários artistas citados não estavam disponíveis à época, e hoje podem ser encontrados com o clique de um mouse. Mas este texto não é só para elogiar uma leitura prazerosa.

Já falei várias vezes neste espacinho virtual contra o politicamente correto, como em:

https://comoeueratrouxaaos18anos.wordpress.com/2010/11/04/mais-de-50-anos-dedicados-ao-entretenimento

No entanto… Voltando ao livro de Ruy Castro, quero destacar um trecho. Se encontra na pág 133, parágr. 3:

A chegada de Ronaldo Bôscoli, em 1957, alterou a paisagem no apartamento de Nara. Ele levou a tiracolo seu amigo Chico Feitosa (…). Os dois se espremiam num quitinete na rua Otaviano Hudson, em Copacabana, a qual abrigava ainda um crioulo, Luiz Carlos ‘Dragão’, de profissão indefinida .”

Foi publicado em 1990, o que, apesar de decorridas mais de duas décadas, não é tão longínquo assim. Não estamos comentando algo de 1920. O termo ‘crioulo’ jogado assim, num livro de não-ficção, sem ser uma citação a uma fala de um entrevistado, chocou-me pela ‘falta de cerimônia’. Lembro que, na mesma década de 1990, Paulo Francis – um dos ídolos de Ruy Castro – fez coisas bem piores em suas colunas de jornal.

Em outro trecho do mesmo livro, a repetição do mesmo termo ‘vulgar’ – agora no plural – se justifica. Ao relatar o processo de afastamento de Carlinhos Lyra da Bossa Nova, para dedicar-se ao ‘samba de raiz’ de Cartola, Nelson Cavaquinho e Zé Kéti, a obra apropria-se das reminiscências de alguém que presenciara um encontro entre os sambistas e Lyra, no apartamento deste em Ipanema:

O crítico musical e ‘jornalista José Ramos Tinhorão (…) lembra-se de ter-se divertido muito ao observar Nelson (N.  Nelson Lins de Barro, à época parceiro de Lyra na composição de canções) e Carlinhos sevindo cachaça e cerveja aos sambistas – porque era o de que os sambistas gostavam – enquanto eles próprios tomavam uísque. “Não lhes passava pela cabeça que os crioulos também pudessem gostar de uísque” – diz, rindo, Tinhorão.’ (pág. 346; parágr. 1)

Aqui o uso do termo ‘crioulos’ é para debochar do fato de que, por mais bem intencionados que fossem os anfitriões, aos olhos deles, a classe social/grupo étnico (conceitos diversos, mas que se fundem no imaginário das pessoas) dos convidados era determinante em suas preferências. Aqui, o uso do termo no livro me parece perfeitmente válido – se era válido seu uso por Tinhorão, é outra discussão; embora a mim pareça que sim, já que foi um depoimento em primeira pessoa, relatado informalmente ao autor, e sabe-se lá se ambos já tinham algum grau de convivência ou mesmo amizade.

Continuo sendo avesso ao patrulhamento politicamente correto, que muitas vezes procura chifre em cabeça de cavalo, também contribuindo para o fomento de uma indústria do ressentimento, que busca lucros via processos judiciais. Mas certos vícios – de pensamento e  lingüísticos – e a perpetuação de estereótipos não devem mais ser aceitos no séc. XXI.


La Mer

novembro 12, 2011

Eugène Isabey, pintor francês (1803-1886).
Nunca tinha ouvido falar, tomei ciência dele folheando um livro sobre marinhas.

Sei que já expliquei aqui como funciona a tecla F11, na linha de cima do teclado, a qual ao ser apertada permite melhor visualização das imagens (para voltar ao modo de exibição normal basta apertar F11 novamente).

Seus trabalhos podem ser vistos nos links:

http://commons.wikimedia.org/wiki/Category:Eug%C3%A8ne_Isabey

(uma vez na página, rolá-la para baixo)

e

http://www.bbc.co.uk/arts/yourpaintings/artists/eugene-isabey

http://www.bbc.co.uk/arts/yourpaintings/paintings/search/painted_by/eugene-isabey


Heróis

outubro 29, 2011

Segue o link para download  de um documentário americano fundamental feito em 2004/2005 e aqui exibido pelo Discovery Channel: ‘100 Greatest Discoveries – Medicine’ narra as maiores descobertas feitas pela humanidade no campo da medicina, desde o Renascimento.  As legendas em português não estão 100 %, mas foi o melhor que encontrei disponível.
É comovente, não consigo assisti-lo sem aplaudir em alguns momentos, vendo aqueles homens abnegados e determinados lutando para combater as enfermidades, o sofrimento e as mortes prematuras.

Deveria ser visto por todos – até por crianças a partir dos 10 anos, para que eles entendam que o padrão de vida que temos hoje, no qual elas já nascem inseridas, não é, como possam supor, um dado natural que sempre existiu; mas o fruto da soma de muitas suadas conquistas obtidas ao longo de séculos.
O documentário é parte de uma série, toda ela ótima, ‘As 100 maiores descobertas da humanidade’, com cada episódio dedicado a um campo da ciência: Física, química, astronomia, etc.
Mas este da medicina me parece o mais importante de todos, pelo enorme aproveitamento prático que decorreu das descobertas ali relacionadas.
Discovery Channel – 100 Greatest Discoveries – Episódio 07 – Medicina
http://www.dexterdownloads.net/2011/03/discovery-channel-100-greatest_9293.html
Página com links para download de todos os episódios
http://www.dexterdownloads.net/search?q=Discovery+Channel
Após terminar o download, rodar o Ccleaner pra limpar o computador de cookies e arquivos indesejados; pra quem ainda não tem, é um bom programa, baixar aqui: www.baixaki.com.br/download/CCleaner.htm


Fredo, don’t ever take sides with anyone against the Family

setembro 2, 2011

Por Mauricio O. Dias – comoeueratrouxa

Pra tirar este meu blog do ostracismo, só na base da paulada.

Escrevo hoje para recomendar uma visita ao blog do ilustrador/cartunista/animador Marcelo Souza, que, por acaso, é meu primo:

http://cartoonbrasil.blogspot.com

Especialmente bons são os perfis em desenvolvimento de personagens:

http://4.bp.blogspot.com/-5Cw3KQjiw1U/TmAWszFiOwI/AAAAAAAAABg/bKo7S793W3E/s1600/bat1.jpg

http://2.bp.blogspot.com/-5w0h3uUPY6o/TmD6P9Og7nI/AAAAAAAAAKI/mPxCMzUXlyw/s1600/bat4.jpg

http://2.bp.blogspot.com/-7CNIZrhFrzM/TmBIVtipiUI/AAAAAAAAACQ/YD6y0hD9pSM/s1600/oncas%2Bprint%2Bcopy.jpg

e estudos para cenas como

http://4.bp.blogspot.com/-EpdaBMHlJ4U/TmBI4ESV_0I/AAAAAAAAAC4/WUGljb2GS7k/s1600/micos%2Be%2Bjacare%2Bprint%2Bcopy%2Bcopy.jpg

http://2.bp.blogspot.com/-tdoUe8FAcM0/TmEZMJMGczI/AAAAAAAAAK4/KQU0zrb1bgk/s1600/wonka1.jpg


Sempre vendo coisas que nao conhecia

julho 25, 2011

(Mais) Um artista que eu não conhecia, o suíço Ferdinand Hodler (1853-1918).

Uma breve biografia e algumas imagens podem ser vistas no interessante blog lusitano http://charcofrio.blogspot.com – mais precisamente, no link

http://charcofrio.blogspot.com/2010/08/ferdinand-hodler.html  (clicando nas imagens, elas ampliam). Altamente expressivo.


Meu nome é Legião

junho 16, 2011

Por Mauricio O. Dias – comoeueratrouxa

Creditado como um dos pintores favoritos de Portinari no livro ‘Portinari desenhista’ (Ralph Camargo, 1977), Jacques Villon (1875-1963) tem alguns dados biográficos curiosos.

Jacques Villon era na verdade um pseudônimo, em homenagem ao poeta medieval francês François Villon.
O pseudônimo foi adotado em 1895 quando o então jovem artista decidiu se dedicar integralmente à prática do desenho e da pintura.
Seu nome real era Gaston Emile Duchamp. Ele era irmão mais velho do famigerado Marcel Duchamp – aquele do urinol – e de mais um escultor e uma pintora.

Entre atores, aqui como nos EUA, a prática de mudar o nome para exercer a profissão era relativamente comum até a primeira metade do século XX: Fernanda Montenegro, Paulo Gracindo, Lima Duarte, Kirk Douglas, John Wayne, Tony Curtis, Jerry Lewis… Tem um pouco a ver com o ofício, ao mudarem o nome já estão de certa forma renegando quem eram na origem para tornarem-se personagens.
Agora, um pintor fazer o mesmo? E renegar o nome de seus antepassados e seus pais para homenagear um ‘poeta medieval’? Me engana que eu gosto… E não, ele não o fez por vergonha da obra do irmão (risos)… Segundo o relato, Marcelzinho tinha apenas oito anos quando o fato se deu.

Não consigo entender alguém trocar nome e sobrenome, salvo em caso do indivíduo ter sido contemplado com um nome horroroso, ou para fugir a  perseguição, religiosa ou política. Há algo de patricida nesta ação, Dr. Freud haveria de concordar. Pode ser uma possível chave para entender a iconoclastia – ou fraudulência artística, dependendo de quem vê – que futuramente nortearia a vida do irmão Marcel.

Talvez Calvin Tomkins já tenha abordado este tópico na biografia que escreveu sobre o inventor dos ‘ready mades‘; eu teria que me interessar o suficiente sobre Marcel Duchamp para saber – e isto não ocorre.
Nos links abaixo pode-se ver alguns trabalhos de ‘Jacques Villon’:

Clicando nas imagens elas ampliam:
http://www.jacquesvillon.info/jacques_villon_originals.html

http://www.nga.gov/cgi-bin/tsearch?oldartistid=209810&imageset=1
(clicar sobre as imagens ou em ‘Full Screen Image’)


Pondé-rando

junho 9, 2011

Texto muito interessante do professor de filosofia Luiz Felipe Pondé, sobre relativismo cultural:

http://www.paulopes.com.br/2009/03/relativismo-cultural-e-blablabla-que-so.html


Cultura contemporânea?

maio 25, 2011

Nota: Neste post eu comparava dois vídeos, um brasileiro e um feito nos USA.  Agora, mais de três anos depois, já pela segunda vez tenho de trocar o link do vídeo, que caducou. Não sei se sempre haverá um link disponível, na internet as postagens não parecem serem feitas para durar muito tempo. De qualquer maneira, se for ler o post abaixo, vale conferir se os links dos vídeos estão disponíveis antes de o ler – ou ficará sem ver o material a que o texto faz referência.

Por Mauricio O. Dias – comoeueratrouxa Consegui, com valioso auxílio de meu velho amigo M.A.Barbosa (http://twitter.com/BartBarbosa) inserir uma coluna com meu twitter aqui no blog. É a coluna à direita dos textos. Dito isto, devo dizer que 80% do que leio e escrevo no twitter é algo voltado para um público que usa a internet cerca de duas horas/dia. Eu mesmo, embora me encaixe no perfil (até com folga, leio bastante on line, praticamente todos os dias, incluindo fins de semana), volta e meia me vejo na situação de estar boiando nos assuntos a que outros (‘outros’  = o grupo de pessoas a que estou conectado) se referem. Fazem gracejos com palavras-chaves como ‘Restart’, ‘Felipe Neto’, usam expressões que devem ser deboches com erros gramaticais de alguém célebre – como “todos chora”.  E eu leio estas coisas e sei lá do que estão falando, e pouco desejo saber. Cheguei inclusive a ter, em alguns momentos, certa raiva de quem sabia. É lançado um videoclipe onde o cantor do grupo de rock Radiohead fica dançando sozinho, numa espécie de mímica, e instantaneamente ‘todo mundo’ fala a respeito, e além de suas próprias observações ainda retransmitem observações alheias, uns relançam o vídeo alterando o áudio original para um forró. Ah, o humor… E se você não se interessar em ao menos saber o que é aquilo, estará à margem: é como se fosse algo sem o qual o mundo não poderia mais existir. (Se quiser, você pode ver no http://www.youtube.com , basta procurar “Radiohead – Lotus Flower”. Mas aviso que a música é tediosa, e o vídeo não vai acrescentar NADA à sua vida.) E isto a que me refiro é porque estou conectado a poucas pessoas, algumas as quais eu já conhecia pessoalmente fora daquele pequeno mundo, outras que já conhecia da grande mídia, outras que escolhi por ter conhecido na internet e gostado de algo que escreveram.  Enfim, pessoas às quais eu escolhi me conectar, e das quais posso me desconectar a qualquer hora. Mas em círculos mais amplos, os tópicos abordados devem ser outros, futebol, novela de TV, pagode, funk ‘proibidão’, etc. Voltando ao MEU círculo: Se as coisas a que me referi dois parágrafos acima, feitas em grande parte por pessoas de minha geração, me parecem sem sentido, fico imaginando como então pareceriam às pessoas da geração dos meus pais, aqueles que eram jovens nos anos 1950, que não têm as referências que eu possuo. Não que seja tudo chato no twitter, há possibilidades muito interessantes. A atualização também é constante, as novidades que os mais velhos vêem na TV, várias vezes eu já havia tomado conhecimento delas com oito horas de antecedência. Mas que em grande parte a ferramenta cai pra essa coisa de identidade tribal, e culto à novidade, isto é inegável. Não lembro de ter visto alguém conhecido ‘twittando’ sobre Aristóteles, Cervantes, Machado de Assis, etc. Mas quero deixar mais clara esta coisa que o twitter tem de ‘piada interna’, ‘pregar para o coro’, ou seja, algo que me parece ser voltado para um círculo de ‘iniciados’, e que se retroalimenta autofagicamente. Vou dar exemplos concretos, fazendo uma analogia em relação ao humor televisivo: Um quadro do velho sucesso televisivo ‘Escolinha do Professor Raimundo’ onde o saudoso Rogério Cardoso – Rolando Lero – e Chico Anysio desfiam suas respectivas verves (assista e depois volte aqui para me permitir completar o raciocínio): http://www.youtube.com/watch?v=V_YPkHBF2xQ O programa era voltado pro grande público, sendo capaz de atingir diferentes faixas etárias. Se você é alfabetizado em português, já tem o requisito necessário para achar – ou não – graça no que está ali. Claro que é útil conhecer previamente o personagem ‘Rolando Lero’, saber que ele é um tremendo embromador, dono de uma lábia capaz de fugir do ponto principal a qualquer custo. É útil também saber quem foi o Marechal Rondon. Mas mesmo quem tomasse contato com o personagem pela primeira vez agora, e desconhecesse a figura histórica de Rondon, ainda assim estaria apto a achar graça. O humor está ali mesmo, é desfiado diante dos olhos do espectador.  Atente para o detalhe de que apenas dois atores mantêm um diálogo vivo por mais de cinco minutos – até a entrada do terceiro personagem – , e cinco minutos é tempo à beça em TV. Após o exemplo acima, quero dizer que, mais recentemente, lembrei de outro velho esquete de um programa de humor, desta vez um programa americano. Após ter descoberto o dito cujo disponível na internet, ‘twittei’ – ou ‘tuitei’ – sugerindo às pessoas que o assistissem: ‘The Joe Pesci Show’, um quadro que havia no ‘Saturday Night Live’ nos anos 1990. Mas este segundo esquete não é como o do Chico Anysio, e envolve uma série de conhecimentos para além do que se vê no vídeo. Antes de dar o link, estabeleçamos o que o espectador precisa saber previamente para captar o humor ali contido. Em primeiro lugar, se você está lendo este texto em português, é necessário que entenda razoavelmente inglês, pois não há legendas no video. Mas não vou enumerar esta característica entre os pré-requisitos para compreensão do esquete, pois ele é apenas outro lado de uma mesma e desprezível questão presente também no ‘Escolinha do Professor Raimundo’ – quem não entende português, não entenderá a ‘Escolinha’. 1º) É preciso saber quem é Joe Pesci. 2º.)  É preciso saber quem é Robert de Niro. 3º.) É preciso conhecer os filmes ‘O Touro Indomável’, ‘Os Bons Companheiros’ e ‘Cassino’, todos dirigidos por Martin Scorsese e estrelados por Robert de Niro e Joe Pesci. Não apenas saber que estes filmes existem, nem tê-los assistido uma única vez, mas ter na memória trejeitos dos personagens e trechos dos diálogos. 4º) Entender o senso de humor borderline que se vê em ‘Os Bons Companheiros’ e ‘Cassino’, o qual está no limite da sanidade e aborda com deboche a violência extrema, não sendo palatável para todos os estômagos. 5º)  É preciso saber da influência judaica no show business americano para entender a piada da páscoa judaica (em inglês “Passover”). 6º.)É muito útil (talvez não seja ‘necessário’, mas é muito útil) saber da visão estereotipada e algo preconceituosa que certos setores da população ítalo-americana dos arredores de Nova York têm em relação aos judeus. É muito útil (talvez não seja ‘necessário’…) saber que a expressão hebraica “Hava Naguila”, embora signifique uma exortação à alegria, não é usada no dia-a-dia pelos judeus, sendo mais conhecida pela letra de uma tradicional canção judaica.  Desejar “Hava Naguila” aos judeus seria, mal comparando, como desejar “La vie en rose” aos franceses: algo que não se usa. E é usado ali para reforçar a idéia de que o personagem possui uma visão estereotipada sobre outra cultura. 7º.) É muito útil (talvez não seja ‘necessário’…) saber que o verdadeiro Robert de Niro é bastante reservado e avesso a entrevistas e aparições em TV, o que torna sua presença ali algo ainda mais inusitado e significativo. Isto é muito útil também para entender porque quase o tempo todo em que está em cena ele fica em silêncio, apenas concordando, com gestos feitos com a cabeça. Dito tudo isto, acho o vídeo hilário – forneço o link mais abaixo. Mas meus pais, e outros com mais 60 anos, salvo raríssimas exceções, não têm como entendê-lo. E isto tem a ver com o que vejo no Twitter: sem as referências você não conseguirá ver graça em grande parte do que é dito ali. E se eu hoje já não vejo graça no clipe do Radiohead, quantos anos me restam antes de eu perder completamente qualquer vínculo com o povo do twitter e me juntar aos meus pais no grupo dos ‘coroas excluídos das rodinhas’? Talvez seja inevitável, parece-me uma solução mais viável do que ficar como algumas pessoas que vejo na mídia e no próprio twitter, as quais, estando já na faixa dos 50 anos de idade, o máximo de profundidade que conseguem alcançar é falar de filmes, séries de TV americanas, histórias em quadrinhos, e bandas de rock/pop, numa desesperada “Síndrome de Peter Pan” (ou seria de “Dorian Grey”?). Para ver o video do ‘The Joe Pesci Show’ ( que permaneça no ar por um bom tempo) – em inglês, SEM legendas: