O pessoal do traço

julho 30, 2009

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Por Mauricio O. Dias – comoeueratrouxa

Ao longo de nove anos estudando desenho em diferentes lugares, conheci muita gente que desenha. Diferentes estilos, desde o cara que estuda desenho clássico porque quer ser pintor, ao que tem vocação pra cartunista, da moça que ilustra livros ao que se encaixa mais na animação.

Aqui abaixo, links para blogs/sites de alguns destes desenhistas – devo ter esquecido alguém, quem tiver um blog de desenho, dê um toque:

. DESENHO CLÁSSICO / PINTURA :

http://fabioscaglione.blogspot.com

http://desenhodemodelovivo.blogspot.com

http://fernandogopal.blogspot.com

http://www.sandranunes.com/gallery.html

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. CARTUNS / ILUSTRAÇÕES/ MÍDIAS VARIADAS

http://eduardoarruda.blogspot.com

http://rudsoncosta.blogspot.com

http://raphaelargento.blogspot.com

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O show de Truman

julho 25, 2009

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Por Mauricio O. Dias – comoeueratrouxa

Obs. Apesar do título, este texto não é sobre o filme ‘O show de Truman’, mas como uma das questões que ele trata é o fato de as pessoas quererem estar em visibilidade permanente, o título me pareceu adequado.

Reza o folclore que nos anos 1990 o então presidente dos EUA Bill Clinton teria dito sobre a maconha: “Fumei, mas não traguei.”

Isto gerou a ótima blague: “Fumo, mas não trago. Quem traz é um amigo meu.” O autor, o autor?? Seria do Agamenon Mendes Pedreira?

A frase de Clinton eu ‘googlei’, na verdade é “When I was in England, I experimented with marijuana a time or two, and I didn’t like it. I didn’t inhale and never tried it again.

Lembrei disso ao decidir que queria escrever algo envolvendo twitters: ‘Leio o dos outros, mas não tenho o meu.’

Pode ser que algum dia eu resolva aderir, mas a princípio não tenho interesse.  Não sei, twitter é algo que só tem sentido se for ligado ao instantâneo, o que, pro meu modo de escrever, não é muito adequado. É útil pra você dar links para coisas bizarras e engraçadas, o que eu já faço por email com os amigos e vice-versa – mas no twitter você atinge quem não te conhece, o que por um lado é interessante. E isto se multiplica em curto prazo, pela velocidade da comunicação dos links: quem usa vai estabelecendo novos contatos, pessoas com as quais possa ter afinidades. Pra quem trabalha com comunicação/mídia, serve até pra abrir portas, profissionalmente falando.

Comecei a ler twitter porque no site/blog do Arnaldo Branco tinha link pro dele, http://twitter.com/arnaldobranco. O http://twitter.com/MALVADOS do Dahmer foi conseqüência natural do anterior. Ao final do texto listo os twitters os quais, além dos já mencionados, acompanho já há algum tempo. E porque resolvi falar sobre isso agora? Falta de assunto melhor? É uma boa hipótese… O fato detonador foi que lendo o do Dahmer em 23/07 vi o post “Estética nerd é a bola da vez entre moderninhos”, e havia um link para o artigo que se encontra em http://g1.globo.com/Noticias/Rio/0,,MUL1203744-5606,00-OCULOS+DE+ESTILO+NERD+SAO+A+TENDENCIA+PARA+HOMENS.html

No artigo, abaixo da segunda foto, a legenda: “O estudante Diogo Ferraz usa o óculos redondo para compor seu visual despojado.”

Pera aí, que visual despojado é este que tem que ser composto?

Não escrevo aqui para criticar o rapaz que usa óculos, nem o autor da matéria – não está assinada, atribuída a “Do G1, no Rio”. Entre a confecção da matéria e a publicação, rola um editor, como seria de se esperar? Quem será o pai da gafe?

Mas é transparente a falta de senso crítico, o jornalista que a redigiu não o fez por ironia. Este é o mundo imediatista da mídia. Ter um twitter envolve a questão de que você precisa preencher aquele espaço com alguma freqüência, então vira-se refém das novidades. Qualquer coisa nova, você lança antes que fique velha, para não ficar defasado. Então vira linha de produção.

Esta notícia que eu citei acima, ‘ÓCULOS DE ESTILO NERD SAO A TENDÊNCIA PARA HOMENS’, quer coisa mais irrelevante que isso? No entanto, um cara inteligente como o Dahmer dá espaço pra uma bobagem dessas, e eu, que sou uma besta, ainda me dou ao trabalho de comentar o fato. Ao invés de estarmos falando da filosofia de São Tomás de Aquino, Leibniz, ou de Shakespeare, Ticiano, Rembrandt, viramos caixa de ressonância de algo que beira a debilidade mental. Isto é a história do mundo do século XVIII pra cá, ao invés de se falar do que é grande e essencial, tenta-se preencher o tempo-espaço com o que estiver ao alcance. Começou há séculos, mas explodiu no século XX, o século da mídia de massa, das revistas, do rádio, da TV. A arte consagrada do século XX é um produto da falta de assunto dos jornalistas, os quais em geral não têm uma bagagem de pensamento organizado, apenas um simulacro muito superficial de conhecimento dos assuntos em pauta – pauta esta que é ditada por eles, então se restringem ao seu pequeno universo mental.

Não é apenas que os críticos de música dos jornais não sejam capazes de entender Bach; em geral, é muito mais sério, eles não têm conhecimento teórico algum, não estudaram para tocar instrumento nenhum, não diferenciam as notas, nem fazem idéia de como ler uma partitura. E os jornalistas que cobrem artes plásticas não sabem nada de desenho, e os jornalistas da área de divulgação científica só lêem o que é necessário para escrever os artigos. Se você é inteligente e tem verdadeiro interesse em conhecer, acaba por se livrar deste tipo de mentalidade depois de adulto. Mas o normal é passar a infância,  adolescência e até o início da juventude totalmente escravizado pela mídia. Existem invenções em todos os níveis, desde as várias feitas para pegar adolescentes imbecis, até aquelas para pessoas que gostam de se atribuir qualidades intelectuais. Deleuze, Guattari, tudo isso é armadilha pra pegar trouxa. Mas é o que a faculdade de comunicação ensina. Zé Celso Martinez Corrêa, Gerald Thomas, Walther Salles, Tom Zé, poesia neoconcreta, Richard Serra, Susan Sontag, David Lynch, Robert Mapplethorpe, toda esta gente ‘sensível’ ou ‘contestadora’ incensada pela mídia… Quando você é garoto, uma parte de você quer se integrar e não se sente confiante para contestar a babação de ovo midiática; leva tempo até criar anticorpos.

Fico com medo de soar como aqueles caras que só falam de coisa do século XIX pra trás – e ainda não consigo me referir a algo ocorrido “no século XX” como “no século passado”, afinal, foi neste século que nasci e cresci. Há sujeitos que acham que tudo tem que ter uma motivação filosófica ou algo assim. Não é isso, há coisas que não querem dizer nada e são divertidíssimas. Os ‘versos’ “Gitchi gitchi ya ya here Mocha chocolata, ya ya” não dizem coisa nenhuma, mas cantados por Patti LaBelle em “Lady Marmalade” ficam maravilhosos – tô ouvindo um cd duplo dela direto! Maravilhoso! Música feita “no século passado”…

Voltando ao twitter, essa coisa de escrever casualmente sem saber quem está lendo é complicada. Tem gente que escreve como se estivesse de cueca no sofá da sala. Escrevi no quinto parágrafo: ‘no twitter você atinge quem não te conhece, o que por um lado é interessante.’ Mas, por outro lado, pode não ser: Nesses twitters que eu acompanho, já vi gente escrevendo “Vou estar no bar tal às tal horas”. Não acha que isto é se expor muito? Sabe lá quem está lendo? Não viram “O Rei da Comédia” de Martin Scorsese?

Sei lá… Por que eles escrevem? Por que eu escrevo sobre eles? Meta-linguagem levada ao paroxismo? Por um lado, “Quanto a escrever, mais vale um cachorro vivo” (Clarice Lispector). Por outro, tem horas na vida em que fazer o que se gosta é o máximo que se pode esperar de estar vivo.

Twitters pelos quais eu costumo passar para uma olhada:

http://twitter.com/marlosm

http://twitter.com/ulissesmattos

http://twitter.com/sergiomaggi


Lost in translation

julho 20, 2009

Por Mauricio O. Dias – comoeueratrouxa

Há anos leio com admiração os artigos de Thomas Sowell pela internet.

Professor de economia da Universidade Stanford com Ph.D. pela Universidade de Chicago, Sowell é um pensador conservador norte-americano. Um dos – vários – pontos do seu trabalho é que ele questiona firmemente a validade da ação afirmativa – cotas raciais. Um aviso aos patrulheiros de plantão: ele é e negro.

Ao buscar por livros de Sowell em português, vou no http://www.submarino.com.br, na http://www.livrariasaraiva.com.br e na http://www.fnac.com.br. Só encontro um título, ‘Ação Afirmativa ao Redor do Mundo – Estudo Empírico’, o qual já está esgotado.

No site da editora, http://www.univercidade.br/uc/editora/index.asp, não encontrei janela para busca. Mas clicando em ‘ciência política’ pude achar o título. Cliquei em cima. Nada. Aparentemente não vendem on line. OK, há um endereço e telefone onde se pode comprar. Felizmente, é na minha cidade, Rio de Janeiro. Se eu morasse no Mato Grosso, mandariam pelo correio?

Se for procurar um usado, no http://www.estantevirtual.com.br pode-se encontrar o “Etnias da América”.

No seu EUA natal, Thomas Sowell tem mais de quarenta livros publicados. Estou escrevendo em 20/07/2009; pode ser que esta indigência de traduções de suas obras para o português mude em médio prazo, embora não me pareça provável. O mercado editorial brasileiro é pequeno e ponto. Além de ideologicamente seletivo, claro. Graças a Deus pela Amazon.com, mas o fato é que quem não lê em inglês nos dias de hoje fica realmente com um universo muito limitado.

No entanto, pela mentalidade populista vigente, o ato de reconhecer em público a existência de dificuldades para quem não domina o inglês pode te deixar marcado como arrogante ou elitista. Vai ter sempre um pronto pra falar: “- Meu pai não tinha dinheiro pra pagar curso de inglês!”

Outros vão apontar na atribuição de importância ao domínio da língua inglesa um ato de subserviência à colonização cultural, em detrimento de nossas tradições. O.K., e usar máquina de lavar roupa é um desrespeito à milenar tradição de lavar roupa esfregando numa tábua.

É um raciocínio como o que o folclore atribui ao avestruz: caso se sinta ameaçado, meta a cabeça num buraco até o perigo passar.

Para os que lêem em inglês, as colunas de Sowell podem ser encontradas em vários sites, como:

http://www.jewishworldreview.com/cols/sowell1.asp

Em português, alguns textos estão disponíveis no http://www.midiasemmascara.org


Não adianta vir com guaraná pra mim

julho 10, 2009

Por Mauricio O. Dias – comoeueratrouxa

Tenho pensado muito na questão de haver ou não um limite ético para piadas. Algo que causa dor a alguém pode ser motivo de riso?

Já há dias considero esta questão. E hoje chegou por email a notícia de que morreu o travesti envolvido naquele escândalo com o Ronaldo. Eu e meus amigos trocamos piadas sobre o fato, como imagino que milhares de pessoas farão. Mas, convenhamos, o cara morreu, né? É um fato que, em si, não pode ser considerado alegre.

Mas mesmo tendo, entre amigos, feito piadas com a morte do mancebo, não acho que seria certo reproduzi-las aqui, que é, afinal, um espaço público. Certos comentários que em privado constituem humor válido, se reproduzidos em público, seriam de mau-gosto ou cafajestes. É uma consideração particular minha. Muita gente boa pensa de modo diferente.

No entanto, certos acontecimentos são tão esdrúxulos que, diante deles, o humor é inevitável. Se vai ser um humor válido ou não depende do talento do emissor e da disposição do receptor em achar graça. Vejamos:

Muita gente acha que o nome genérico daqueles anões do filme ‘A Fantástica Fábrica de Chocolate’ era ‘Lupa-Lupa’. Na verdade, após pesquisa no imdb.com, vi que era ‘Oompa Loompa’.

Só vi a versão de 1971, a clássica com Gene Wilder; não esta mais recente, que reuniu mais uma vez Tim Burton e Johnny Depp.

Pelo que entendi, os ‘Oompa Loompa’ não seriam exatamente humanos, mas uma espécie a parte, como os duendes do Papai Noel, os elfos, gnomos, jóqueis de cavalo e outros diminutos seres da mitologia.

Na versão de 1971, só havia ‘Oompa Loompas’ machos. Como se reproduziam? Serão hermafroditas? Brotam de alguma planta, tal e qual o Saci do nosso folclore?

Quantos anos vive um ‘Oompa Loompa’? O que pode causar sua morte?

Todas essas dúvidas me foram trazidas depois da leitura do texto que se encontra no link:

http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL1223791-5602,00-HOMEM+MORRE+APOS+CAIR+EM+TONEL+DE+CHOCOLATE+NOS+EUA.html


Made in USA

julho 6, 2009

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Teve uma época, há anos, que andei lendo críticos de cinema americanos, mais especificamente Andrew Sarris e Pauline Kael.

Leituras que valeram a pena, especialmente Kael. Sarris era muito conservador, e o livro que eu li só cobria até 1968 (‘The American Cinema’).

Nas suas listas de “melhores do ano” (de 1958 até 1987 no Village Voice; a partir de 1989 no New York Observer) ele deixou de fora títulos que mereciam estar ali. As listas até 2006 podem ser lidas em inglês no link

http://alumnus.caltech.edu/~ejohnson/critics/sarris.html

Sarris cede excessivamente ao gosto médio, especialmente a partir dos anos 80 – tudo bem que tem anos que são muito fracos, e você tem que selecionar a partir do que foi exibido. Mas espera aí… ‘Titanic’, ‘Meu primo Vinny’, ‘Kill Bill’ – tanto o 1 como 2 – , ‘Sin City‘… Para Sarris, o ‘Lost in Translation’ (qual o nome em português dessa bobagem? Googlei: ‘Encontros e Desencontros’) de Sofia Coppola foi o MELHOR em língua inglesa de 2003. PQP!

Neste site que eu destaquei, constam também entre os selecionados por Sarris como ‘os melhores filmes dos anos 80’ duas séries para TV. A alemã ‘Berlin Alexanderplatz’ de Fassbinder, e uma minissérie inglesa de 1986, ‘The Singing Detective‘, dirigida por Jon Amiel. Essa última acho que nunca passou aqui, de repente dá pra baixar na internet.

Voltando ao foco: títulos como  ‘West Side Story’, ‘Midnight Cowboy’ ‘Dr. Fantástico’, ‘2001’, ‘Laranja Mecânica’, ‘M.A.S.H.’, os três grandes do Monty Python, ‘Taxi Driver’, ‘Caçadores da Arca Perdida’,  ‘O Grande Lebowski’, estão ausentes das listas de seus respectivos anos.  Ele deixou de fora também outros imprescindíveis como ‘Um corpo que cai’ e os dois primeiros ‘O Poderoso Chefão’. Curiosamente, a parte III, infinitamente pior que as anteriores, está entre os melhores de 1990. Vai entender…

Dá pra notar que, por alguma razão, Sarris dá preferência a alguns nomes que, na minha modesta opinião, não parecem ter muita relevância: John Sayles, Robert Benton, Steve Kloves – com certeza têm outros na mesma situação que eu não lembrei de apontar aqui. E, ao mesmo tempo, o crítico inclui na lista obras outonais e significativamente menores de diretores que foram grandes outrora, mas que naquele momento selecionado por ele já estavam descendo a ladeira: ‘A condessa de Hong Kong’ (Chaplin), ‘Avanti!’ (Billy Wilder), ‘Sete Mulheres’ (John Ford), ‘Topázio’ (Hitchcock).

Já Pauline Kael declarou-se aposentada em 1991 (”The prospect of having to sit through another Oliver Stone movie is too much.” – declarou na ocasião). Ela morreu em 2001. Suas resenhas podem ser lidas em inglês no link

http://www.geocities.com/paulinekaelreviews