Coppola e os chefões – P.S.

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Por Mauricio Dias – comoeueratrouxa

Assistindo pela vigésima vez os dvds dos Chefões, achei uma questão nova no primeiro Godfather, na cena em que Michael mata Solozzo e o chefe de polícia num restaurante: a família Corleone já sabia que o encontro seria ali – tanto é que plantaram a arma no banheiro, para Michael usá-la.

Se já sabiam onde era o encontro, por que não mandaram três capangas para cuidar dos dois, em vez de envolver Michael – que a esta altura ainda era um “civil”, alguém não envolvido nos negócios?

Desde o início já sabiam que a ação de Michael iria obrigá-lo a sumir do país por um ano – isto é falado por Clemenza a Michael, quando está mostrando a ele as adaptações que fez no revólver que será usado: matar um policial implica incorrer na ira de uma fraternidade poderosa e violenta.

Então, em vez de Michael, o valioso jovem príncipe herdeiro, não seria natural que o exposto a tal perigo fosse um matador descartável qualquer?

É claro, Michael teria que estar presente: era o fato de ele estar ali que justificava o encontro. Mas ele estando na mesa com os outros, os pistoleiros poderiam entrar no restaurante em meio a refeição e executarem o serviço – ele poderia até fazer um jogo de cena, sair correndo ou se jogar debaixo da mesa, para parecer que escapou por sorte. Poderia parecer suspeito, mas seria melhor do que executar um policial diante de várias testemunhas.

Mas em dramaturgia às vezes tem-se que condensar a ação em alguns personagens para minimizar a possibilidade de distração do público. E se você tem Al Pacino no papel principal, o melhor é usá-lo no máximo de cenas possíveis (mesmo ele ainda não sendo ali o “mito” que viria a se tornar, apenas um ator promissor onde já se podia vislumbrar um grande talento).

E a fuga de Michael, consequência direta destes dois assassinatos, é o gancho para a parte onde o vemos na Sicília, muito belamente fotografada em sua aridez e rusticidade.

Então valeu a pena sacrificar a lógica. O ganho foi bem maior que o prejuízo – eu só fui notar isso depois de ver o filme dezenas de vezes, se eu fosse um ser humano razoavelmente normal não teria percebido nunca.

É mais ou menos o que ocorre com a morte da prostituta no Poderoso Chefão 2, sobre a qual já escrevi – clicar no link

https://comoeueratrouxaaos18anos.wordpress.com/coppola-e-os-chefoes

2 Responses to Coppola e os chefões – P.S.

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